Revista Construir Mais - Dezembro de 2014

 
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Revista do Setor da Construção do Estado de Goiás

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CUB OUTUBRO 0,127% REVISTA MENSAL DO SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO NO ESTADO DE GOIÁS - SINDUSCON-GO ANO V, Nº 53 DEZEMBRO/2014 Entrevista com o diretor presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Jorge Abrahão Pág. 6

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E DITORIAL A corrente do bem É animador ver o crescimento das ações de Responsabilidade Social nas empresas da indústria da construção e as novas possibilidades que se abrem para o setor neste quesito. Em nível nacional, por exemplo, não por acaso verificou-se, em 2014, recorde de projetos inscritos no Prêmio CBIC de Inovação e Sustentabilidade. A premiação tem como forte vertente em suas categorias a sustentabilidade e a produtividade no modo de produção, o convívio integrado com o meio ambiente e o impacto social positivo gerado pelas construtoras, através de ações diretas com seus colaboradores e cuidados com a vizinhança, incluindo itens como segurança e qualidade de vida. Regionalmente, temos exemplos concretos de várias associadas que seguem pelo caminho da chamada RSE (Responsabilidade Social Empresarial) e têm colhido excelentes frutos pela implantação dessa política, tanto no setor administrativo quanto nos próprios canteiros de obras. A matéria de capa desta edição foca justamente nesse engajamento do empresariado goiano, destacando, nos depoimentos colhidos por nossa reportagem, a importância da prática rotineira do bem para o coletivo e os benefícios que ações assertivas e consensuais são capazes de proporcionar tanto para quem as pratica quanto para os que delas se beneficiam. O momento conturbado que vive o País, com denúncias e mais denúncias de corrupção envolvendo grandes conglomerados corporativos, é muito apropriado para reconhecermos a contribuição efetiva de atitudes de cunho socialmente responsável. São ações de caráter ético e morais, que envolvem a transparência das empresas e que acabam desembocando positivamente na comunidade local. A cidadania exercida de uma forma efetiva faz toda a diferença para a sociedade. Daí o Sinduscon-GO entender que, dentre as atribuições da entidade, faz-se necessário exercer a sua representatividade na totalidade, extrapolando seus objetivos originais, de cuidar dos interesses econômicos de seus associados. Temos trabalhado com muita energia e de forma participativa para o progresso e perenidade dos negócios do setor entendendo, por princípio, que a valorização do capital humano torna as empresas mais úteis, no sentido mais amplo do conceito de utilidade pública, com vistas a oferecer o melhor para a sociedade. vai se alastrando pelas empresas do setor da construção Sob essa ótica, neste espaço cabe expressar o contentamento da diretoria do Sinduscon-GO, que se sente gratificada pelo reconhecimento de seus esforços. Com a conquista do título de utilidade pública estadual, e mais recentemente agraciado com o título de utilidade pública municipal, recebemos um estímulo extra para prosseguir pelo caminho do bem coletivo. Engajado com um trabalho voluntário, através de nossos colaboradores e parceiros, o Sindicato participa ativamente das ações do Dia Nacional da Construção Social em Goiás, e, durante o transcorrer do ano, empenha-se em ações envolvendo campanhas de arrecadação de alimentos, leite, fraldas e agasalhos com entidades filantrópicas na Capital, muitas das vezes mediante contribuições diretamente doadas pelo público de nossos eventos, por meio da chamada inscrição social, instituída nesta gestão. Ainda sobre o conteúdo da Construir Mais de dezembro, trazemos uma entrevista com o porta-voz do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, além de artigos que abordam as perspectivas para o ano de 2015 e outros temas não menos pertinentes. Encerramos o ano convictos de que a atitude de cada um soma para o bem da coletividade, pois construir um mundo melhor é possível. Esse é o momento também para agradecermos a companhia do leitor, que tem sempre acompanhado a nossa publicação, conferindo-lhe prestígio e estimulando a equipe de colaboradores responsável pela Construir Mais a cada nova edição. Fica aqui a nossa mensagem de confiança em dias melhores. Estamos conscientes de que o País passa por dificuldades, mas também estamos otimistas. A mídia informa que o Banco Central está trabalhando com indicadores da atividade industrial, de serviços e do comércio que sinalizam para a recuperação da economia, deixando o espectro da recessão para trás. Se ainda não há motivo para comemorar, façamos então a nossa parte pelo bem do Brasil. Boa leitura! CARLOS ALBERTO DE PAULA MOURA JÚNIOR Presidente do Sinduscon-GO DIRETORIA EXECUTIVA DO SINDUSCON-GO (2013/2016) Presidente: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior - 1º Vice-Presidente: Eduardo Bilemjian Filho - 2º Vice-Presidente: Guilherme Pinheiro de Lima - Diretor Administrativo: Manoel Garcia Filho Diretor Administrativo Adjunto: Luís Alberto Pereira - Diretor Financeiro e Patrimonial: José Rodrigues Peixoto Neto - Diretor Financeiro e Patrimonial Adjunto: Ricardo Silva Reis - Diretor da Comissão de Economia e Estatística: Ibsen Rosa - Diretor da Comissão de Economia e Estatística Adjunto: Maurício Figueiredo Menezes - Diretor da Comissão da Indústria Imobiliária: Mário Andrade Valois - Diretor da Comissão da Indústria Imobiliária Adjunto: Eduardo Bilemjian Neto - Diretor da Comissão de Habitação: Roberto Elias de Lima Fernandes - Diretor da Comissão de Habitação Adjunto: Cláudio Jesus Barbosa de Souza - Diretor da Subcomissão de Legislação Municipal: Renato de Sousa Correia - Diretor de Materiais e Tecnologias: Sarkis Nabi Curi - Diretor de Materiais e Tecnologias Adjunto: Pedro Henrique Borela - Diretor da Comissão de Concessão, Privatização e Obras Públicas: João Geraldo Souza Maia - Diretor da Comissão de Concessão, Privatização e Obras Públicas Adjunto: Humberto Vasconcellos França - Diretora de Qualidade e Produtividade: Patrícia Garrote Carvalho - Diretora de Qualidade e Produtividade Adjunta: Aloma Cristina Schmaltz Rocha - Diretor de Construção Pesada: Sérgio Murilo Leandro Costa - Diretor de Construção Pesada Adjunto: Jadir Matsui - Diretor de Construção Metálica: Cezar Valmor Mortari - Diretor da Construção Metálica Adjunto: Joaquim Amazay Gomes Júnior - Diretor de Assuntos Jurídicos: Ricardo José Roriz Pontes - Diretora de Assuntos Jurídicos Adjunta: Selma Regina Palmeira Nassar de Miranda - Diretor da Subcomissão de Política e Relações Trabalhistas e Sindicais: Yuri Vaz de Paula - Diretor da Comissão de Saúde: Jorge Tadeu Abrão - Diretor da Comissão de Saúde Adjunto: Célio Eustáquio de Moura - Diretor da Comissão de Proteção ao Patrimônio Natural: Gustavo Veras Pinto Cordeiro - Diretor da Comissão de Proteção ao Patrimônio Natural Adjunto: Nelson Siqueira Neto - Diretor do Setor Elétrico e Telefônico: Ricardo Daniel Lopes - Diretor do Setor Elétrico e Telefônico Adjunto: Carlos Vicente Mendez Rodriguez - Diretor Social e de Comunicação: Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro - Diretor Social e de Comunicação Adjunto: Ulisses Alcoforado Maranhão Sá - Conselho Consultivo: Justo Oliveira d’Abreu Cordeiro, Paulo Afonso Ferreira, Mário Andrade Valois, Joviano Teixeira Jardim, Sarkis Nabi Curi, José Rodrigues Peixoto Neto, Roberto Elias de Lima Fernandes, Alan de Alvarenga Menezes, José Augusto Florenzano, José Carlos Gilberti - Suplentes: Bruno de Alvarenga Menezes, Marco Antônio de Castro Miranda, André Luiz Baptista Lins Rocha - Conselho Fiscal: Célio Eustáquio de Moura, Guilherme Pinheiro de Lima, Carlos Henrique Rosa Gilberti - Suplentes: Paulo Silas Ferreira, Ricardo de Sousa Correia, Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro Representantes junto à FIEG: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior, Roberto Elias de Lima Fernandes - Suplentes: Eduardo Bilemjian Filho, Justo Oliveira d’Abreu Cordeiro - Representante junto à CBIC: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior - Suplentes: Eduardo Bilemjian Filho, Guilherme Pinheiro de Lima. 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S UMÁRIO 6 Entrevista O diretor presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Jorge Abrahão, enfatiza a importância das empresas brasileiras se envolverem em ações voltadas à promoção da cidadania. 18 Matéria de Capa Empresas e profissionais engajados na responsabilidade social destacam os benefícios de fazer o bem. 8 Artigo “Perspectivas para 2015 – novos desafios e oportunidades” é o tema do artigo do 1º diretor secretário da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira. 24 Registro de Eventos Acompanhe o registro dos eventos realizados pelo Sinduscon-GO, especialmente do encontro “Panorama Econômico e Jurídico: análise do cenário para a indústria da construção em 2015”. 9 Artigo “O futuro da minha cidade” é o tema tratado em artigo pelo ex-prefeito de Maringá (PR) e consultor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Silvio Barros. 32 Indicadores Econômicos Confira o valor do Custo Unitário Básico (CUB) referente ao mês de outubro/2014. 10 Espaço Jurídico Novo ITBI ameaça negócios imobiliários. O assunto é abordado pelo advogado especializado na área imobiliária, Dr. Arthur Rios Júnior. 34 Eu Recomendo A diretora Administrativa e Financeira do Núcleo de Proteção aos Queimados (NPQ), Maria Thereza Sarto Piccolo, conclama os empresários para apoiarem as atividades realizadas pelo NPQ em prol das vítimas de queimaduras. 12 Inovar é Preciso Sucesso na compra conjunta de elevadores pela Coopercon-GO. REVISTA CONSTRUIR MAIS - Revista mensal do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO) Sinduscon-GO - Filiado à CBIC e FIEG. Rua João de Abreu, n° 427, Setor Oeste, Goiânia-Goiás - CEP 74120-110. Telefone: (62) 3095-5155 / Fax: (62) 3095-5177 - Portal: www.sinduscongoias.com.br | Presidente: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior | Diretor Social e de Comunicação: Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro | Gerente Executiva: Sebastiana Santos | Edição: Joelma Pinheiro | Reportagem: Aymés Beatriz B. Gonçalves (beatriz@ sinduscongoias.com.br), Joelma Pinheiro (joelma@sinduscongoias.com.br) e Valdevane Rosa (valdevane@sinduscongoias.com.br) | Fotografia: Assessoria de Comunicação Social do Sinduscon-GO e Sílvio Simões | Projeto Gráfico e Diagramação: Duart Studio | Publicidade: Sinduscon-GO - Telefone: (62) 3095-5155 | Impressão: Gráfica Art3 | Tiragem: 6.000 exemplares. Publicação dirigida e distribuição gratuita. *As opiniões contidas em artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. Consciente das questões ambientais e sociais, o Sinduscon-GO trabalha em parceria com a gráfica Art3, que utiliza papéis com certificação FSC (Forest Stewardship Council) na impressão dos seus materiais. ESPAÇO EMPRESARIAL Anuncie na revista Para informações entre em contato com o Departamento Comercial do Sinduscon-GO, telefone (62) 3095-5168, e-mail comercial@sinduscongoias.com.br. 4 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014

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N OT Í C I A S D O S PA R C E I RO S Nova diretoria da Fieg elege prioridades de atuação A nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), eleita no último dia 08 de outubro, liderada pelo atual presidente Pedro Alves de Oliveira, focará sua atuação em temas que preocupam as lideranças industriais e debilitam a competitividade das indústrias. A votação ocorreu na Casa da Indústria. Pedro Alves foi eleito por unanimidade pelos 35 sindicatos industriais votantes para o período 2015/2018. Dentre outras preocupações, a diretoria eleita atuará na desburocratização e simplificação da legislação tributária, trabalhista e ambiental; no fortalecimento da infraestrutura e na convalidação e aperfeiçoamento dos incentivos fiscais. Na questão da infraestrutura, torna-se urgente a expansão da capacidade de fornecimento de energia ao setor industrial, a implantação da Plataforma Logística Multimodal de Goiás, com a conclusão do aeroporto de cargas em Anápolis, a implementação total da Ferrovia Norte-Sul, a duplicação da Rodovia BR 153 (rumo ao Norte) e a melhoria das condições de funcionamento dos distritos industriais espalhados pelo Estado. Outro foco importante do trabalho será a atuação em favor da descentralização industrial para regiões menos desenvolvidas do Estado (Oeste, Norte e Nordeste goiano), demandando das autoridades a implantação da infraestrutura adequada, promovendo a formação profissional nessas regiões e a melhoria da educação básica e de nível técnico. Esse processo favorecerá as economias locais, resultando em maior distribuição de renda e evitando sobrecarga de demandas por serviços nas grandes cidades. Na área de formação profissional as ações se iniciam pela melhoria da qualidade do ensino básico, ofertado pelo Sesi, e pela articulação do ensino de segundo grau com o ensino profissionalizante (ofertados juntos por Sesi e Senai). São ações prioritárias também a expansão do ensino técnico e tecnológico, via Senai, que hoje é demandado em larga escala pelas empresas, em decorrência dos avanços tecnológicos da produção. Outras bandeiras da nova diretoria são: o fortalecimento da gestão dos sindicatos, a atuação política na defesa dos interesses da indústria, aproximação com as universidades para promover o desenvolvimento e a inovação tecnológica; e a ampliação da atuação das instituições do Sistema Fieg (Fieg, Sesi, Senai, IEL e ICQ Brasil), para atender, ainda melhor, as demandas das indústrias e dos seus trabalhadores. Integram a diretoria executiva os seguintes empresários: presidente Pedro Alves de Oliveira, 1º vice-presidente Wilson de Oliveira, 2º vice-presidente Antônio de Sousa Almeida, 3º vicepresidente Gilberto Martins da Costa, 1º diretor secretário Carlos Alberto de Paula Moura Júnior, 2º diretor secretário Heribaldo Egídio da Silva, 1º diretor financeiro André Luiz Baptista Lins Rocha e 2º diretor financeiro Hélio Naves. Crea-GO divulga vencedores do 13º Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente A Comissão de Meio Ambiente do Crea-GO divulgou no último dia 04 de novembro, os vencedores da 13ª edição do Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente. O Conselho goiano concedeu oito premiações e uma menção honrosa. Foram contemplados os trabalhos que obtiveram as duas primeiras colocações em cada uma das quatro modalidades: Meio Físico, Meio Biótico, Meio Socioeconômico e Meio Imprensa. A premiação consistiu na entrega de um certificado e uma estatueta em forma de Seriema. O Crea-GO recebeu 52 indicações. A Comissão Julgadora fez durante o mês de outubro a triagem dos projetos/programas apresentados, desclassificando as propostas que não coadunaram com o objetivo do prêmio ou que não apresentaram a documentação exigida. Numa segunda fase, a Comissão Julgadora eliminou os projetos/programas que obtiveram nota inferior a 8,0 (oito). A cerimônia de entrega da 13ª Edição do Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente foi realizada no dia 27 de novembro, no Memoratto Eventos, em Goiânia. Para conhecer todos os projetos vencedores acesse www.crea-go.org.br. DEZEMBRO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 5

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E N T R E V I S TA Jorge Abrahão que ajudam o movimento brasileiro da RSE ser reconhecido internacionalmente Jorge Abrahão é engenheiro e empresário. Diretor presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, é membro do Conselho do Global Compact da ONU; do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial; da Comissão de Transparência e Controle Social do Senado Federal; do Conselho da Cidade de São Paulo; do Colegiado da Rede Nossa São Paulo, e do Conselho Deliberativo do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Nesta entrevista exclusiva para a revista Construir Mais ele fala sobre os avanços da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e dos efeitos positivos que ela promove na gestão das empresas. O Instituto Ethos é reconhecido pela disseminação de uma nova cultura de negócios, baseada em valores como ética e transparência, bem como diálogo com as partes interessadas, que tornam a empresa uma agente de transformação social. Quando e por que foi fundado o Instituto Ethos? Qual o cenário empresarial à época de sua fundação? O Instituto Ethos surgiu em 1998, momento em que a sociedade brasileira começava a demandar às empresas outra forma de gestão dos negócios, levando em conta os interesses dos públicos mais impactados pelas atividades e potencializando para toda a sociedade os resultados positivos dos negócios. Assim, em 1998, quando no país nem se tinha ouvido falar em “RSE”, 11 empresários preocupados com o papel social das empresas fundaram o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Na época, foram chamados de “utópicos” e de “sonhadores”. Todavia, o Instituto Ethos foi agregando associados e promovendo ações e iniciativas que não apenas tornaram o termo “RSE“ conhecido do público nacional, como também ajudou o movimento brasileiro da RSE e da sustentabilidade ser conhecido e reconhecido internacionalmente. Assim, nesse tempo, o Ethos vem disseminando uma nova cultura de negócios, baseada em valores como ética e transparência, bem como diálogo com as partes interessadas, que tornam a empresa uma agente de transformação social. Quais são os princípios do Instituto Ethos? Entendemos como “princípios” os termos estabelecidos para orientar a relação com os associados, para 6 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014 Instituto Ethos promove iniciativas facilitar o desenvolvimento da missão da entidade, bem como consolidar e aperfeiçoar as políticas e práticas de responsabilidade social e de gestão sustentável das empresas. Assim sendo, temos dez princípios: Primazia da ética, Responsabilidade social, Confiança, Integridade, Valorização da diversidade e combate à discriminação, Diálogo com as partes interessadas, Transparência, Marketing responsável, Interdependência e Comunidade de Aprendizagem. Essa Carta de Princípios pode ser acessada no site do Ethos: http:// www3.ethos.org.br/conteudo/sobre-o-instituto/carta-de-principios/#.VFKJVDTF9ps. Atualmente, quais projetos estão sendo realizados pelo Ethos? O Ethos atua estimulando a gestão socialmente responsável das empresas por meio do uso dos Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis, uma ferramenta que serve como importante guia para as empresas entrarem neste movimento. Ao mesmo tempo, há grupos de trabalho que exploram as oportunidades para empresas como: Clima, Biodiversidade, Resíduos Sólidos, Direitos Humanos e Diversidade, bem como Integridade e Combate à Corrupção. Como avalia o comprometimento do empresariado com a RSE e a sustentabilidade? É possível afirmar que o comprometimento do empresariado com a RSE e a sustentabilidade vem aumentando gradativamente e que esse compromisso também já é percebido (e cobrado) por consumidores, comunidade, fornecedores e funcionários. Todavia, ainda há alguns entraves a serem superados, para que a sustentabilidade entre de fato no coração do negócio, por meio de uma gestão socialmente responsável. Um dos obstáculos é mostrar que sustentabilidade gera “valor” e também lucro. Nesse sentido, já há evidências que relacionam sustentabilidade e lucro: as ações das empresas listadas nos índices de sustentabilidade das bolsas (como o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, da BMF & Bovespa) têm tido um desempenho melhor do que aquelas dos mercados tradicionais. Dá para sair desse dilema? Para enfrentar este impasse, é preciso que as empresas se envolvam tanto em compromissos voluntários como na aprovação de políticas públicas que façam avançar a agenda da sustentabilidade, como, por exemplo, a

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Jorge Abrahão, Diretor presidente do Instituto Ethos – que não mexe com a essência da gestão do negócio. Por isso, podemos encontrar empresas que, por exemplo, fazem doações ou investem em ONG’s de alfabetização de adultos, mas não sabem quantos dos seus próprios funcionários também precisam deste tipo de apoio. Na RSE, a própria maneira de fazer negócio é diferente. O executivo preocupa-se com os impactos negativos da atividade, busca, por meio de diálogos, superar os dilemas e tornar a empresa uma parceira da sociedade, de modo a criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento sustentável. Ou seja, ao contrário da filantropia, a RSE mexe com todos os públicos e toda a gestão empresarial. Quais sugestões pode dar para uma empresa que queira iniciar o processo de gestão socialmente responsável? Bem, o início pode ser simples, como a definição da missão e valores da empresa ou o estabelecimento de um código de conduta para orientar funcionários, fornecedores e clientes, por exemplo. Mas é possível desenvolver um plano de ação e, dentro de prioridades estabelecidas de acordo com as características do negócio, ir aos poucos elevando a régua. O Instituto Ethos desenvolveu os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis, que auxiliam as empresas nessa caminhada. Se a empresa for associada ao Ethos ou pertencer à cadeia de suprimentos de empresa associada, ela pode responder o questionário on line, grátis. Os Indicadores Ethos têm como foco avaliar o quanto a sustentabilidade e a responsabilidade social têm sido incorporadas nos negócios, auxiliando a definição de estratégias, políticas e processos. Embora traga medidas de desempenho em sustentabilidade e responsabilidade social, esta ferramenta não se propõe a medir o desempenho das empresas nem reconhecer empresas como sustentáveis ou responsáveis. É de fato uma ferramenta de gestão. Qual a importância da RSE e quais efeitos positivos ela promove na gestão das empresas? Em primeiro lugar, a RSE é importante porque é a coisa certa a ser feita: gerir um negócio com integridade e transparência, dialogando com a sociedade e sendo parceiro do desenvolvimento econômico mais justo e sustentável. Sem medo de errar, a vida longa das empresas tem estreita relação com o grau de envolvimento delas com esta agenda. Todavia, quando insistem, eu costumo responder com outra pergunta: imagine uma empresa que não se preocupe com o meio ambiente, seus fornecedores, funcionários e clientes, as comunidades, a sociedade como um todo; e que tenha foco apenas nos acionistas. Ela poderá sobreviver muito mais tempo agindo assim? É só olhar em volta e verificar o desastre ambiental, a escassez de recursos naturais, a pressão de consumidores e cidadãos e as regras cada vez mais exigentes em termos socioambientais de governos e instituições financeiras. Então, a importância da RSE é essa: estimular a gestão empresarial e os negócios na trilha do desenvolvimento sustentável. DEZEMBRO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO “ Os Indicadores Ethos têm como foco avaliar o quanto a sustentabilidade e a responsabilidade social têm sido incorporadas nos negócios, auxiliando a definição de estratégias, políticas e processos” mobilização que as empresas realizaram para aprovar a lei anticorrupção empresarial (política pública) e as ações internas que promovem a diversidade no perfil dos funcionários (compromisso voluntário). Outro exemplo foi o projeto chamado “Negócios Sustentáveis: transformando ideias em modelos inovadores”, desenvolvido pelo Instituto Ethos e mais nove empresas ao longo de 2014. O propósito da iniciativa era demonstrar a viabilidade econômico-financeira no tempo dos negócios sustentáveis no Brasil, por meio de inovação que possa ser replicada em escala. O modelo desenvolvido, de micro geração de energia alternativa para áreas urbanas e rurais, foi apresentado na Conferência Ethos 360º e no Fórum Lille de Responsabilidade Social, na França. Do seu ponto de vista, o empresário sabe distinguir RSE de filantropia? Sim, hoje em dia o empresário já sabe distinguir melhor a RSE da filantropia, embora ainda existam algumas confusões. Para esclarecer, a filantropia é uma ação voltada a um único público – comunidade do entorno de uma fábrica, instituto de pesquisa para determinada doença 7

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A RT I G O Perspectivas para 2015 novos desafios e oportunidades Eis que se aproxima o final de mais um ano, sendo nossa responsabilidade refletir seriamente sobre o período que começa em 2015, quando também se iniciam novos mandatos políticos. O Brasil continua sendo um país de oportunidades, com indústria diversificada, ampla base de instituições científicas e tecnológicas, abundância de recursos naturais, de grande potencial energético e possui um dos maiores mercados internos do mundo. Temos possibilidade de crescer mais e de forma sustentável, mas há desafios que precisam ser enfrentados para que essas condições se consolidem em resultados melhores, com aumento da competitividade das empresas brasileiras, confiança para efetivação de investimentos e desenvolvimento socioeconômico. Já passamos por ditadura, por altos índices de inflação, pela redução das diferenças sociais, mas o momento atual é de fazermos a lição de casa e suplantarmos novas dificuldades, com a efetivação de reformas e mudanças. É imperativo definir prioridades e agir com energia e determinação para promover o aperfeiçoamento do ambiente de negócios de forma consistente e duradoura. A indústria tem papel relevante na mobilização de esforços e na construção dessa agenda de crescimento. Ela é fonte de soluções para os desafios de criação de empregos de qualidade, do aumento da produtividade e da inovação. O crescimento do PIB depende de seu desenvolvimento. Desde 1970, o PIB brasileiro só cresceu acima de 4% ao ano em 22 ocasiões. A indústria foi o motor que apresentou a maior taxa entre os setores de atividades em 13 desses 22 anos. No entanto, mostra-se praticamente estagnada desde 2010. A quantidade exportada pela indústria continua abaixo da quantidade pré-crise de 2009 e a participação dos produtos importados no mercado doméstico de manufaturados saltou, em termos reais, de 12%, em 2005, para 22%, em 2013. O quadro negativo de hoje será radicalmente revertido caso se criem possibilidades para a implementação das 42 propostas contidas no documento encaminhado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos presidenciáveis, dentre elas: • Modernizar as relações de trabalho, com mais segurança jurídica, sobretudo com a regularização da terceirização e 8 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014 reconhecimento da negociação coletiva; • Reduzir impostos, juros e simplificar o sistema tributário; • Ampliar e atualizar a infraestrutura de apoio ao setor produtivo; • Corrigir e reduzir as desigualdades regionais; • Acabar com a burocracia; • Promover a educação de qualidade, a inovação e o desenvolvimento tecnológico. O ambiente institucional em que os empreendedores operam é hoje marcado por complexidade, burocracia e insegurança. Em termos políticos, o Congresso Nacional, o Executivo, o Judiciário e a sociedade precisam criar condições para o país transformar-se, sendo imprescindível que comecem por reformas institucionais e políticas. O início de um novo governo como também um Congresso renovado se mostram propícios para se discutir as medidas necessárias para que o País retome o crescimento. A indústria acredita que algumas questões que até então não contavam com ambiente político necessário para sua maturação possam ser retomadas com melhores perspectivas de tramitação positiva. Nesse caso, estariam incluídas a Reforma Previdenciária e Trabalhista além da questão do licenciamento ambiental, responsável pelo atraso nos investimentos de grande porte no Brasil. Para 2015, a Agenda Legislativa da CNI deverá conter mais proposições convergentes sintonizadas com as propostas apresentadas aos presidenciáveis. A perspectiva é de que a discussão sobre estes temas se aprofunde tanto no Executivo como no Legislativo e que o País consiga superar as dificuldades, retome a segurança e o crescimento. Este cenário de grandes desafios e oportunidades mostra que a indústria precisa atuar de forma coesa no diálogo com a classe política em torno da agenda da competitividade e efetivação das mudanças que tanto almejamos. Tenho a convicção de que, unidos, conseguiremos avançar mais rapidamente na construção do País com que sonhamos. PAULO AFONSO FERREIRA, 1º diretor secretário da Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidente do Conselho de Assuntos Legislativos e diretor geral do IEL Nacional

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A RT I G O O futuro da minha cidade Muito se tem discutido e debatido sobre as cidades do futuro, como serão, que tipo de mobilidade, de interconectividade, de serviços públicos terão. Algumas das ideias e soluções propostas pelos urbanistas são realmente fantásticas e revolucionárias graças principalmente à Internet das Coisas, que permite agregar inteligência aos serviços e à infraestrutura pública. O problema é que hoje mais da metade da população global vive em cidades que já existem, muitas delas com centenas de anos, construídas em um contexto muito diferente do atual, quando ainda nem existiam automóveis e as ruas eram ocupadas apenas por pedestres e cavalos. O grande desafio da sociedade moderna é preparar-se para um processo de urbanização mais acelerado adequando as cidades que já existem às novas tecnologias e demandas da sua população. Todos sabemos que a nossa cidade vai aumentar de população nos próximos 20 anos, não há duvida a respeito disso, porém é bem difícil saber se isso significa crescimento ou inchaço. Se a cidade vai efetivamente se desenvolver e proporcionar aumento na qualidade de vida de seus habitantes, ou se os efeitos de uma expansão desordenada vão tornar a vida insuportável. Tudo isso depende de planejamento de longo prazo. Os comentários que faço a seguir são fruto da experiência acumulada como prefeito durante os oito anos em que fui gestor contratado pelo voto para servir a cidade paranaense de Maringá. Crescimento em número de habitantes não significa necessariamente desenvolvimento nem melhores indicadores de qualidade de vida, muitas cidades viveram a versão oposta por falta de planejamento, por não se prepararem para o futuro. O planejamento de longo prazo, no entanto, não deve ser delegado aos políticos, pois infelizmente é muito grande a probabilidade que, por questões ideológicas, prefeitos que venham a suceder a gestão que elaborou o plano discordem do seu conteúdo e traduzam em desperdício de tempo e dinheiro tudo que foi produzido. Maringá viveu na prática esta experiência em 1996 com a mobilização das principais lideranças empresariais da cidade na elaboração do Plano Maringá 2020 e constituiu um Conselho de Desenvolvimento Econômico capaz de manter nos trilhos o projeto, bem como atualizá-lo periodicamente e articular durante as campanhas eleitorais mecanismos de comprometimento de todos os candidatos com os objetivos propostos para a cidade. E por que as entidades empresariais assumiram este papel? Porque está no DNA das empresas e das organi- “ Crescimento em número de habitantes não significa necessariamente desenvolvimento nem melhores indicadores de qualidade de vida, muitas cidades viveram a versão oposta por falta de planejamento, por não se prepararem para o futuro” zações o planejamento de longo prazo. Todas elas trabalham com este elemento e buscam tornarem-se maiores, mais fortes, mais influentes e eficientes ao longo do tempo. Avaliar as condições de mercado, fazer análise de competitividade, prever investimentos, são elementos naturalmente presentes nas instituições privadas sejam elas com ou sem fins de lucro. Disseminar estas experiências é o desafio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e esperamos construir a partir do núcleo municipal o Brasil com o qual todos nós sonhamos. SILVIO M. BARROS, ex-prefeito de Maringá (PR) e consultor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) DEZEMBRO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 9

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E S PA Ç O J U R Í D I C O Novo ITBI ameaça negócios imobiliários Os reflexos negativos da afobada aprovação da lei que alterou as alíquotas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Goiânia começam a ser conhecidos. Como alardeado à época, por poucas e contáveis vozes republicanas, o projeto de lei enviado ao apagar das luzes para a Câmara de Vereadores tratava também de outras relevantes matérias que mereciam maior discussão. Dentre estas, alterações no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A legislação deste imposto era bastante antiga. Logo, a sua revisão se mostrava importante. Ocorre que alguns pontos da nova lei são inconstitucionais e podem causar grandes problemas aos goianienses. O fato gerador do ITBI pressupõe sempre o acesso do título ao Registro de Imóveis. No entanto, a lei sancionada prevê a incidência do tributo sobre compromissos de compra e venda de bens imóveis independentemente de seu lançamento registral. É a Constituição Federal que delimita o campo de competência tributária de cada ente público (União, Estados e Municípios). Nesse sentido, fixa, dentre outros, que compete aos municípios instituírem imposto sobre a “transmissão ‘inter vivos’, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição”. Sendo a propriedade um exemplo de direito real (direito sobre uma coisa e que deve ser respeitado por toda a coletividade), podemos resumir que o campo de incidência do ITBI envolve a transmissão onerosa de direito real imobiliário, exceto os de garantia. No sistema jurídico nacional, a aquisição de direito real imobiliário só se concretiza com o registro do título no Cartório de Registro de Imóveis. Sem o mesmo, há apenas direito pessoal (direito que envolve exclusivamente pessoas determinadas). Outro exemplo de direito real é o do promitente comprador. Direito este que decorre de um contrato preliminar, ou seja, de negócio onde a parte adquire o direito de formular um outro negócio futuro e definitivo. No caso, o de adquirir a propriedade. Logo, a mera lavratura de escritura pública de compra e venda ou de um compromisso de compra e venda não pode ser tributada pelo imposto ora comentado. Poderá o ser tão somente quando tais negócios forem registrados na matrícula imobiliária. Antes disso, não denotam evento gerador do ITBI. Na linha do exposto, a jurisprudência pátria já é bastante evoluída, inclusive com posicionamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). 10 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014 “ Embora inconstitucional, o promitente comprador que não pagar referido imposto na assinatura estará sujeito à autuação (ilegítima), com multas elevadíssimas” Por diversas razões, a maioria das vendas de imóveis no país é estruturada com a formulação inicial de compromissos de compra e venda, que não são levados ao Registro de Imóveis. Após o pagamento total ou de boa parte do preço, são formalizados os instrumentos definitivos de compra e venda. Estes sim, em boa parte, devidamente registrados. Momento em que se recolhe o ITBI. Ao determinar que o imposto deva ser pago na assinatura do contrato de compromisso de compra e venda, a lei comentada impõe à sociedade goianiense a necessidade de um desembolso imediato a mais de 2% (dois por cento) sobre o valor do imóvel. Muitas vendas certamente deixarão de acontecer, pois se tornarão financeiramente inviáveis. Embora inconstitucional, o promitente comprador que não pagar referido imposto na assinatura estará sujeito à autuação (ilegítima), com multas elevadíssimas. A alteração legislativa é, portanto, desastrosa ao bom fluxo comercial de imóveis em Goiânia. Ameaça, ainda, o sonho da casa própria. O sucesso do Brasil pressupõe um Poder Público respeitoso às leis e atento aos interesses sociais. Eis acima um exemplo que nos afasta de tal caminho. ARTHUR RIOS JÚNIOR é advogado do segmento imobiliário, sócio da Advocacia Arthur Rios, pós-graduando em Direito Tributário pelo Ibet, pós-graduado (LL.M.) em Direito Corporativo pelo IBMEC e em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Cândido Mendes arthurjr@advrios.com.br

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Justiça Entende Imposto Sobre Transmissão de Bens Inter Vivos (ISTI) AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. IMUNIDADE ISTI (ITBI). ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA NEGADA. AUSÊNCIA REQUISITOS LEGAIS. AGRAVO REGIMENTAL. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NOVOS. DECISÃO MANTIDA. 1 - Os critérios para a aferição da tutela antecipada estão na faculdade do juiz, a margem do seu prudente arbítrio, cabendo-lhe decidir sobre a conveniência de sua concessão, levando-se em conta a presença dos requisitos legais ensejadores de tal medida, frente ao estatuído no art. 273 do Código de Processo Civil. 2 - Não havendo nenhuma ilegalidade, deve ser mantida a decisão de primeiro grau que indeferiu o pedido de tutela antecipada ante a ausência dos requisitos legais. 3 - Impõe-se o desprovimento do agravo regimental que, preocupando-se tão somente em renovar a discussão ocorrida por intermédio do agravo de instrumento, deixa de trazer novos fundamentos, não logrando êxito em modificar a convicção do julgador. Agravo Regimental conhecido e desprovido. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 294418-66.2013.8.09.0000, Rel. DR(A). MARCUS DA COSTA FERREIRA, 4A CAMARA CIVEL, julgado em 05/12/2013, DJe 1449 de 17/12/2013) DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO DE BENS INTER VIVOS (ISTI). FATO GERADOR. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE IMÓVEL. REGISTRO DO TÍTULO TRANSLATIVO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NÃO INCIDÊNCIA EM CONTRATO PRELIMINAR. 1 - O fato gerador do ITBI/ISTI se opera com o efetivo registro do título translativo da propriedade imóvel no Cartório de Registro de Imóveis; 2 - Em que pese ter sido elevado o direito de aquisição do promitente comprador à condição de direito real pelo novo Código Civil/2002, a incidência de ITBI/ISTI na promessa de compra e venda e posteriormente, também, na transmissão do imóvel, após a efetiva alienação do bem, configura a bitributação do fisco sobre um mesmo fato gerador. Reexame obrigatório conhecido e desprovido. (TJGO, DUPLO GRAU DE JURISDICAO 454599-53.2011.8.09.0051, Rel. DR(A). JOSE CARLOS DE OLIVEIRA, 5A CAMARA CIVEL, julgado em 08/08/2013, DJe 1371 de 23/08/2013) DEZEMBRO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 11

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I N OVA R É P R E C I S O conjunta de elevadores pela Coopercon-GO Sucesso na compra Ibsen Rosa, presidente da Coopercon-GO lada no Brasil vai atender exclusivamente ao mercado interno. A Coopercon-GO iniciou, em outubro, as negociações para nova compra de equipamentos de elevadores prediais e de cremalheira, esperando poder propiciar às empresas associadas o fechamento de negócios com vantagens excepcionais em relação aos preços praticados pelo mercado. “A união dos empresários através da Cooperativa fortalece a classe e, sem dúvida, vale lembrar que a união realmente faz a força: os fornecedores conseguem redução nos preços face ao quantitativo dos produtos a serem vendidos de uma só vez, e com garantias que só a Coopercon-GO proporciona”, reforça Ibsen Rosa. Os participantes do grupo de aquisição de elevadores atestam a sua satisfação no processo de compra conjunta. De acordo com o proprietário da Prumus Construções e Empreendimentos, José Rodrigues Peixoto Neto, “a compra de elevadores através da Coopercon-GO representou uma excelente negociação para a minha empresa”. Sobre a participação da Innovar Construtora no grupo de compra conjunta, o engenheiro Brayer Luiz de Faria considerou como oportunidade para cotar os equipamentos, criando um volume capaz de melhorar os preços de aquisição. Sua expectativa é de que “cada vez mais os próprios fornecedores vão atentar para esse filão de mercado (via Cooperativa) para conquistar novas vendas”. O engenheiro Mário Soares, sócio da Arte Construtora, avalia a experiência como válida: “os preços realmente foram melhores. Mas com o aumento da competitividade entre os fornecedores e uma demanda maior de equipamentos, acredito que nas próximas compras serão ainda mais vantajosos para os participantes”. A Cooperativa da Construção Civil do Estado de Goiás (Coopercon-GO) concluiu, com sucesso, a compra de elevadores para as empresas associadas. No total, foram 21 equipamentos e um montante negociado em torno de R$ 4.000.000,00. De acordo com o presidente da Cooperativa, Ibsen Rosa, “a economia que a negociação conjunta proporcionou às empresas foi de um valor significativo se pensarmos no peso que o elevador representa no custo total da obra”, afirmou ele. A coordenadora técnica da Comissão de Materiais e Tecnologia do Sinduscon-GO e da Coopercon-GO, Luciana Abdallah, relata a afirmação de um fornecedor de elevadores que, durante reunião na Cooperativa, assegurou que se os empresários se unissem na compra conjunta, as margens de descontos seriam bem maiores devido ao volume de equipamentos. Esse mesmo fornecedor contou que “uma construtora associada ao Sindicato conseguiu redução em torno de 7% por estar adquirindo uma dezena de elevadores. Mas se este empresário tivesse se juntado ao grupo da Coopercon-GO, ele conseguiria um desconto em torno de 13%”. E comentou, concluindo, que “o empresário achou que estava fazendo um bom negócio, esquecendo-se que quanto maior o número de elevadores, mais descontos, nós, fabricantes, ofereceríamos para não perder a venda”. Conforme a coordenadora técnica da Coopercon-GO, um dos fatores positivos desta rodada de negociações foi a entrada da sul-coreana Hyundai Elevadores, fabricante de renome internacional, cuja primeira fábrica, fora da Ásia, foi instalada em São Leopoldo-RS (no Vale dos Sinos) e inaugurada em abril de 2014. A Hyundai é conhecida pela alta tecnologia empregada em seus produtos e, conforme seus dirigentes, a fábrica insta- 12 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014

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C ONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL A sustentabilidade no uso de elevadores eficientes Conceitualmente, elevadores eficientes são os que consomem menos energia em sua operação. Existem diversos fatores que tornam estes equipamentos mais ou menos eficientes, desde manutenção apropriada, tempo de uso do motor, tipo de iluminação, de ventilação e o tipo de sistema de armazenamento de energia. “Optamos pelo uso de elevadores eficientes porque a sustentabilidade faz parte do DNA da Sonae Sierra Brasil, e para garantir que nossos edifícios operem de maneira eficiente, a companhia possui um grupo de diretivas para construção sustentável”, revela Joaquim Manuel Cantista, gerente de Projeto da Sonae Sierra Brasil e responsável pela obra do Passeio das Águas Shopping, em Goiânia. Joaquim Cantista explica que uma das diretivas da empresa trata de eficiência energética nos equipamentos de transporte mecânico, como elevadores, escadas e esteiras rolantes. Estudos de demanda, baseados na expectativa do número de visitantes, são realizados para determinar a quantidade e a capacidade de elevadores e escadas rolantes necessárias para o empreendimento a fim de evitar o superdimensionamento e consequente maior consumo de energia. Após os estudos, pelo menos dois fabricantes, que atendam as necessidades apontadas, são consultados, e em seguida são especificados os equipamentos com menor consumo de energia. De acordo com o gerente de Projeto, os equipamentos escolhidos para as edificações devem sempre atender pelo menos três das seguintes características: possuir modo stand-by (tanto para motor, como para iluminação) para quando não estiverem em uso; possuir motores com drive de comando que permita variação de velocidade de operação, de voltagem e de frequência; sistema de recuperação de energia que faz com que o equipamento gaste energia ao subir vazio mas, ao descer cheio, gera energia sendo esta armazenada em baterias e utilizada nas próximas subidas; iluminação interna da cabine em LED (sistema de iluminação com consumo inferior ao tradicional). Os elevadores instalados no Passeio das Águas Shopping possuem modo stand-by, motores com variação de velocidade de operação, de voltagem e de frequência, além de iluminação interna da cabine em LED. Todas as escadas e esteiras rolantes também possuem sensores de aproximação para iniciar o movimento e variação de velocidade. Equipamentos transformadores das cidades e em constante evolução O elevador é considerado como o meio de transporte mais seguro e uma criação que mudou o mundo e as características das cidades, impondo a verticalidade das edificações no visual urbano. Até o ano de 1853, quando Elisha Graves Otis criou o primeiro elevador de segurança, a paisagem contemplava edifícios de no máximo três andares, a partir de então cedendo lugar a arranha-céus cada vez mais altos. De lá para cá, os fabricantes de elevadores evoluíram conforme a necessidade da indústria da construção. De acordo com informação veiculada na Internet, mais recentemente a Otis Elevadores reinventou esse meio de transporte vertical com o lançamento do Gen2 – o elevador sem casa de máquinas –, sendo a referência mais conhecida o equipamento instalado no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O chamado “Elevador Verde” protege o meio ambiente, contribui para a redução dos custos operacionais e eleva a confiabilidade do sistema. O produto é descrito por suas características ecologicamente corretas, como as cintas de aço revestidas de poliuretano, que não requerem lubrificação evitando a poluição ambiental. Elas são até 20% mais leves, duram até três vezes mais e possuem mais fios de aço que um cabo convencional. Outra de suas virtudes é a economia de consumo de energia da ordem de 40%. Isto, graças à máquina sem engrenagem e ao controle com acionamento VVVF (tensão e frequência variáveis), que proporcionam um ambiente mais silencioso, pois permitem transmitir uma menor vibração ao edifício. Conforme o Portal EcoDesenvolvimento, a Petrobras economizaria, no ano de 2011, R$ 10 milhões com edifícios ecoeficientes, como o da Universidade Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro. Em material também a esse respeito, a Plataforma Digital Galeria da Arquitetura informa sobre os elevadores inteligentes Thyssenkroupp, que possibilitaram aliar segurança predial ao conforto dos usuários e à engenharia de valores, com o sistema de circulação vertical implantando grupos distintos de elevadores para atender aos subsolos e andares tipo. Isso possibilita que todo acesso realizado pelo subsolo terá, necessariamente, baldeação de elevadores no térreo, o que reduz o trajeto dos elevadores do andar tipo e otimiza as paradas. O sistema de elevadores é dotado de antecipadores de chamada: ao digitar o andar desejado em uma central, a pessoa será direcionada ao elevador que fará o percurso de maneira mais rápida até o destino desejado. As empresas interessadas na compra conjunta de elevadores sustentáveis devem entrar em contato com a coordenação da Coopercon-GO, telefones (62) 3095-5181 ou 3095-5183, e-mail luciana@sinduscongoias.com.br. 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C OMUNIDADE DA CONSTRUÇÃO Filmagem dos procedimentos de execução de serviços para treinamento da equipe operacional minimizando os erros de interpretação e garantindo a padronização dos serviços nas diferentes obras. O projeto tem duração aproximada de 1,5 ano e se divide basicamente em duas etapas: coleta de fotos e imagens nas obras e elaboração e edição dos vídeos, realizado por empresa terceirizada contratada com recursos do projeto. Os trabalhos foram iniciados em setembro de 2014. O engenheiro William Oliveira Gomes está à frente do projeto e conta que uma vez digitalizados, estes treinamentos podem ser facilmente consultados em toda a obra, através dos celulares, tablets e notebooks dos engenheiros, estagiários e dos próprios colaboradores, contribuindo também para a disseminação das boas práticas entre as diferentes obras. Segundo o engenheiro, a assimilação da ferramenta pela equipe operacional da obra tem sido muito positiva. O reflexo disso pode ser observado na redução das reprovações identificadas no recebimento dos serviços, evitando o desperdício de materiais e o retrabalho e aumentando, consequentemente, a produtividade. EDUARDO CARVALHO PAIVA engenheiro de Produção Civil, MBA em Construção Sustentável e coordenador de Qualidade da Consciente Construtora Coleta de imagens durante a execução dos serviços Fundada em 1982, a Consciente Construtora tem seu Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) certificado desde 2001. De lá para cá, o Sistema cresceu e se fortaleceu junto com a empresa. Atualmente, o SGQ da empresa conta com mais de 50 Procedimentos de Execução de Serviços os quais contribuem para a qualidade do produto final. Com o crescimento da empresa houve a necessidade da ampliação do quadro de colaboradores, em especial nas obras. Para garantir a mesma qualidade dos serviços, transmitindo aos novos funcionários os valores e princípios da construtora, o volume de treinamentos também aumentou e o repasse tradicional (via papel/documento físico) têm se tornado cada vez mais burocrático, obsoleto e ineficaz. Diante desta realidade, a empresa desenvolveu um projeto e o submeteu ao Edital Sesi-Senai de Inovação de 2013, cujo objetivo era desenvolver uma ferramenta eletrônica para o repasse dos procedimentos aos novos colaboradores que chegam à empresa a cada dia. Tal ferramenta tem o objetivo de aumentar a eficácia dos treinamentos realizados com a equipe operacional das obras, através do uso de vídeos, imagens, gráficos e/ou desenhos que mostram a execução dos serviços na prática, 14 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • DEZEMBRO 2014 Realização de treinamento por meio de vídeos

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S EGURANÇA DO TRABALHO Proteções na construção civil A execução de medidas de proteção contra quedas de altura são de grande importância na prevenção de acidentes nos canteiros de obra, visto que tal fato é uma das principais causas de acidentes na construção. As medidas de proteções coletivas são adotadas para neutralizar os riscos presentes no meio ambiente de trabalho. A Norma Regulamentadora NR 18 apresenta no item 18.13 a obrigatoriedade das Medidas de Proteção contra quedas de altura, tratando das proteções coletivas e individuais. Podemos descrever algumas dessas proteções como as proteções em abertura de pisos, em periferias de lajes, as plataformas de limitação de quedas de pessoas e materiais e o dimensionamento para guarda-corpo e rodapé. As obras da construção civil têm um ritmo muito dinâmico de trabalho, em cada etapa da obra verifica-se uma necessidade de proteção. Há etapas em uma obra que são envolvidos trabalhos em altura e nesses momentos faz-se necessário a existência de cuidados especiais em relação à proteção contra quedas, tanto de materiais quanto dos profissionais envolvidos na atividade. O Equipamento de Proteção Individual (EPI) é o principal recurso utilizado para a proteção do trabalhador, mas as proteções coletivas (PC) priorizam medidas objetivas para evitar a queda de uma forma geral. Podemos sinalizar alguns dispositivos de proteção, tanto no plano vertical como no horizontal. No plano vertical temos os sistemas de Guarda-Corpo-Rodapé (GcR), sistema de barreira com rede, proteção de abertura de pisos, etc. No plano horizontal temos assoalhos, cabo-guia, etc. Além das proteções coletivas, as proteções individuais tam- RENATA rocha bém devem ser adotadas para priorizar a segurança do trabalhador que esteja executando sua atividade em setor de risco. Para isso são utilizados Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) específicos para as atividades em altura, como os cintos de segurança, trava-quedas, talabartes, mosquetão e outros. Quando a construção é superior a quatro pavimentos torna-se obrigatório a instalação de proteções contra queda de pessoas e projeção de materiais na periferia da edificação. Essas proteções são descritas como plataforma principal e plataformas secundárias em todo perímetro da construção, não esquecendo que entre as plataformas devem ser instaladas as redes ou telas, que funcionam como barreiras protetoras contra projeção de materiais. A instalação das plataformas devem obedecer aos itens 18.13.6, 18.13.7, 18.13.8 e 18.13.9 e todos os subitens. O material das plataformas de proteção devem ser resistentes e as mesmas não devem apresentar sobrecarga nem vãos entre as partes que as compõe. Implementar a cultura de segurança nos canteiros de obra não é só treinar e adquirir equipamentos de proteção é uma questão de mudança de comportamento e pensamento sobre o valor da vida, pois a prevenção de acidentes demanda uma mudança de comportamento não só do trabalhador, mas também dos gestores. A prevenção de acidentes contra quedas em altura é fator fundamental para a diminuição dos índices de acidentes e óbitos de trabalhadores no Brasil. RENATA SAMANTHA RIBEIRO ROCHA é técnica de Segurança do Trabalho do Sesi-GO e Sinduscon-GO DEZEMBRO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 15

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