Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 113

 

Embed or link this publication

Description

Jornal Imprensa Sindical

Popular Pages


p. 1

Desemprego no Brasil é de 6,8%, queda no trimestre e em um ano com o mesmo período do ano passado (7,4%). O dado foi divulgado pelo IBGE dia 6 de novembro. O órgão divulga duas taxas diferentes de desemprego. Esta Pnad Contínua se refere aos números trimestrais e tem abrangência nacional. A outra é mensal e engloba apenas seis regiões metropolitanas. Como o alcance é diferente, os números também são. A última pesquisa mensal divulgada indicava que o desemprego em setembro foi de 4,9%. Desemprego é maior no Nordeste e entre as mulheres. A queda entre o 2º trimestre de 2014 e o 2º trimestre do ano passado foi de 0,3%. É metade da queda ocorrida entre o 2º trimestre de 2013 e o de 2012 (0,6%). Para Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, o mercado absorveu, “em ritmo inferior”, os trabalhadores temporários de fim de ano que voltam a procurar emprego no início do ano. A população ocupada no 2º trimestre de 2014 foi de 92,1 milhões, o que representa 56,9% da força de trabalho. O IBGE substituiu o termo população economicamente ativa por população em idade de trabalhar, que é formada por todas as pessoas com mais de 14 anos SÃO PAULO - SP ANO XII | 113a EDIÇÃO IMPRENSA SINDICAL DEZEMBRO/2014 O desemprego no Brasil ficou em 6,8% no 2º trimestre deste ano (abril a junho), segundo a Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Isso representa uma queda em relação ao 1º trimestre de 2014, quando a taxa era de 7,1%. Também houve queda em comparação AÉCIO NEVES que estão ocupadas, desempregadas ou não estão procurando emprego (estudantes e donas de casa, por exemplo). O órgão passou a usar usa o conceito de força de trabalho, que é a soma da população ocupada e da desocupada (excluindo os que não estão procurando emprego). SECOVI - SP Em ato político, em São Paulo, Aécio Neves diz ‘vamos manter viva’ a voz das ruas Página 7 Burocracia paralisa o desenvolvimento do Brasil Página 8 Senador Aécio Neves (PSDB) - MG Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP PAULINHO DA FORÇA - SP SINDUSCON - SP Região Metropolitana de São Paulo tem maior IDH do país Página 2 Geraldo Alckmin, governador de São Paulo Desempenho das construtoras deve ficar estável em 2015; previsão é de declínio no emprego José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sinduscon-SP Por que reduzir a jornada de trabalho? Página 23 LU ALCKMIN Página 6 Paulinho da Força, deputado federal e presidente nacional do Solidariedade Fundo Social de Solidariedade do Estado realiza 4ª edição do bazar da Escola de Moda Página 13 AEROVIÁRIOS - SP CUT - SP PATRIANI AEROVIÁRIOS DE SÃO PAULO EMPRESAS DIFICULTAM NEGOCIAÇÕES Página 23 Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP CUT negocia proposta de programa que protege emprego Página 18 Vagner Freitas, presidente da CUT-SP Bruno Patriani: a inovação da construção civil no ABC Página 11 GUARULHOS - SP PARÁ SUPLICY A ÁGUA Na Bahia, NOSSA DE CADA três DIA Página 2 Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República SINDIQUÍMICA - BA FORÇA SINDICAL - SP ITUIUTABA-MG categorias representadas pelo Sindiquímica estão em campanha salarial Página 20 Previsão de alta dos juros breca crescimento Página 23 Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba Audiência pública detalha projeto de canalização do rio Baquirivu Página 12 Governador Simão Jatene inaugura agência do Banpará em Santa Maria Página 12 Miguel Torres, presidente da Força Sindical BAHIA Setores de Cabines de Rádio e TV já em construção no Estádio Julia do Prado Página 11 HADDAD O prefeito Sebastião Almeida inaugurou a UBS Vila Nova Bonsucesso JADER BARBALHO Governador do Estado do Pará, Simão Jatene MARANHÃO PARAÍBA Paraíba cria 5.511 empregos em agosto e apresenta maior crescimento relativo do Brasil Página 14 Jaques Wagner, governador da Bahia GRÁFICOS - SP Governador Jaques Wagner inaugura ginásio poliesportivo em bairro popular com capacidade para jogos internacionais Página 19 Jader cobra ferrovia vital ao país Página 17 Fernando Haddad, prefeito de São Paulo Governadora Roseana apresenta a empresários os avanços da economia maranhense Página 24 Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho STIG/SP: UNIÃO, TRANSFORMAÇÃO E AVANÇO! Página 18 Anuncie no IMPRENSA SINDICAL Centro Aberto será ampliado no eixo da avenida São João Página 19 Senador Jader Barbalho (PMDB) Governadora do Maranhão, Roseana Sarney (11) 3666-1159 99900-0010 95762-9704

[close]

p. 2

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 2 São Paulo Região Metropolitana de São Paulo tem maior IDH do país Geraldo Alckmin, governador de São Paulo Índice de Desenvolvimento Humano da RMSP é de 0,794, o maior entre as 16 regiões metropolitanas pesquisadas no país deram indicadores de renda, educação e expectativa de vida. Também segundo o relatório, houve melhora do IDHM nos últimos 10 anos em todas as regiões metropolitanas analisadas. Em 2000, por exemplo, o IDHM da região metropolitana de São Paulo era 0,714. O estudo é realizado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e Fundação João Pinheiro. Todas as 16 regiões metropolitanas estudadas encontram-se na categoria alto desenvolvimento humano. Ranking do IDHM de 16 regiões metropolitanas do país: 1º - São Paulo (0,794) 2º - Distrito Federal (0,792) 3º - Curitiba (0,783) 4º - Belo Horizonte (0,774) 5º - Grande Vitória (0,772) 6º - Rio de Janeiro (0,771) 7º - Goiânia (0,769) 8º - Cuiabá (0,767) 9º - Porto Alegre (0,762) 10º - São Luís (0,755) 11º - Salvador (0,743) 12º - Recife (0,734) 13º - Natal (0,733) 14º - Fortaleza (0,732) 15º - Belém (0,729) 16º - Manaus (0,72) A Região Metropolitana de São Paulo é a mais bem colocada no ranking de IDHM (índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado nesta em 25 de novembro, no Atlas de Desenvolvimento Humano. O estudo analisou os dados de 16 regiões metropolitanas do país. A nota de São Paulo é 0,794 (quanto mais perto de um, melhor o desempenho). Os dados do estudo atual são referentes ao Censo do IBGE de 2010 e consi- Suplicy que possibilitaria elevar o nível na Usina de Ilha Solteira, mantendo, consequentemente, operacional o canal de Pereira Barreto, indispensável para a hidrovia. Esses testes estão sendo realizados agora, com a colaboração dos órgãos federais envolvidos, como Ibama, ANA e o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS, Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República quando infelizmente, a O Estado de São Paulo, mais esestiagem já se agravou pecialmente a cidade de São Paulo, e cujos benefícios para a hidrovia povem enfrentando grave crise hídrica, dem ser menores. resultado da mais severa estiagem reAlém da não-realização das obras gistrada no país, que atinge diversas no tempo devido, outras decisões, regiões, em particular a Bacia do Rio mais políticas do que técnicas, prejuParaíba do Sul e o Sistema Cantareira, dicaram vários municípios do ABC e em São Paulo, responsável pelo abas- principalmente Guarulhos, que, mestecimento de cerca de 15 milhões de mo tendo um serviço autônomo, repessoas. cebe água da distribuição da SABESP Venho acompanhando esta situ- e teve simplesmente a oferta de água ação bem de perto e acredito que a reduzida, potencializando assim a cooperação entre os governos fede- crise existente. ral, estadual e municipal é o principal Desde 2004, a ANA – Agência meio para resolvermos o problema Nacional de Águas, o órgão regulador da água, não só em São Paulo como federal, delegou suas competências em todo o Brasil. ao DAEE – Departamento de Águas Nesse sentido ressalto algumas e Energia Elétrica, o órgão paulista informações pertinentes ao tema que equivalente, para regular o Sistema podem esclarecer a opinião pública e Cantareira. A nova outorga do Canservir para a busca de solução para o tareira à SABESP, que venceu em problema. agosto de 2014, foi antecipada para É preciso esclarecer que além da março de 2014 para fugir ao calendáestiagem, os dois principais fatores rio eleitoral. Com o agravamento da que afetaram a hidrovia Tietê-Paraná crise em fevereiro deste ano, foi adia– importante para o transporte de da para outubro de 2015 para, entre grãos do centro-oeste brasileiro – são: outras razões, também fugir das pai- o não-cumprimento de obriga- xões do calendário eleitoral. ção atribuída ao concessionário priNuma iniciativa do governo fedevado do setor elétrico de eliminar o ral, em fevereiro deste ano, foi criado pedral – afloração rochosa – existente um grupo técnico, GTAG – Grupo de no rio Tietê logo abaixo da usina de Assessoramento Técnico à Gestão Nova Avanhandava. A não-remoção do Sistema Cantareira para estudar exige a manutenção de um nível mais e discutir a possibilidade de agraelevado, portanto, mais água, para o vamento da estiagem, o que infeliztráfego dos comboios. Caso essa obra mente acabou acontecendo. O grujá tivesse sido realizada, como consta po foi extinto e não foi cumprido o do contrato, os impactos da seca na acordo feito a partir de uma proposta hidrovia seriam, pelo menos, retar- dele próprio de gestão mais racional dados. Agora, tal obra será realizada e conservadora da água disponível no em parceria com o governo federal, sistema Cantareira. através do Ministério dos TransporSe há a certeza de que a crise tes, que está disponibilizando os re- hídrica de São Paulo é fruto da escursos financeiros necessários; tiagem mais severa registrada na - a demora da CESP, empresa região, não deixa de ser uma certeza energética de São Paulo, em aceitar também a ausência de obras que sefazer os testes para redução das va- riam necessárias, hoje, para evitá-la, zões das usinas de Ilha Solteira, Ju- ou ao menos, reduzir seus impactos. piá e Porto Primavera, redução essa Já em 2004, na renovação da outorga A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA do Sistema Cantareira, o órgão estadual paulista fez constar como condicionante a necessidade de a SABESP reduzir sua dependência do sistema Cantareira. Infelizmente, nada foi feito nesses anos todos e, agora, no meio da crise, as boas iniciativas do governo de São Paulo, que não são imediatas, como ampliar a capacidade de distribuição de água entre os diversos reservatórios, a PPP da adutora do São Lourenço, as barragens na bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, a transposição no reservatório do Jaguari, são a prova cabal e definitiva de que muito poderia ter sido feito antes. O mais grave é que, mesmo com as últimas chuvas, a crise se acentua. O Cantareira e também os reservatórios do sistema Alto Tiete estão se esgotando muito rapidamente. As alternativas são poucas, senão inexistentes. A estiagem poderá prolongar seus impactos por vários anos, afetando não só diretamente as pessoas, nos seus usos cotidianos, mas também o meio ambiente, e toda a economia paulista, com reflexos amplos e indefinidos. Preocupa-me ainda que os mais pobres serão os mais atingidos. É preciso atender às sábias recomendações da Presidenta Dilma Rousseff e do governador Alckmin para estreitar as parceiras e buscar todas as alternativas para impedir que as pessoas sejam ainda mais prejudicadas.

[close]

p. 3

Opinião por Celso Lungaretti - de São Paulo IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 3 Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. Reflexões sobre a sociedade alternativa No início dos anos 80, quando trabalhava em revistas de música, tive uma breve amizade com o Raul Seixas. O que nos aproximou foi termos ambos 1968 como referencial maior de nossas existências. Músicas tipo “Metamorfose Ambulante”, “Tente Outra Vez”, “Cachorro Urubu” e “Sociedade Alternativa” lavavam minha alma, num momento em que a velha esquerda rabugenta se reconstruía, passando como um rolo compressor sobre os sonhos da geração das flores. De papos sóbrios e etílicos que tive então com o Raulzito, posso dizer que o lance da sociedade alternativa era, basicamente, o de agruparmos as pessoas com boa cabeça em comunidades que estivessem, ao mesmo tempo, dentro do sistema (fisicamente) e fora dele (espiritualmente). Essas comunidades existiram no Brasil, de 1968 até meados da década seguinte. Nelas praticávamos um estilo solidário de vida, buscando reconciliar trabalho e prazer. Procurávamos ter e compartilhar o necessário, evitando a ganância e o luxo. Acreditávamos que um homem novo só afloraria com uma prática de vida nova; quem quisesse mudar o mundo dentro das estruturas podres, acabaria sendo, isto sim, mudado pelo mundo. Então, em vez de conquistar o governo para tomar o poder e tentar implantar uma sociedade mais justa de cima para baixo, nós queríamos deslocar o eixo para o sentido horizontal: acreditávamos em ir praticando uma vida não-competitiva em comunidades que se entrelaçariam e cresceriam aos poucos, até engolirem a sociedade antiga. As teses e posturas da chamada Nova Esquerda dos anos 60 continuam sendo uma das melhores tentativas que podemos fazer para sairmos deste inferno pamonha que o capitalismo globalizado engendrou. Daí o empenho dos conservadores de direita e de esquerda (eles existem, sim!) em relegá-las ao esquecimento. 1968 ainda é tabu. O NÉO-ANARQUISMO Se, como todo mundo diz, a Sociedade Alternativa proposta pelo Raulzito tinha muito a ver com os livros do bruxo Aleister Crowley (que ele e o Paulo Coelho andaram traduzindo do original), também se inspirava nas barricadas parisienses, nas comunidades hippies e na contracultura, o que poucos apontam. Ele e eu conversamos muito sobre isso; éramos ambos saudosos dos tempos em que tentávamos nos tornar homens novos na convivência solidária com os irmãos de fé, em nossos territórios livres. A referência ao maio/1968 francês é óbvia, por exemplo, na segunda estrofe de “Cachorro Urubu”: “E todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era,/ que já não é mais primavera./ Oh, baby, a gente ainda nem começou.” Os conservadores sempre tentaram reduzir a obra do Raulzito a uma provocação artística, sem maiores consequências políticas e sociais. Mas, ele não era meramente um gênio de comportamento anárquico, como tentam retratá-lo, folclorizando-o para torná-lo inofensivo. Era, isto sim, um homem sintonizado com o néo-anarquismo que esteve em evidência na Europa e EUA na virada dos anos 60 para os 70. E só não dizia isso de forma mais explícita em suas canções porque o Brasil era um Estado policial, submetido a uma censura rígida, embora burra. Este não era, claro, o único aspecto de sua multifacetada personalidade –talvez nem o principal. Mas é o que mais tem sido omitido pelos que querem fazer dele apenas um monumento do passado, não um guia para a ação no hoje e agora. LIKE A ROLLING STONE Eu vivi na estrada e em comunidade alternativa, em 1971/72. Foi uma experiência riquíssima, num momento em que eu precisava extravasar as emoções represadas no cárcere e me reconstruir, já que o sonho de uma sociedade de liberdade e justiça social ficara adiado por décadas e eu, esperançoso como qualquer adolescente, não me preparara psicologicamente para suportar a sociedade unidimensional que a contra-revolução erigiu. Atrapalhava muito, naquela terrível Era Médici, a tensão entre a liberdade que queríamos vivenciar em recinto fechado e o terror e o medo que grassavam lá fora. Vivíamos acuados, os cidadãos comuns nos olhavam com receio ou rancor por causa de nossas cabeleiras e roupas extravagantes. Enquanto isso, a economia deslanchava e alguns sentiam-se tentados a ir buscar também o seu quinhão do milagre brasileiro. Hoje, quem tem olhos para ver já pode aquilatar o que é a sociedade de consumo e a posição de país periférico na economia globalizada: parafraseando Conrad, “o horror, o horror!”. Acostumado aos tempos em que se trabalhava para viver, eu não consigo aceitar que atualmente as pessoas vivam para trabalhar, mobilizadas por objetivos profissionais umas 14 horas por dia (expediente, horas extras que dificilmente são pagas, cursos e mais cursos de atualização profissional, etc.). E tudo isso para quê? Para poderem comprar um monte de objetos supérfluos e quase nunca encontrarem relacionamentos gratificantes no dia-a-dia, pois já não sabem mais interagir –querem apenas usar umas às outras. Então, fico pensando que, em lugar de levarmos vida de cão dentro do sistema, poderíamos todos estar nos agrupando em casarões da cidade e sítios no campo, criando pequenos negócios para subsistência, plantando, levando uma vida simples mas solidária. Reaprendendo a ter no outro um irmão e não um competidor. Com as facilidades de comunicação atuais (que fizeram muita falta há quatro décadas), essas comunidades urbanas e rurais se entrelaçariam, ajudando umas às outras, trocando o que produzissem, prescindindo dos bancos, escapando dos impostos e das formas de controle do Estado. Em suma, praticando criativamente, adaptados aos dias de hoje, os ensinamentos de Thoreau em A Desobediência Civil. Seria um ponto de partida. E, conforme os territórios livres fossem crescendo, poderiam até virar algo mais sério –uma alternativa para toda a sociedade. COMO FAZER Nas comunidades de 1968/72, o que se fazia era reviver a velha democracia grega: reuniões para se decidir os assuntos mais importantes, para nos conhecermos melhor, para sonharmos e brincarmos. Podia começar num debate acirrado e terminar com todo mundo nu dançando ao som de “Let the sun shine in” (com inocência, pois não éramos dados ao sexo grupal). Enfim, tentávamos existir plenamente como grupo, esforçando-nos para superar o egoísmo e a possessividade. Havia problemas, claro. Emprestávamos ao outro o que ele estava precisando mais, numa boa; só que, às vezes, descobríamos na enésima hora que alguém tinha levado sem pedir aquilo que a gente ia usar. Dava discussão e os limites tinham de ser depois definidos na reunião coletiva da nossa comuna. Também não era fácil administrarmos o jogo das paixões. Minha amizade com um ótimo companheiro andou estremecida por uns tempos quando a namorada rompeu com ele e iniciou uma relação comigo. Por mais que quiséssemos nos colocar acima de sentimentos menores como o ciúme, eles existiam e nos machucavam. O importante, entretanto, era essa vontade que todos tínhamos de superar as limitações de nossa educação pequeno-burguesa e viver de forma generosa e solidária. Quando alguém tinha um problema, era de todos. Quando alguém estava triste, logo um companheiro ia perguntar o motivo. Tudo que podíamos fazer pelo outro, fazíamos. Onde erramos? Duas vaciladas fatais implodiram nossa comuna. Uma foi deixarmos a droga correr solta – LSD e maconha, principalmente, pois o propósito era abrirmos as portas da percepção, no dizer de Huxley. Isto, entretanto, trouxe à tona facetas da personalidade reprimida que o grupo não conseguia administrar. Acabaram ocorrendo conflitos, separações. A outra foi recebermos de braços abertos todos os pirados que apareciam, vendo um amigo em cada pessoa que parecesse estar fora do sistema. Como sempre, apareceram os aproveitadores, os parasitas, os pequenos marginais. E a polícia veio atrás. Mas, as experiências que vivenciamos foram tão intensas que aquele ano valeu por uns cinco. Foi com imenso pesar que vimos aqueles laços se romperem, sendo obrigados a voltar, cada um por si, à luta inglória pela sobrevivência. É uma tortura ser obrigado a correr de novo atrás do ouro de tolo, quando não se Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 400 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. tem mais aquela velha opinião formada sobre tudo… Com algumas correções de rumo e numa conjuntura menos repressiva, as comunidades ainda poderão ser viabilizadas. Há que se tentar outra vez. Mesmo porque, como disse o Raul, “basta ser sincero e desejar profundo/ você será capaz de sacudir o mundo”. O NOVO DESAFIO A tentativa de irmos engendrando uma alternativa ao sistema dentro do próprio sistema tem muito mais a ver agora do que no tempo do Raul, pois os homens precisarão unir-se para enfrentar a crise das alterações climáticas. Na segunda metade deste século, o planeta será fustigado por terremotos, maremotos, furacões, tufões, tsunamis, inundações, fome e seca. As perdas poderão ser diminuídas se os homens se ajudarem mutuamente, sem o egoísmo e a competitividade capitalistas; caso contrário, até mesmo o fim da espécie humana não estará descartado. O futuro da humanidade não pode ficar à mercê da ganância, sob pena de interesses mesquinhos acabarem destruindo o planeta. Os homens têm de encontrar formas de organizar-se para a produção em termos solidários, visando o bem comum e não o lucro. Cooperarem em vez de competirem. Mas, isso não pode ser imposto por uma burocracia. Chega de ditadura do proletariado, estatização compulsória da economia e outras experiências que tiveram maus resultados! É uma mudança de cultura que teremos de efetuar voluntariamente, se quisermos legar aos nossos descendentes algo além de uma Terra arrasada. Teremos de construir algo novo a partir da cooperação voluntária dos cidadãos. Mostrar que o bem comum deve prevalecer sobre os interesses individuais. Convencer os recalcitrantes ou mantê-los fora da nova sociedade que estivermos criando. Mas, fazer o possível e o impossível para evitar que ela também descambe para a coerção e a repressão. E não serão os podres poderes atuais que vão encabeçar essa luta. A união de que necessitamos deve ser forjada a partir de agora, como uma rede a ser montada pelas pessoas de boa cabeça, independentemente de governos e partidos políticos. Se o enfrentamento da maior ameaça com que os homens já se depararam não propiciar o surgimento de uma sociedade melhor, nada mais o fará. Celso Lungaretti é jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Naufrago da Utopia. Tem um ativo blog com esse mesmo título

[close]

p. 4

Opinião o cocô pros outros pisarem. É só uma brincadeira minha. Voltando ao passeador que ganha relativamente bem para realizar um trabalhinho leve e de pouca duração, ouvi pessoas que torcem o nariz para isso comparando, por exemplo, com trabalhadores braçais que, para ganhar um salário mínimo por mês, têm que ralar no serviço duro quarenta horas ou mais por semana. Eu não tenho nada contra o passeador de cachorros. Se tem quem pague, sorte dele. Pode parecer estranho mas é um tipo de profissional cada vez mais procurado. Sinal dos tempos, diriam umas pessoas que acham que estamos perto do fim do mundo. Na região em que moro há muitas ruas arborizadas e sempre que caminho por elas, há anos, vejo passeadores de cachorro. Ficava imaginando quanto ganhavam por isso. Agora já tenho ideia. Vejo também muitas empregadas domésticas, inclusive diaristas, que têm entre suas funções passear com o cachorro da patroa. Já ouvi conversas de duas delas no ônibus, uma achando que era uma chatice e outra dizendo que achava bom chegar para trabalhar e um cachorro vir ao seu encontro todo alegre, balançando o rabo, sabendo que iria pôr a cara na rua por cerca de uma hora. Mas volto novamente ao passeador profissional. Na mesa de boteco ao lado da que eu estava um dia desses, um homem citava a tal matéria e dizia que a mulher dele era professora do ensino básico e ganhava menos do que o passeador de cachorros, tendo uma carga horária muito maior. IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 4 Editorial O ano se foi e com ele muitos projetos e planos foram realizados, muitos estão ainda em andamento e alguns não tiveram início, mas estão ainda na pauta de realizações e, certamente, serão inseridos na relação 2015 de projetos e planos para uma vida melhor e prazerosa. O ano em iminência é de numerologia 8, que significa praticidade, onde não se perde tempo e se resolve tudo rapidamente. Porém, não é uma praticidade impensada, o oito traz a ponderação antes da tomada de decisão, mas com objetividade. As coisas devem estar claramente definidas e isso implica em rigidez, às vezes. O oito também trará ao ano as energias da mudança, das estações, da energia cíclica, do infinito. Em suma, 2015 será um ano de equilíbrio e consistência. Bem vindo seja este ano que se anuncia e já traz tantas boas novas em sua energia numérica. Toda essa energia influenciará as ações e comportamento de todos durante o ano. Fiquemos felizes pois os desejos e planos do ano que finda, e que serão acrescidos à lista de 2015, têm tudo para serem concretizados juntamento com o novos anseios para o ano novo. Com isso o jornal Imprensa Sindical, deseja a todos muito sucesso, prosperidade, paz, amor e harmonia. Colha o ano do infinito. Viva 2015! mesma empresa dona dos cães de Sinal dos tempos, mesmo, guarda. E para ser vigilante des- concordo. Mas, repito, não é de se tipo era preciso também uma hoje. boa preparação, ser um misto de adestrador e guarda. Ofereciam Mouzar Benedito é jornalista, nasceu à empresa “pares” formados por em Nova Resende (MG) em 1946, o um homem e um cão policial. quinto entre dez filhos de um barbeiro. Quem requisitava esse tipo de Trabalhou em vários jornais alternativos vigilância executada pela “dupla” (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil homem e cachorro pagava pelo Mulher). Estudou Geografia na USP e “conjunto”. Mas tinha um detaJornalismo na Cásper Líbero, em São lhe: o “preço” mensal pago por Paulo. É autor de muitos livros, dentre os vigilante era metade do que se quais, publicados pela Boitempo, Ousar pagava pelo cachorro que o acomLutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia panhava. sanitária (1996) e Meneghetti – O gato Quer dizer: um cachorro gados telhados (2010, Coleção Pauliceia). nhava o dobro do vigilante resColabora com o Blog da Boitempo quinponsável por ele. Valia o dobro do zenalmente, às terças homem! Uma profissão cada vez melhor E falava uma coisa que eu concordava: para ser professor é preciso estudar muito e a responsabilidade desse profissional é muito grande. Sem contar as barras que enfrentam no ensino público, com moleques que ameaçam professores e chegam até a bater neles. Professor do ensino básico tornou-se uma profissão de muito risco, especialmente na rede pública. Já para ser passeador, argumentava o sujeito, não é preciso estudar nada, basta levar jeito. Por sinal, segundo ele, alguns acabaram fazendo esse trabalho porque estavam desempregados e não conseguiam emprego para fazer o que sabiam, principalmente um pessoal mais velho, para quem o mercado de trabalho vai se fechando. Agora ganham mais e trabalham muito menos. O certo é que as madames querem ter animais de estimação mas não têm tempo pra eles. Podem ter tempo, mas não disposição para satisfazer algumas necessidades do bicho. Até o afeto é terceirizado hoje em dia. Além de tudo, há uma progressiva supervalorização dos cachorros. E isso não é de hoje. Seja como animal de estimação ou de trabalho. Na década de 1980, um executivo de uma indústria multinacional me contou que um prédio da empresa tinha que ficar sob vigilância à noite, e contrataram vigilantes de uma empresa de segurança. Essa empresa tinha cães adestrados, capazes de entender e acatar ordens dos vigilantes que andavam com eles. Eram vigilantes treinados e contratados pela por Mouzar Benedito Ouvi comentários sobre uma matéria de jornal que eu não li, mas achei interessante o que me contaram. Ela se referia à profissão de passeadores de cachorros, que cobram meio salário mínimo por mês para passear com um cachorro duas vezes por semana, meia hora cada vez. Então, o passeador dedica a cada cachorro uma hora por semana. O passeador entrevistado tem oito clientes. De cada um cobra a mesma coisa: meio salário mínimo para passear com o cachorro duas vezes por semana, meia hora cada vez. Quer dizer, somando tudo, ele ganha quatro salários mínimos por mês, por uma carga de trabalho invejável: no total, oito horas por semana. Moleza! E o serviço é só passear com animais. Bem, alguns catam o cocô dos cachorros e jogam no lixo. Muito civilizado. Errado é quem não faz isso. Aliás, donos e donas de cachorros que frequentam a praça em frente à minha casa levando bichos de estimação (falam “pet” agora –a gringofilia chegou ao linguajar relativo a cães e gatos) catam o cocô deles para jogar no lixo. Há desde mocinhas delicadas até homens com cara de doutores, executivos ou empresários, além de alguns aposentados. Um dia desses tive um pensamento irônico, para não dizer perverso: o sujeito estudou, estudou, estudou… e virou catador de merda de cachorro. Repito: quem tem cachorro tem que fazer isso mesmo, errado seria deixar Tempo de consciência por Selvino Heck Fortaleza, Ceará, chego perto da meia da noite no Centro de Formação, Capacitação e Pesquisa Frei Humberto, ligado ao MST. Foi-me reservado um quarto com quatro beliches e oito camas. Não acendo a luz para que os companheiros que já estão dormindo não se acordem. Um pequeno ventilador tenta amenizar o calor nordestino de novembro. Felizmente, nenhum dos companheiros de quarto ronca. O banheiro não tem espelho, para que meu eterno franciscanismo não se perca na vaidade. Nada de regalias, privilégios, mordomias para um Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Ou, talvez, oportunidade para dar-me conta de que este é um tempo de consciência. É o Encontro Macro Nordeste da RECID (Rede de Educação Cidadã), com o tema: Sonhos, Lutas e Avanços da Educação popular no Nordeste – Trilhando os Caminhos do Projeto popular. Hora de fazer um balanço dos últimos quatro anos: um governo termina, outro governo começa. Analisar o presente, pensar o futuro. A RECID, como a gente diz, tem um pé no governo, outro pé na sociedade. Os quase cinquenta educadores e educadoras populares estão radiantes. Estão com a alma lavada, ou como pinto no barro, criança na chuva. O clima é de alto astral. No final do segundo turno das eleições presidenciais, os movimentos sociais do semiárido brasileiro reuniram dezenas de milhares de pessoas em evento eleitoral. O povo saiu de suas casas, hoje com cisternas, viajou longe para Juazeiro da Bahia e Petrolina, PE, encheu a ponte que separa/ une as duas cidades, para dizer que a vida está melhor, há mais dignidade, há futuro, há consciência de que está em construção uma sociedade mais justa e igual. Mas sabem também, os movimentos sociais e os educadoras/es, que este é apenas o começo de uma grande caminhada. Em agosto, no final do 5º Diálogo Brasil Sem Miséria, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e Secretaria Geral da Presidência da República, que reúne convi- dados da sociedade e do governo, depois de apresentados os avanços e resultados do Programa e ouvidas por mais de hora as considerações dos movimentos sociais e representantes de instituições presentes, a ministra Teresa Campelo disse uma frase lapidar: “Chegou o tempo da consciência.” Nos últimos anos, diminuíram a extrema pobreza e a desigualdade. Melhorou a vida do povo, que tem acesso a bens fundamentais, como geladeira, fogão, aparelho de televisão, casa. Os programas sociais e agrícolas beneficiam milhões. Há mais renda e emprego. Há mais acesso à escola e à Universidade. As cisternas estão sendo construídas no semiárido: na última grande seca nenhuma criança morreu por desnutrição na região, o que é um extraordinário avanço. Isso não significa, porém, que todos os problemas estejam resolvidos, que os serviços públicos sejam todos de primeiro mundo. E não significa, necessária e automaticamente, cidadãos conscientes de seus direitos, capazes de viver mais e melhor em comunidade e tra- balhar solidariamente. Às vezes, tornaram-se apenas e tão somente consumidores, que pensam apenas em si e no seu bem-estar pessoal, deixando de olhar para as necessidades do vizinho, do colega de trabalho, do membro de sua comunidade. Com mais individualismo e com o consumismo, mais violência e criminalidade. Neste contexto, o X Encontro Nacional da Rede MOVA-Brasil (Movimento de Alfabetização), realizado em Porto Alegre no início de novembro, reafirmou a perspectiva libertadora, humanizadora, transformadora e dialógica da educação popular e da alfabetização de jovens e adultos, articulada com uma política nacional de educação popular. E na Carta de Porto Alegre, o MOVA-Brasil reafirmou a concepção emancipatória, fortalecendo os princípios freireanos e a dimensão eco-político-cultural nos sistemas de educação: assegurar a formação pedagógica a partir dos princípios da educação popular, fazendo a relação teoria-prática, dialogando com os movimentos sociais populares; entender, conviver e respeitar a diversidade como práticas educativas com comunidades tradicionais, índios, quilombolas, ciganos, terreiros, pescadores, geracional, LGBT, pessoas com deficiência, privados de liberdade e trabalhadores/as do sexto; trazer a identidade local para dentro da formação, valorizando os saberes dos alfabetizadores e dos alfabetizandos para o processo formativo. Chegou o tempo da consciência. As mobilizações sociais acontecidas nos último período, o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e a Lei de Iniciativa Popular para a Reforma Política, o recado dado nas urnas apresentam a oportunidade do amadurecimento social, político, cultural da sociedade, da democracia e do povo brasileiro. Em vinte um de novembro de dois mil e catorze. Selvino Heck é assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política e Secretário Executivo da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO)

[close]

p. 5

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 5

[close]

p. 6

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 6 Sinduscon-SP Desempenho das construtoras deve ficar estável em 2015; previsão é de declínio no emprego JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO Os indicadores mostram que a produção nacional de materiais de construção sofrerá queda superior a 5% neste ano. Com base no dado, o PIB da construção para 2014 calculado pelo IBGE deverá ser anunciado com aquele resultado preliminar negativo. Entretanto, o desempenho das construtoras em 2014 foi positivo, mesmo na atual desaceleração da economia. Assim, o SindusCon-SP (Sindicato da Construção) e a FGV estimam que a construção brasileira deverá fechar o ano com ligeiro crescimento, entre 0% e 0,5%. Com a supressão de 38 mil vagas em outubro, a previsão é de que em 2014 o setor apresente queda de 0,3% no nível de emprego. No segmento imobiliário, o declínio deverá ser maior, de 1,5%. Ao final do outubro, a construção brasileira empregava 3,489 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o setor empregava 3,569 milhões, havia queda de 2,23%. Entre janeiro e outubro de 2014, o índice ainda apresentava alta de 0,15%, com a criação de 5,1 mil vagas. No mês, todas as cinco regiões do país apresentaram resultado negativo. No Estado de São Paulo, o indicador do emprego na construção apresentou queda de 0,84% em outubro ante o mês anterior, com o saldo entre demissões e contratações ficando negativo em 7,2 mil trabalhadores. Com o resultado, o número de empregados na construção civil no Estado ao final de outubro somava 857,2 mil pessoas com carteira assinada. As dez regiões pesquisadas apresentaram queda no período. Entre janeiro e outubro, o indicador registrou queda de 0,19%, com o corte de 1,6 mil vagas. Na comparação com outubro de 2013, quando o Estado registrava 878,6 mil trabalhadores, o levantamento apresentou baixa de 2,43%. Para 2015, a construção deverá manter o nível de atividade atual, sem crescimento. Os condicionantes positivos para o desempenho do setor na política econômica em 2015 serão contrabalançados por outros fatores. De um lado, o governo se esforça por recuperar a confiança dos investidores, buscando ajustar as contas públicas e conter a inflação, prosseguindo as obras de ampliação da infraestrutura e contratando no primeiro semestre mais 350 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida. Uma vez que mais de 40% dos investimentos no país acabam passando pelas mãos da construção, esses fatores são positivos. Embora a Operação Lava Jato deva atrasar a atividade no segmento de petróleo e gás, obras de outros segmentos como ampliação e reforma de estradas e aeroportos, contratadas em 2012 e 2013, deverão ser executadas. Hoje o Brasil conta com um grande número de construtoras habilitadas a atender a demanda por novas concessões e obras de todos os portes. De outro lado, o mercado imobiliário prosseguirá em fase de ajuste, a renda e o consumo das famílias tenderão a crescer menos e as contratações de obras relacionadas a novos investimentos deverão ocorrer com mais intensidade somente a partir do segundo semestre. Daí a estimativa para 2015 de crescimento zero no valor agregado das construtoras e queda de 2% no emprego do setor, contrabalançada por aumento da produtividade. A Sondagem Nacional da Construção, realizada por SindusCon-SP e FGV na primeira quinzena de novembro, apontou que os empresários do setor seguem pessimistas quanto ao desempenho de suas empresas. Mas indagados sobre suas expectativas em relação à possibilidade de crescimento no médio e longo prazos, mostraram-se otimistas. Em relação à evolução do Programa Minha Casa, Minha Vida e aos estímulos do governo, o otimismo aumentou na comparação com o que esperavam no ano passado para este ano. Sem a pressão exagerada da demanda como ocorria anos atrás, as empresas da construção estão prontas para 2015 e torcem para que, restabelecida a confiança, o crescimento seja retomado a partir de 2016. JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), membro dos Conselhos da Fiabci-Brasil (Federação Internacional das Profissões Imobiliárias, seção Brasil) e da Adit Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico, seção Brasil)

[close]

p. 7

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 7 Senador Aécio Neves Em ato político, em São Paulo, Aécio Neves diz ‘vamos manter viva’ a voz das ruas laridades, mas também patriótica”, afirmou Aécio, acrescentando: “Se alguns poderiam achar que a derrota eleitoral abateria o meu ânimo, eu me sinto hoje mais determinado, com maior disposição, para exercer o papel que nos foi delegada pela sociedade brasileira.” Aécio relembrou, no entanto, que a campanha presidencial também registrou momentos desagradáveis, como as infâmias produzidas pelos adversários contra ele, caracterizando um verdadeiro terrorismo político. “Foi a campanha da infâmia e das mentiras em benefício de um projeto de governo. A história registrará que utilizaram o terrorismo”, disse. nando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o presidente do PSDB em São Paulo, o deputado federal Duarte Nogueira, presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), o deputado eleito Bruno Covas (SP), o ex-governador Alberto Goldman, e o deputado José Aníbal, entre outros. Candidato a vice na chapa de Aécio, Aloysio Nunes destacou que, na campanha eleitoral, houve o grito de liberdade evocado por 51 milhões de brasileiros que votaram em favor da candidatura Muda Brasil. O lema, reiterou ele, é fazer a oposição: “Nós não daremos trégua em nenhum momento”. Em viagem ao exterior, o senador eleito José Serra (PSDB-SP) enviou uma mensagem por escrito para os participantes do ato político. “O resultado das eleições em São Paulo [onde Aécio conquistou dos 64% votos] atesta: PT aqui, não”, disse Serra, na mensagem, sendo aplaudido pelos presidentes. “O novo país é possível”, acrescentou. Duarte Nogueira afirmou ainda que o exemplo do que ocorreu em São Paulo, em que Alckmin venceu no primeiro turno e Aécio obteve maioria dos votos, é o da “boa política” executada com transparência e competência. No primeiro ato político, depois das eleições, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, e lideranças partidárias conclamaram, dia 14 de novembro, em São Paulo, os brasileiros para que mantenham a garra e a luta em favor de mudanças. O ato reuniu mais de 700 pessoas e vários integrantes da oposição. Aécio lembrou que, nesta campanha, uma das marcas foi o apelos das ruas pelo fim da corrupção. “Os brasileiros foram às ruas para dizer que ‘basta de tanta corrupção’ e de ‘tanto descaso’. O Brasil acordou nessas eleições. Esse é o nosso desafio: de manter viva essa chama. Eu caminho pelas ruas do Brasil inteiro, e o sentimento que eu tenho é de vitória. Pela primeira vez, aqueles que venceram essas eleições, enfrentarão uma oposição conectada com os sentimentos das ruas e dos brasileiros”, afirmou ele. Aécio e os tucanos ressaltaram que o PSDB fará uma oposição ética, atenParticipação ta e vigorosa. “O PT verá uma opoParticiparam do ato posição vigorosa e corajosa lítico o ex-presidente Ferpara denunciar as irregu-

[close]

p. 8

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 8 Secovi-SP Burocracia paralisa o desenvolvimento do Brasil Nesta entrevista ao jornal Imprensa Sindical, o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, fala de um dos maiores problemas do setor imobiliário: a burocracia. Confira... Imprensa Sindical Qual o maior entrave para o setor imobiliário? Claudio Bernardes - Sem dúvida a burocracia. Conforme uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) deste ano, uma licença ambiental tem 30 mil normas, o que faz com que a licença demore aproximadamente 28 meses para ser emitida. IS - Essa demora ajuda algum setor? Claudio - Não. Essa burocracia imensa não beneficia e nem ajuda a preservação do meio ambiente. Quanto ao desenvolvimento do País, só ajuda a paralisar. IS - Como essa burocracia interfere no setor? Claudio - Para se ter uma ideia, o peso da burocracia no setor imobiliário pode chegar a 12% no custo do imóvel. IS - O governo federal já tomou alguma medida para diminuir essa burocracia? Claudio - O atual ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, eliminou as atuais dificuldades para abrir ou fechar uma empresa com a criação da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). IS - Ela já está em funcionamento? Claudio - A Rede começou a vigorar em novembro deste ano e consiste em um sistema integrado que permite abrir, fechar, alterar e legalizar empresas em todas as Juntas Comerciais do Brasil, simplificando procedimentos e reduzindo a burocracia ao mínimo necessário. IS - Quem é responsável por esta Rede? Claudio - A Redesim é administrada por um Comitê Gestor, presidido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges Lemos. Dela participam órgãos e entidades do governo federal, estadual e municipal, responsáveis pelo processo de registro e lega- Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP lização das empresas, sociedades empresá- rias e é composto por grandes empresas. Essas companhias sociedades simples. IS - O Simples Nacional são poucas. A maioria das atende de alguma maneira empresas do setor imobiliário nacional é de pequeo setor imobiliário? Claudio - Muitos imagi- no ou médio porte. Assim, nam que o setor imobiliário tudo o que colabore para intensificar suas atividades é da maior relevância. Graças à aprovação da nova lei do Simples Nacional, e já a partir de 1º janeiro de 2015, aproximadamente 450 mil empresas enfrentarão menos burocracia em seus negócios. O Supersimples unifica oito impostos em um único, e proporciona um sistema de tributação diferenciado para as micro e pequenas empresas, além de permitir o ingresso de 142 atividades da área de serviços nesse sistema. IS - Qual tipo de serviço? Claudio - A corretagem de imóveis é uma delas. A inclusão dos corretores de imóveis no novo regime possibilitará que mais profissionais se formalizem, o que é bom para o conjunto do mercado.

[close]

p. 9

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 9 Economia Inadimplência das empresas tem alta em outubro As empresas que deixaram de honrar suas dívidas em outubro cresceram 4,4% em comparação com setembro, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas. Quando comparado com outubro do ano passado o percentual é o mesmo. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o indicador teve alta de 7,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os principais responsáveis pela alta do indicador em outubro foram os cheques devolvidos, com variação de 22,9%. Os títulos protestados tiveram crescimento de 3,3%, a inadimplência com os bancos também teve alta de 1,4%. Já as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água) caíram 0,1%. O valor médio dos títulos protestados teve alta de 11,9% no acumulado de janeiro a outubro de 2014, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O valor médio das dívidas não bancárias também cresceu 6,7%. O valor dos cheques devolvidos e inadimplência com os bancos registrou queda de 5,1% e 5,8%, respectivamente. De acordo com os economistas da Serasa Experian, a alta da inadimplência das empresas em outubro, tanto em relação a setembro quanto a outubro do ano passado é resultado dos impactos adversos da estagnação econômica e do custo do crédito em ascensão sobre a saúde financeira das empresas. “Pois, se por um lado, o enfraquecimento da atividade econômica prejudica a geração e caixa das empresas, por outro, o encarecimento do custo do crédito aumenta as suas despesas financeiras”. Índice de Confiança da Construção aumenta 1% em novembro O Índice de Confiança da Construção (ICST) aumentou 1% em novembro ante recuo de 4% em outubro ao passar de 96,9 para 97,9 pontos, segundo a sondagem feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Apesar da melhora, o resultado é o segundo pior da série histórica. “A melhora da confiança em novembro não permite ainda vislumbrar mudanças significativas no cenário do setor. O indicador de expectativas com a demanda para os próximos três meses atingiu o patamar mais baixo da série. A previsão de contratação continuou a evoluir negativamente, o que significa que as demissões podem ser mais fortes neste final de ano” observou, em nota, a economista Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção da Ibre-FGV. A pontuação em novembro cresceu mais em razão do maior otimismo dos empresários em relação aos negócios do momento. O Índice da Situação Atual (ISA-CST), evoluiu de -6,5%, em outubro, para 2,3%, em novembro, alcançando 90,4 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST), permaneceu estável em 105,4 pontos. No quesito que avalia como o empresário vê a chance de bons negócios para os próximos três meses foi registrada queda de 3,2%, em relação ao mês de outubro, com 99,4 pontos. No entanto, quando sondados sobre a expectativa para os próximos seis meses, os empresários manifestaram mais otimismo com elevação do índice em 3%, alcançando 111,3 pontos. Também estão mais confiantes os empresários do setor de edificações com taxa de 1,8% seguida de duas quedas consecutivas. Os dados foram coletados em 687 empresas , no período entre os dias 3 e 21 de novembro. Confiança da indústria sobe 3,6% em novembro, mas recuperação é incerta O Índice de Confiança da Indústria (ICI) brasileira subiu 3,6% em novembro sobre outubro, segundo resultado positivo do ano devido à melhora da percepção dos negócios, mas ainda insuficiente para mostrar que está havendo recuperação mais consistente. O indicador subiu a 85,6 pontos em novembro, maior patamar desde junho passado, ante 82,6 pontos em outubro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) dia 26 de novembro. “Os resultados de novembro confirmam alguma melhora do ambiente de negócios no quarto trimestre de 2014, depois de três trimestres de deterioração. A acomodação do índice de expectativas, no entanto, lança dúvidas quanto à continuidade desta recuperação”, afirmou o superintendente-adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr. O responsável pelo resultado de novembro do ICI foi o Índice da Situação Atual (ISA), que avançou 8,3% em novembro, a 85,9 pontos, interrompendo seis quedas seguidas. O destaque ficou para a parcela das empresas que veem a situação atual como boa, que aumentou a 12,8%, sobre 7,8%, enquanto a fatia que a avalia como fraca caiu a 29,2%, ante de 33,4%. Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,6% no período, para 85,4 pontos, depois de avançar 4,9% em outubro. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada subiu a 82,7% em novembro, frente a 82% no mês anterior. A indústria tem mostrando dificuldade para mostrar recuperação mais consistente neste ano. A produção industrial brasileira recuou 0,2% em setembro, último dado disponibilizado pelo IBGE, interrompendo dois meses seguidos de expansão em meio ao cenário de atividade econômica fraca. Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras mostra que a expectativa é de que a indústria vai encolher 2,30% neste ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas 0,20%. Dilma sanciona lei que altera correção da dívida de Estados e municípios Medida, que foi aprovada no Senado, reduzirá os encargos pagos à União Por Luana Lourenço - da Agência Brasil A presidenta Dilma Rousseff sancionou, com dois vetos, a lei que altera o indexador da dívida dos Estados e municípios, o que reduzirá os encargos pagos à União. A lei foi aprovada no começo de novembro pelo Senado e era uma reivindicação antiga de governadores e prefeitos. A sanção foi publicada na edição de 26 de novembro do Diário Oficial da União. Com a nova lei, as dívidas deixarão de ser corrigidas pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna – mais juros de 6% a 9% ao ano e passa- rão a ser calculadas com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo mais 4% de juros ao ano ou pela taxa básica de juros, a Selic, o que for menor. A lei garante a aplicação da correção retroativa com os novos índices para dívidas contraídas antes de 1° de janeiro de 2013. Dilma vetou dois trechos do texto aprovado pelo Senado. Um deles foi o Artigo 1º, que alterava as regras para concessão de benefícios e incentivos tributários. Segunda Dilma, as mudanças da Lei de Responsabilidade Fiscal propostas neste artigo foram sugeridas pelo Executivo “em momento de expansão da arrecadação” e a derrubada agora “justifica-se pela alteração da conjuntura econômica”, segundo o texto que explica o veto. O outro trecho vetado foi o 4º parágrafo do Artigo 2°, que determinava que os encargos para os títulos federais ficariam limitados à taxa Selic. Na justificativa para esse veto, Dilma argumentou que a medida “levaria ao tratamento não isonômico entre entes”, porque, segundo ela, a maioria dos devedores já pagou a dívida no prazo inicial. “Além disso, a União não é a única credora do refinanciamento objeto da referida lei”.

[close]

p. 10

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 10 Estudo mostra redução das desigualdades entre as regiões metropolitanas Os indicadores socioeconômicos das 16 regiões melhoraram entre 2000 e 2010 por Ana Cristina Campos e Sabrina Craide - da Agência Brasil Social ões metropolitanas analisadas diminuíram e todas se encontram na faixa de alto desenvolvimento humano. A análise leva em conta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). As regiões metropolitanas que apresentaram os maiores valores para o IDHM em 2010 foram São Paulo (0,794), Distrito Federal e Entorno (0,792), Curitiba (0,783), Belo Horizonte (0,774) e Vitória (0,772), todas com índices mais altos que os apresentados em 2000. As regiões metropolitanas de mais baixo IDHM, em 2010, eram Manaus (0,720), Belém (0,729), Fortaleza (0,732), Natal (0,732) e Recife (0,734). Essas regiões, na mesma ordem, eram as de menor Os indicadores socioeconômicos das regiões metropolitanas brasileiras melhoraram entre 2000 e 2010 e mostram redução das disparidades entre metrópoles do Norte e do Sul do país. Os dados constam do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado dia 25 de novembro, fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. De acordo com o atlas, entre 2000 e 2010, as disparidades entre as 16 regi- IDHM, em 2000. Entretanto, todas melhoraram. Em 2000, apenas São Paulo tinha índice de desenvolvimento humano alto. Manaus tinha baixo e as outras regiões, médio. Em 2010, todas passaram a ter IDHM alto. Em 2010, a diferença registrada entre a região metropolitana com o maior e o menor IDHM foi 0,074 pontos ou 10,3%. Enquanto São Paulo ficou com índice 0,794, Manaus estava com IDHM 0,720. Dez anos antes, essa diferença era 22,1%. O IDHM é um número que varia entre 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um Estado, município ou região metropolitana. O índice é calculado levando em conta três fatores: expectativa de vida, renda per capita e acesso ao conhecimento, que considera a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem. Os dados do atlas são calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2000 e 2010, as regiões metropolitanas que apresentavam um IDHM menor tiveram avanço maior e as que tinham índices maiores cresceram menos. Isso fez com que as diferenças entre as regiões metropolitanas diminuíssem, resultando em maior equilíbrio entre as 16 regiões pesquisadas (Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal e Entorno, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória). Essas 16 regiões correspondem a quase 50% da população brasileira. No período analisado, as regiões metropolitanas que tiveram o maior avanço no IDHM, em termos relativos, foram Manaus, Fortaleza, São Luís, Belém e Natal. As que tiveram menor avanço foram as de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória. Para o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, gestores públicos e população devem usar os dados do atlas não apenas para constatar as disparidades, mas também para direcionar e reivindicar políticas pública inclusivas e eficientes para as áreas mais carentes. “Para além de evidenciar o fato de que o país ainda tem um caminho a percorrer na redução das desigualdades em suas cidades, a intenção do atlas é justamente ajudar no estabelecimento de políticas inclusivas que tenham como fim a melhoria das condições de vida das pessoas”, disse. Além das regiões metropolitanas, foram pesquisadas 9.825 unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), conceito próximo ao de bairros. Nessas UDHs, “é possível notar níveis significativos de desigualdades intrametropolitana”, aponta o atlas. Qual é o tamanho da violência no Brasil? por Miguel Martins Uma das metas da ONU a partir de 2015 deve ser a redução da criminalidade, o que representa um grande desafio para o País O Brasil antecipou em sete anos o compromisso firmado em 2000 com as Nações Unidas de reduzir a extrema pobreza e a fome a um quarto do índice de 1990. O prazo terminava em 2015, mas a meta foi cumprida em 2008. Uma nova rodada de recomendações da ONU pode atingir diretamente uma das principais mazelas brasileiras. Entre as metas a serem cumpridas a partir do próximo ano, debate-se a inclusão da redução da violência mundial. A julgar pelos últimos dados coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o País tem um enorme desafio pela frente. Em 2013, houve aumento de 1,1% no número de mortes, violentas em comparação com o ano anterior. Entre 2007 e 2010, a taxa de óbitos por homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte e latrocínio reduziu-se por três anos consecutivos. A partir de 2011, o índice voltou a subir: passou de pouco mais de 48 mil registros para 53,6 mil no ano passado, segundo o oitavo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado dia 11 de novembro. Não é possível afirmar que houve um aumento dos crimes violentos no Brasil. Talvez se trate apenas de uma melhor apuração dos indicadores. Em 2012, o Congresso aprovou a criação do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública com o objetivo de centralizar a coleta dos dados fornecidos pelas secretarias estaduais. Uma das medidas foi determinar punições às unidades da federação lenientes no abastecimento do sistema: a omissão pode resultar na suspensão das verbas federais para a pasta. Em 2011, houve crescimento súbito de mais de 5 mil mortes violentas no País. Apesar das distorções dos dados, a polícia brasileira tem boa parcela de responsabilidade sobre o resultado negativo. Agentes de segurança mataram 11,1 mil cidadãos entre 2009 e 2013, mais do que a polícia dos Estados Unidos em 30 anos. A qualificação da base de dados é o primeiro passo para estabelecer políticas públicas adequadas, avalia o professor da FGV Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Fórum. Sob esse aspecto, São Paulo merece elogios por sua busca precoce na transparência das informações de segurança pública. Em 1995, o então deputado estadual Elói Pietá, do PT, relator da CPI do Crime Organizado, propôs a divulgação trimestral de dados de violência estaduais, entre eles o número de civis mortos por policiais e vice-versa. O projeto foi incorporado pelo governador tucano Mario Covas. “A lei revolucionou a área”, comenta Lima. “Naquele momento, PT e PSDB uniram-se em torno de um projeto maior.” A importância do acordo político reflete-se no ritmo de queda dos indicadores de violência no Estado. Conforme o anuário, São Paulo registrou no ano passado a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre as unidades da federação: 10,8. Foi um bom resultado diante da alta do indicador em 2012, engordado pelas disputas e os acertos de contas entre a polícia paulista e o Primeiro Comando da Capital, principal organização criminosa do País. Os conflitos no estado nos dois últimos anos levaram o número de policias mortos fora do horário de serviço no País a saltar de 191, em 2012, para 369, no ano passado. Na outra ponta, o número de brasileiros mortos por agentes de segurança fora de seu expediente subiu de 310 para 401. Mais da metade dessas mortes foram provocadas pela polícia paulista. A queda na letalidade policial no Brasil, ante uma alta no número de agentes de segurança mortos, pode ser explicada pela subnotificação. Apenas sete Estados divulgam as mortes provocadas por policiais civis. Em relação aos óbitos praticados pela PM, são 13 Estados. A consolidação de uma base de dados mais confiável produz distorções que impedem afirmações conclusivas sobre certas regiões. A impressionante alta de 92,3% na taxa de homicídios no Rio Grande do Norte em 2013 não permite afirmar se houve um massivo aumento da violência ou uma melhora na coleta das informações. O Estado faz parte do chamado “Grupo 2” do anuário, acompanhado de Amapá, Piauí, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. Os dados de segurança pública nessas localidades são considerados menos confiáveis. As informações disponibilizadas no Sinesp não apresentam conformidade com aquelas das respectivas secretarias estaduais ou com o Datasus, que contabiliza os óbitos a partir das internações hospitalares. Um dado aparentemente positivo, a redução de 329 para 246 registros de estupros no Rio Grande do Norte, carece de confiabilidade. Há apenas duas delegacias da mulher em Natal, com funcionamento apenas de segunda a sexta-feira, nas quais metade das equipes é formada por homens, fatores que inibem o registro pelas vítimas e sugerem subnotificação. No País, o número de estupros sofreu leve oscilação de 50,2 mil para 50,3 mil. O Fórum estima, porém, que apenas 35% das vítimas relatam os episódios às autoridades. Enquanto a ONU não estabelece diretrizes para a redução da violência, o Fórum propõe uma meta: reduzir os homicídios em 65,5% até 2030. Para tanto, políticas públicas eficientes devem ser disseminadas, diz Lima. O vice-presidente do Fórum cita São Paulo, Pernambuco e Rio de janeiro. “O ponto em comum entre esses Estados foi a prioridade assumida pelos governadores, ao fazer com que as pastas tivessem não só recursos, mas secretários de prestígio e com poder de decisão”, comenta. “A vontade política, aliada ao tripé formado pelo uso intensivo de informações, aperfeiçoamento das investigações e participação comunitária, leva à queda da criminalidade.” Um aumento na participação da União na condução da segurança pública, proposta ventilada por Dilma Rousseff na campanha eleitoral, é bem-vista pelo especialista.

[close]

p. 11

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 11 Patriani Bruno Patriani: a inovação da construção civil no ABC Bruno Patriani, Diretor da Incorporadora Patriani, tem como referência o exemplo do seu pai no mundo dos negócios. Filho de Valter Patriani –um dos nomes mais conhecidos no mercado de turismo por sua atuação na presidência da CVC–, o jovem de 24 anos vem surpreendendo por sua atuação arrojada no mercado imobiliário à frente da empresa. Além de participar do desenvolvimento de todos os projetos e atender pessoalmente os clientes no plantão de vendas, o empresário faz questão de acompanhar a comercialização e construção dos empreendimentos até a entrega das chaves. “Os pilares da Patriani são preço, produto, qualidade e inovação. Fazer o básico todo mundo faz, nosso desafio é oferecer sempre algo diferente e, para isso, realizamos estudos e pesquisas sobre novas tendências de arquitetura, decoração, sustentabilidade e diferenciais do acabamento para sempre oferecer algo novo para nossos clientes”, justifica. Todo esse cuidado está gerando resultados expressivos para a empresa que vem contrariando o movimento do mercado de imóveis que registrou queda de 48,8% nas vendas acumuladas de janeiro a agosto de 2014 em relação ao mesmo período de 2013, segundo o Secovi-SP. Apesar dessa retração, a Patriani teve 100% dos seus lançamentos deste ano vendidos, batendo recordes de vendas com alguns empreendimentos comercializados em menos de 24 horas como o Wellness Patriani, em São Caetano do Sul, que teve suas 44 unidades comercializadas em menos de dois dias. Desde que foi fundada, em 2012, a Patriani já lançou nove residenciais e, por apostar em um novo modelo de incorporação, foi responsável por um terço dos lançamentos no ABC no primeiro trimestre deste ano, conforme pesquisa da ACIGABC (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC). Segundo Patriani, esse resultado é reflexo de uma política de trabalho baseada na ousadia e no desenvolvimento de produtos adequados ao perfil da região e que atendem as necessidades de quem procura um imóvel para morar ou investir. Para o executivo é fundamental buscar novas tendências e realizar pesquisas para oferecer produtos exclusivos com itens que irão impactar o cliente e garantir o sucesso do empreendimento. “Nós sempre apostamos em projetos com características que definem um Patriani, como, por exemplo, o fato dos nossos empreendimentos estarem bem localizados, terem torre única, possuírem plantas flexíveis, oferecerem diversas opções de lazer e acabamento de alto padrão, sempre priorizando a qualidade, o conforto e o bem estar dos moradores”, explica o executivo. Outro diferencial da empresa é o atendimento. Segundo Henrique Sotere, Gerente de Incorporação e Marketing, é preciso conhecer o cliente e estar ao seu lado, desde o momento da compra até o pós-venda, oferecendo suporte e atenção necessários para garantir sua satisfação. “Temos um programa de upgrade, onde o cliente pode transferir os valores pagos até o momento para aquisição de outro Pa- triani com valor e metragem superiores. É a nossa forma de mostrar que confiamos na qualidade dos nossos produtos”, justifica. Para comercializar seus empreendimentos, a empresa firmou parcerias com a Viana Negócios Imobiliários, Brasil Brokers e Fernan- dez Mera, três imobiliárias de grande porte que atuam no ABC e também no interior do estado. “Apesar de 2014 estar sendo um ano difícil, contamos com o apoio e a dedicação dos nossos parceiros que contribuíram para o nosso sucesso e crescimento”, acrescenta Patriani. Ituiutaba-MG Setores de Cabines de Rádio e TV já em construção no Estádio Julia do Prado Prestes a receber o plantio de grama, o Estádio Municipal Julia do Prado a cada dia, muda seu aspecto, tendo agora várias frentes de trabalho em todos os setores do mesmo. Responsável pelo setor oeste do Estádio, a Construtora Ferreira Lima trabalha na construção das estruturas de ferro no segundo piso, onde estarão as lanchonetes, sanitários e área de circulação, sendo que na parte de cima serão construídas 4 cabines de TV, 12 cabines para emissoras de Rádio, e ainda camarotes e tribuna de honra. Para o diretor de Comunicação da prefeitura, Gladiston Pires, a construção dessas cabines de Rádio e TV mostra o respeito que o prefeito Luiz Pedro tem pela imprensa, ao proporcionar esse conforto para os profissionais que trabalham nos dias de jogos. “Hoje temos o Odeemes, Adeilton, Anildo, Gilmar, Luiz Azevedo, e durante mais de vinte anos, fiz centenas de narrações e reportagens em dezenas de estádios em Minas Gerais e outros Estados, e dificilmente encontramos um local com conforto e digno para esse nosso trabalho”, avalia. Segundo o prefeito de Ituiutaba, Luiz Pedro o projeto tem ainda uma Sala de Imprensa que estará atendendo aos repórteres de campo nas proximidades dos vestiários das equipes, além da ampla disposição de sanitários em todos os Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba setores de arquibancadas. “Sonhamos juntos e aqueles que sempre acreditaram na nossa seriedade estão vendo a obra se erguer para em breve torcermos por uma grande equipe que nos represente no futebol brasileiro”, afirmou Luiz Pedro. O Estádio Municipal Júlia do Prado conta com recursos da prefeitura de Ituiutaba, do Ministério dos Esportes. São investimentos de R$ 12,5 milhões, e terá a capacidade para 18 mil torcedores, o estádio terá as arquibancadas, todas cobertas e com cadeiras, vestiários, quadra para aquecimento, banheiros, salas de imprensa, 4 cabines de TV, 12 cabines de Rádio, 28 camarotes, estacionamento, lanchonetes entre outros espaços finalizam as fases de construção.

[close]

p. 12

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 12 Guarulhos - SP Audiência pública detalha projeto de canalização do rio Baquirivu rio importante, mas infelizmente não tem tido a função social que poderia ter”, afirmou o prefeito Sebastião Almeida. A expansão de áreas verdes ao longo das margens do rio, bem como o aumento da capacidade de retenção de suas águas, vai propiciar a diminuição de enchentes que causam transtornos em muitos bairros, como Pimentas, Cidade Dutra, Ponte Alta, Jardim Álamo, entre outros. Essa primeira audiência realizada na cidade reuniu o prefeito Sebastião Almeida, representantes da cidade, da Assembleia Legislativa, da Câmara Municipal e também do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado. A reunião foi realizada no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, no Bonsucesso. Maior reservatório do Estado As obras de canalização serão executadas em uma extensão de 20km, iniciando no rio Tietê e finalizando na cidade de Arujá. Ao longo desse trecho serão instalados cinco reservatórios para aumentar a capacidade de contenção das águas da chuva. Entre eles, um com capacidade de armazenar 1,1 milhão de m³. Será o maior do Estado, construído entre as ruas Francisco Xavier Correia e a estrada Itaverava. Ao redor de alguns desses reservatórios serão instaladas áreas de lazer, com equipamentos como pista de skate e campos de futebol. Sistema viário As intervenções viárias ao longo do Baquirivu terão uma extensão de 15 quilômetros, chegando até a avenida Mario Covas, em Arujá. A pista terá três faixas de rolamento de cada lado, sendo uma exclusiva para ônibus, e também ciclofaixa. Com a instalação do sistema viário, o objetivo é reduzir também os congestionamentos nas vias da região. Reassentamento Residências instaladas ao longo da área onde ocorrerão as intervenções serão cadastradas e reassentadas. A estimativa é de que cerca de 1.800 famílias sejam afetadas, muitas delas cujas residências ficam próximas às margens do rio. “Já conversamos com o governo do Estado para que a obra seja feita impactando o mínimo possível na vida da população. A primeira coisa que tem de ser feita é já construir as novas moradias”, destacou o prefeito Sebastião Almeida. Uma audiência pública realizada dia 26 de novembro, detalhou para a população o projeto para combater os problemas relacionados a enchentes causadas ao longo do rio Baquirivu-Guaçu. O plano envolve a canalização de 20 quilômetros do rio, instalação de cinco reservatórios de água e implantação de 15 qui- lômetros de vias. Além disso, ao longo do trajeto, será implantado um parque linear, com áreas de lazer e recreação. A perspectiva é de que, quando as obras forem concluídas, beneficiarão também o rio Tietê, devido à redução em torno de 40% da vazão da foz do rio Baquirivu, minimizando a ocorrência de inundações. A responsabilidade pelo projeto, orçado em 1,4 bilhão, é do governo do Estado, com previsão de 36 meses para sua conclusão. O início dos trabalhos está previsto para meados de 2015. “Já faz tempo que nós estamos discutindo com o governo do Estado uma alternativa para Baquirivu, porque é um Pará Governador Simão Jatene inaugura agência do Banpará em Santa Maria mento. “Tempos certeza que a chegada do Banpará vai ser um marco no desenvolvimento da nossa cidade. Muitas pessoas tinham que se deslocar para Castanhal para receber o salário, como é o meu caso, e a gente acaba fazendo as compras e pagando as contas lá mesmo, desenvolvendo o município vizinho ao invés do nosso”, relatou João Medeiros. Expansão – Nos últimos quatro anos o Banco do Estado do Pará expandiu a cobertura dos municípios atendidos. Com a agência de Santa Maria do Pará, são 18 novas cidades contempladas e até o final de 2014, os municípios de Curuçá, Igarapé-Miri, Bonito e São Miguel do Guamá também passarão a ser atendidos pelo Banpará. A coordenadora do grupo de instalação das novas unidades da instituição, Luzia Cardoso, explica que as agências bancárias de Novo Progresso e Almeirim (no oeste paraense) também estão prontas, faltando apenas a ligação da energia elétrica e a autorização de funcionamento. “Temos interesse em inaugurar essas duas novas agências ainda este ano, estamos trabalhando para isso”, contou Luzia Cardoso, que também falou que os municípios de Moju e São Caetano de Odivelas, que possuem postos de atendimento, vão ganhar agências, que serão inauguradas até o fim deste ano. “Além de expandir a rede física para novos municípios, temos a preocupação de melhorar os atuais pontos de atendimento e, sempre que possível, vamos transformar os postos em agências”, assegurou. Santa Maria do Pará é o 74º município a receber uma agência Banpará, a primeira do Banco na cidade. A inauguração da agência, localizada na Avenida Bernardo Sayão, foi realizada na manhã de 1º de dezembro, com a presença do governador Simão Jatene, secretários estaduais e municipais, vereadores, funcionários e clientes do Banco e de moradores da cidade. O governador Simão Jatene agradeceu a presença de todos e festejou as conquistas do Banpará e os avanços promovidos nos últimos quatro anos, com foco na expansão da área de cobertura bancária. “Foram muitos avanços, mas não basta apenas melhorar os serviços é preciso chegar a todos os municípios. Em 2015 estaremos em 100 municípios e tenho certeza que com o esforço de todos chegaremos a todo o Estado”, afirmou o governador, que lembrou à população que esse é um patrimônio de todos. “Esse é um banco público, para servir ao público. Todos têm o direito de usar, mas todos também têm o dever de cuidar”, reiterou Jatene. Em seu discurso o diretor-presidente do Banpará, Augusto Costa, disse que a meta é chegar a todos os municípios paraenses até o final de 2018. “É uma meta ousada, principalmente para um banco que não visa o lucro, como é o caso do Banpará. O nosso objetivo principal é a inclusão bancária, é chegar prioritariamente nas cidades que não possuem nenhum banco”, declarou Augusto Costa. O Banpará vai fechar 2014 com 51 agências e 62 pontos de atendimento, na cobertura de 78 municípios. A meta para 2015/2016 é inaugurar 22 novas unidades. Para o funcionário público João Medeiros, a chegada do Banpará a Santa Maria do Pará era algo muito esperado pela população local. Ele lembra que a presença do Banco do Estado em seu município é sinônimo de desenvolvi-

[close]

p. 13

Geral Fotos: Fernando Lambert IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 13 Lu Alckmin - Ação Social - SP Fundo Social de Solidariedade do Estado realiza 4ª edição do bazar da Escola de Moda Renda obtida com a venda das peças será destinada para a manutenção do projeto das, produzidas por pessoas que em sua maioria não tinham experiência e, após dois meses de curso, saíram qualificadas”, comentou Lu Alckmin, presidente do FUSSESP. As peças do bazar foram produzidas ao longo do ano pelos alunos de Corte e Costura, Modelagem, Bordado em Linha, Bordado em Pedraria, Crochê e Cartonagem, cursos presentes na sede do Fundo Social de Solidariedade, no Parque da Água Branca; no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi; na Casa da Solidariedade II, no Parque D. Pedro; na Unidade São João, no Centro de São Paulo; e nas quatro unidades do Centro de Integração da Cidadania (CICs) da capital e Grande São Paulo. Aos interessados em frequentar os cursos da Escola de Moda do FUSSESP, é preciso ter mais de 16 anos e não é exigida escolaridade mínima. Os alunos matriculados nas unidades do Fundo Social recebem vale-transporte, uniforme, material didático, lanche e uma bolsa-auxílio de R$ 420 para aqueles que não são contemplados com benefício social. Mais informações sobre os cursos pelos telefones (11) 2588-5848 / (11) 2588-5943 ou no site www.fundosocial.sp.gov. br. Dia 27 de novembro, aconteceu a 4ª edição do bazar da Escola de Moda do Fundo Social de Solidariedade do Estado no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste da capital. Mais de quatro mil peças foram disponibilizadas para venda, entre itens de vestuário femini- no, acessórios e decoração para casa. A renda obtida com a venda dos produtos será destinada para a continuidade dos cursos realizados em oito unidades do Fundo Social. “Começamos o bazar em 2011, com 800 peças, e este ano foram expostos mais de 4 mil itens. Peças de qualidade, bem acaba-

[close]

p. 14

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 14 Paraíba Paraíba gera 1.817 vagas em outubro e acumula terceiro melhor desempenho do Nordeste postos, uma expansão de 19,43% sobre o mesmo período do ano passado (12.249). Nos dez meses deste ano, a Paraíba registra também o terceiro melhor desempenho da Região Nordeste em números absolutos, enquanto os Estados do Ceará (43.503) e a Bahia (36.212) lideram a geração de empregos na Região. (Veja o quadro completo). Os setores de serviços (8.423), comércio (2.959) e construção civil (2.938) lideram na Paraíba o saldo de A geração de emprego do Emprego e Trabalho desempenho do Nordesempregos criados nos dez na Paraíba manteve traje- (MTE), os setores do co- te. Já o país, no mês de tória de saldo positivo no mércio (887 postos) e da outubro, perdeu 30.283 meses deste ano. As três mês de outubro e gerou indústria de transforma- vagas, enquanto os nove atividades mostram tam1.817 vagas. De acordo ção (648 postos) apresen- Estados do Nordeste ge- bém forte expansão sobre igual período do ano com os dados do Cadas- taram os maiores saldos raram 8.543 postos. tro Geral de Empregados no último mês. Com o De janeiro a outubro, passado. A construção cie Desempregados (Ca- resultado, a Paraíba re- a Paraíba acumula um vil registra o maior cresged), órgão do Ministério gistrou o terceiro melhor saldo de 14.626 novos cimento (468%), seguido do comércio (46%), enquanto o setor de serviços, que lidera em vagas, apresenta alta de 10,29% sobre o ano passado. No cenário municipal, João Pessoa apresenta os melhores resultados da Paraíba com saldo de 5.579 postos criados, o que representa 38% dos empregos gerados nos dez meses deste ano. Na sequência ficaram Campina Grande (891), Patos (838), Santa Rita (812), Cabedelo (693) e Bayeux (418). Saldo de vagas no acumulado do ano no NE Unidade da Federação Ceará Bahia PARAÍBA Piauí Empregos gerados 43.503 36.212 14.626 12.125 11.749 8.549 8.247 410 -8.400 127.021 Rio G. do Norte Maranhão Sergipe Pernambuco Alagoas NORDESTE Fonte: Caged/MTE Economia da Paraíba apresenta bom desempenho em 2012 e supera média nacional O Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba, em 2012, cresceu 4,0% em relação ao ano anterior, superando a média nacional, que foi de 1,0%, e alcançando o valor de R$ 38,731 bilhões. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba (Ideme), o bom desempenho econômico do Estado se deve, principalmente, ao crescimento das atividades do setor de Serviços (4%). crescimento de 8,6%, impulsionado, especialmente, pela construção civil, que cresceu 16,8%. Já o setor Agropecuário não contribuiu positivamente para o PIB de 2012, pois apresentou uma queda de 26%, devido ao grande período de estiagem registrado na região Nordeste do país. Com esses resultados, a composição percentual do valor adicionado pela economia paraibana passou a ser: Agropecuária Dentre as ativida- 3,6%, Indústria 22,8% des do setor de Ser- e os Serviços 73,7%. viços, as que mais colaboraram para o Apesar do bom deresultado favorável foi sempenho, a Paraíba o Comércio, que ob- manteve-se na 19º poteve o segundo maior sição no ranking naciocrescimento: 10,6%; e nal e na 6ª posição no as atividades relacio- regional. nadas ao Transporte que cresceram 9%. Já a De acordo com o atividade Administra- superintendente do ção, saúde e educação Ideme, Mauro Nunes, públicas – APU, apesar o bom desempenho de ter, tradicionalmen- econômico da Paraíte, o maior peso para ba alcançado em 2012 a economia paraibana é reflexo dos investi(31,8%), registrou uma mentos e das políticas perda de participação públicas que o Governo neste ano, mesmo ten- do Estado tem direciodo crescido 1,2%. nado para setores de Serviços, como o TuAlém do setor de rismo, o Artesanato, a Serviços, o setor In- Cultura e a Gastronodustrial também re- mia, com objetivo de gistrou o expressivo gerar mais emprego e renda. “O atual governo entendeu que, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento, iremos atrair investidores. E é isso que de fato está acontecendo”, destacou Mauro Nunes, lembrando que a cada dia novos investidores estão aportando na Paraíba e que o desenvolvimento econômico sustentável da Paraíba está apenas começando. O resultado do PIB da Paraíba foi divulgado pelo Ideme, nesta sexta-feira (14), durante coletiva à imprensa, em João Pessoa. A solenidade, presidida por Mauro Nunes, contou com representantes do Ideme e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que são parceiros na elaboração das contas regionais. Dentre eles estavam: o superintendente adjunto do Ideme, Jakson Amâncio, o diretor do IBGE na PB, Roberto Salgado; e o gerente do Departamento de Informações para o Planejamento do Ideme, Geraldo Lopes, que esclareceram as dúvidas dos presentes.

[close]

p. 15

IMPRENSA SINDICAL | DEZEMBRO/2014 | PÁGINA 15 Economia Mulheres são responsáveis por 37,3% dos lares brasileiros Levando em consideração apenas as áreas urbanas, a porcentagem sobe para 39,3% Por Vinícius Lisboa - da Agência Brasil As mulheres eram as principais responsáveis por 37,3% dos lares brasileiros em 2010 informou 31 de outubro o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010. A proporção cresce para 39,3% quando considerados os domicílios das áreas urbanas ante 24,8% nos das rurais. A pesquisa mostra que, quando os cônjuges vivem juntos com os filhos, as mulheres são consideradas responsáveis em 22,7% das residências. Quando apenas um dos pais vive com os dependentes, as mulheres passam a responder por 87,4% dos lares. O IBGE informa que a identificação do responsável parte do entrevistado: este aponta quem é reconhecido como tal pelos demais membros da família. Quando considerada a cor ou raça do responsável pela família, as mu- lheres brancas têm uma taxa menor que as pretas e pardas: estas últimas são integradas pelo IBGE em um único indicador como negras. Enquanto o primeiro grupo responde por 35,6% dos lares em que brancos são chefes de família, ficando abaixo da média nacional, o segundo grupo comanda 38,7% das residências em que pretos e pardos chefiam. A participação das mulheres como responsáveis supera a média nacional quando analisados os domicílios com menor renda. Quando o ganho per capita é de até meio salário mínimo (R$ 362), a proporção de mulheres chefiando sobe para 40,8% e chega a 46,4% nas áreas urbanas. Já quando a renda é de mais de dois salários por pessoa da família (R$ 1.448), a taxa cai para 32,7%, cinco pontos percentuais abaixo da média geral (37,3%). Sem levar em consideração o chefe da família, o IBGE mostra que a participação das mulheres em 2010 era de 40,9% da renda dos lares, enquanto a contribuição dos homens estava em 59,1%. Apesar de chefiarem menos famílias nas áreas rurais, as mulheres têm maior contribuição na renda dessas residências, com 42,4%, contra 40,7% das famílias que moram nas áreas urbanas. As mulheres nordestinas são as que mais participam da renda familiar, com 46,8%. Os lares rurais do Nordeste são os únicos em que a participação delas supera a dos homens, com 51%. Em grande parte das cidades dessa região, além de Tocantins, Minas Gerais e Amazonas, as mulheres respondem por mais da metade da renda familiar, enquanto em São Paulo, sul e oeste de Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a participação feminina é menor. Os domicílios rurais do Centro-Oeste são os que registram menor participação feminina na renda, de 26,8%. Ainda segundo a pesquisa, as mulheres pretas e pardas têm maior participação na renda de suas famílias que as brancas, com uma proporção de 42% contra 39,7%. Mulheres negras pagam mais impostos do que homens brancos Estudo comprova que as mulheres sofrem com a maior carga dos impostos no Brasil Por Najla Passos - Carta Maior O estudo “As implicações do sistema tributário brasileiro nas desigualdades de renda”, lançado dia 11 de setembro pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), comprova que o sistema tributário brasileiro é injusto não só pela perspectiva de classe, mas também quando se analisa o recorte de gênero e raça: mulheres negras pagam, proporcionalmente, mais impostos do que homens brancos. “Duas questões que marcam a nossa desigualdade é gênero e raça. E como as mulheres, sobretudo as negras, estão na base da pirâmide social e o sistema tributário brasileiro é muito regressivo, obviamente, as mulheres em geral, e as mulheres negras em especial, vão pagar mais tributos do que homens brancos que, em geral, estão no topo da pirâmide e são mais ricos. O que o estudo faz é comprovar isso empiricamente”, afirma o autor da pesquisa, o professor da Pós Graduação em Políticas Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Evilasio Salvador. Segundo ele, a comprovação foi obtida a partir do cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), ambas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, os 10% mais pobres da população, compostos majoritariamente por negros e mulheres (68,06% e 54,34%, respectivamente) comprometem 32% da renda com os impostos, enquanto os 10% mais ricos, em sua maioria brancos e homens (83,72% e 62,05%, respectivamente) empregam 21% da renda em pagamento de tributos. Quem paga a conta? O estudo também aprofunda análises sobre os mecanismos que fazem com que o sistema tributário brasileiro seja tão injusto com os mais pobres, permitindo que estes sejam responsáveis por 71,38% do montante de impostos arrecadados no país. “O que nós propomos é que seja revertida essa estrutura regressiva do sistema de tributação brasileiro, que está pautada em tributos sobre o consumo e a produção, que acabam onerando os mais pobres, os trabalhadores em geral. O ideal é inverter isso e priorizar tributação de patrimônio e renda”, defende Evilasio. Segundo ele, as mudanças devem passar necessariamente pelo aumento do número de alíquotas de tributação do Imposto de Renda, que precisa ser mais progressivo. “O Brasil já chegou a ter 12 alíquotas de imposto de renda, mas foi reduzindo isso e ficou muito tempo só com duas, algo que só ocorria em outros dois países do mundo: Peru e Barbados”, relata. Hoje, o imposto de renda trabalha com quatro alíquotas, mas o professor defende que o número deve ser ampliado para que quem ganhe mais pague mais. “O Brasil tem uma alíquota final muito baixa, que é de 27,5%. Países como França e Estados Unidos têm alíquotas de 50% e 60%”, compara. Renda Evilasio ressalta, entretanto, que só ampliar as alíquotas não é suficiente para promover justiça social. “Da forma com que o sistema tributário brasileiro está organizado, isso só penalizaria trabalhadores e funcionários públicos”, alerta. Para ele, o essencial é tributar todos os tipos de renda, e não apenas a oriunda do trabalho. Pela legislação atual, forjada nos anos neoliberais e jamais corrigida, não há tributação sobre lucros e dividendos, remessa de lucros para o exterior e vários tipos de rendas oriundas do mercado financeiro, como fundos vinculados ao agronegócio e setor imobiliário. “A renda, independente da sua origem, deve ser tributada. Em uma sociedade tão desigual como a brasileira, ninguém pode ter privilégios, quanto mais os mais ricos. É inadmissível você ter proprietários e sócios capitalistas que recebem lucros e dividendos distribuídos e não pagam nada, absolutamente nada, de imposto de renda”, critica. Além de taxar todos os tipos de renda, o professor também recomenda uma cobrança maior e mais progressiva dos impostos sobre a propriedade, o que envolveria uma parceria com outros níveis de administração federativa: os Estados e municípios. “No tocante á tributação de patrimônio, há muita coisa a fazer. Nós somos um país que praticamente não taxa patrimônio. É uma aberração a arrecadação do IPVA ser maior do que a arrecadação do IPTU, por exemplo. É claro que aí há um conflito de competências. Há legislações estaduais e municipais. Mas você pode fazer alterações na constituição para garantir essa progressividade”, defende. O professor também sugere maior progressividade no IPTU, maior taxação sobre heranças e a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, que permanece como letra morta 25 anos após a promulgação da Constituição de 1988. “Esse conjunto de medidas permitira aumentar a arrecadação e dar folga para desonerar consumo e produção. E grande parte dessas medidas não implica nem mesmo em mexer na Constituição”, afirma.

[close]

Comments

no comments yet