Figuras&Negócios #155

 

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Figuras&Negócios #155

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U CARTA DO EDITOR reunidos, saber-se mudar para melhor o panorama da educação e o ensino em Angola. O governo não pode se escudar na falta de instrumentos para se ser enérgico na adopção de medidas que possam encontrar a solidariedade de toda a sociedade para se transformar a educação e o ensino num baluarte da pureza, qualidade e ética na formação do homem. Um dossier que escolhemos bem o momento da sua publicação, o mês de Novembro, o da independência nacional onde é sempre motivo para se reflectir sobre os feitos conseguidos desde o momento que o Pais conquistou o seu direito de figurar na lista de membro de pleno direito da Sociedade das Nações como livre e independente. Trinta e nove anos foram completados no 11 de Novembro, muitas vitórias foram alcançadas mas fica evidente que falta os angolanos trabalharem para a verdadeira reconciliação nacional depois de uma guerra fratricida violenta que deixou marcas. Construindo-se as bases para uma sociedade democrática, aperfeiçoando-se as instituições, reforçando-se o conceito de cidadania, é curial entender e compreender o respeito pela diferença de opiniões, a importância do contraditório na mira da construção de uma sociedade plural. É dentro desta linha que publicamos uma entrevista com o lider da Unita, Isaías Samacuva que escolheu o mês de Novembro para, uma vez mais efectuar uma digressão por alguns países do mundo e aproveitar a sua presença em Portugal para debitar declarações pouco simpáticas ao actual regime de Angola e que não colam bem a um lider da oposição com responsabilidades acrescidas no processo em curso. Temas diversos, da economia ao desporto, o leitor encontrará nesta edição no mês em que completamos também 15 anos de funcionamento regular. Um feito que longe de nos envaidecer, mais nos enche de responsabilidades nessa tarefa de formar e informar os leitores. m dossier sobre a educação e o ensino em Angola ocupa parte significativa da presente edição a justificar a importância que o assunto merece, fundamentalmente quanto a qualidade desses sectores na formação das pessoas e no desenvolvimento do Pais. É dado recorrente que o nível de ensino, hoje, é muito baixo, algumas causas estão localizadas pelo que urge encontrar terapias eficazes para se mudar. Na verdade, não é cômodo para o Pais continuar-se a apostar na quantidade de estabelecimentos de ensino, que não deixam de ser importantes, mas é fundamental, acautelar-se quanto ao nível dos actores directos na educação e formação do homem. Urge mudar radicalmente o ambiente que se instalou no País onde a linguagem mercantilista faz morada, quer nos estabelecimentos de ensino público ou privados, pelo que é chegado o momento de, com os ingredientes 4 Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014

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7. EDITORIAL A RESPONSABILIDADE DOS POLÍTICOS 10. PÁGINA ABERTA «ESTA AINDA NÃO É A ANGOLA QUE PRECONIZAMOS» 16. LEITORES TEMPOS MAUS PARA O MEU PORTUGAL 19. PONTO DE ORDEM O PAÍS QUE SONHAMOS 24. FIGURAS DE CÁ 28. CULTURA ROBERTINHO PREPARA NOVO DISCO 33. MUNDO REAL O DEBATE CONTRADITÓRIO NUMA NAÇÃO DEMOCRÁTICA 34. FIGURA DO MÊS TAÍS ARAÚJO 39. NA ESPUMA DOS DIAS GINDUNGO DO NOSSO ÍNTIMO 56. ECONOMIA & NEGÓCIOS DO BESA AO BANCO ECONÓMICO 64. CONJUNTURA "A UNIVERSIDADE ANGOLANA, NUMA ENCRUZILHADA EXIGENTE" 76. MUNDO DILMA ROUSSEFF A REELEIÇÃO QUASE MALDITA? 89. FIGURAS DE JOGO LIGAS PARA A LIGA RELAÇÕES EXTERIORES PODE TER NOVO ROSTO NA DIPLOMACIA POLÍTICA 20. 40. DOSSIER MODA & BELEZA 90. PARA ONDE CAMINHA A QUALIDADE DO ENSINO EM ANGOLA? 96. O RETORNO À IDENTIDADE CAPA: BRUNO SENNA VIDA SOCIAL MALANJE GANHA DOIS NOVOS HOTÉIS Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014 6

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KENYATTA DRIBLA TPI, COMPAORÉ ABRE A "PRIMAVERA" A SUL DO SAHARA ÁFRICA 68. 84. 100. 104. UNIÃO DO UÍGE E 1º DE MAIO QUESTIONAM SERIEDADE DA FAF DESPORTO FIGURAS DE LÁ RECADO SOCIAL OS DEPUTADOS NÃO QUEREM A "TV PARLAMENTO"? Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 155, Novembro – 2014 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa, Manuel Muanza, Rita Simões, Ana Kavungu, D.Dondo, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Produção Gráfica: Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola 7

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A RESPOSABILIDADE DOS POLÍTICOS a política não é muito salutar que os intervenientes privilegiem a luta entre o gato e o rato por ser ela uma ciência de muito responsabilidade e seriedade que, quando mal manejada, pode ter consequências negativas para os ambientes onde ela se desenvolve. No caso de Angola, por exemplo, cada vez fica mais evidente que urge saber utilizar os meandros do jogo que o mundo da política proporciona para não se minar o processo de reconciliação nacional que deve mobilizar o engajamento de todos os angolanos. Nem as rivalidades, parece que insanáveis, existentes desde há muito entre os dois maiores protagonistas da vida politica angolana, o MPLA e a Unita, nem tão pouco a cópia apressada com digestão mal feita de outros quadrantes podem constituir motivos fortes para acirrar contradições entre os angolanos que ainda não apagaram o pesado fardo de uma guerra fratricida que trouxe feridas nas famílias, só saradas em ambientes de concórdia e respeito mútuo. Está-se a construir em Angola uma sociedade democrática e nessa sociedade é claro e curial que se respeite o direito à diferença de opiniões.E os políticos têm responsabilidades directas na prossecução desses propósitos como os transmissores das mensagens que permitem as leituras quer daqueles que comungam os seus ideais como dos outros não identificados com a sua linha política. Agora em Novembro, o mês da independência nacional, podemos assistir a alguma «musculação» na linguagem dos integrantes dos dois maiores partidos políticos pouco saudáveis para o clima de convivência pacífica que se pretende, e isto só acontece porque na mente desses políticos o egoismo e a arrogância parecem querer falar mais alto quando os interesses da nação deverão estar acima de tudo. Concomitantemente, nesse frenesim, se «ressuscitou» a necessidade da contestação ao actual governo angolano saído das eleições democráticas, portanto legitimado para o exercicio do poder governamental até ao final da legislatura em 2017. As eleições que depois terão lugar é que ditarão os resultados de quem legiti- N EDITORIAL mamente continuará a governar Angola. Apadrinhar arruaças, sobretudo num País ainda sensível em função das cicatrizes da guerra fratricida abertas, não é de muito bom tom, pois os esforços dos angolanos devem estar virados para a produção e reconstrução de um País potencialmente rico mas que a intolerância levou à destruição e tem agora quase tudo para ser feito. Os políticos devem dar o exemplo.Mas, infelizmente, aquí ainda não é assim e mais grave é por serem dirigentes das maiores forças políticas a decidirem (cegamente?) enveredar pelo jogo do gato e o rato acreditando eles que esta é a forma mais segura para serem tidos como os melhores. Isso ficou evidente agora no mês da nossa independência onde Isaías Samacuva, numa atitude nada conveniente, a julgar reflectida pelas responsabilidades que tem no processo, decidiu escolher Lisboa, a capital da antiga potência colonial, para, uma vez mais "lavar a roupa suja" desancando no executivo do Presidente Eduardo dos Santos. A resposta também não se fez esperar por parte de militantes do MPLA, com Bento Bento, Primeiro Secretário de Luanda dos Camaradas, também com pouca habilidade no jogo de palavras, protagonizar um discurso ameaçador contra o adversário. Evidentemente que esse episódio teve imediatamente efeito multiplicador com clivagens de militantes ou simpatizantes de ambos os partidos a acontecer em vários pontos do País, agravados com as tentativas de arruaças sem fios condutores que não levam a sitio nenhum. Ficou evidente que os angolanos têm de fazer muito mais pela sua reconciliação e para isso o dialogo, o debate de ideias tem de ser constante para se discutir o que se pretende para o País. Não podem existir ideias pré-concebidas deste ou daquele e é preciso respeitar a opinião dos outros. Não se pode ressuscitar os argumentos que levaram os angolanos a se guerrearem. No terror das palavras, na maior parte das vezes, cria-se o ambiente para se acender o rastilho do confronto violento que pode sacrificar mais vidas de pessoas. E não é isso o que os angolanos pretendem, não é isso que se quer dos políticos que hoje temos como protagonistas do nosso processo de paz e reconciliação. Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014 9

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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES REPÚBLICA DE ANGOLA LISTA DE AGENTES DO CNC Contact: Mrs. Ilse Fliege Martinistrasse.29 D-28195 Bremen Telf: (49) 421 339 365 Fax: (494) 213 393 699 Email: management@asa-services.net/ t/ t/ bremen@asa-services.net Germany, Poland, Lithuania, Latvia, estonia, Russia, Ukraine, England, Ireland and Scotland ASA GMBH HEISEI SHIPPING AGENCY Contact: Mr. Sawamoto Shiba Nishi Bldg, 6F 9-1 Shiba 4-Chome, Minato KU Tokyo Telf: (81)354765771/(81)354765710 Fax: (81) 354 765 711 Email: ops@hship.co.jp Japan FRABEMAR BEACON & SOUTH ATLANTIC AGENCIAMENTOS LTDA Contact: Mr. Franco Bernardini Ms Sara Pizzo Viale Brigate Partigiane 16/2 16129 Genoa Italy Telf: (390) 105 533 011 Fax: (39) 010 541 458 Email: dbernardini@frabemar.it/mbernardini@frabemar.it Italy and spain Contact: Sr. Thiago Lima, Srª Ana Quast, Sr.José Vela D. Silva Rua do Comércio 55 - SI. 61/63 / CEP: 11010-141 - Santos - SP / Brasil Telf: (55) 13 30234255 Fax: (55) 13 30234270 Email: thiago@beaconsouth.com.br/ br ana@beaconsouth.com.br/ br/ br br/ marilinda@beaconsouth.com Brazil SCC Contact: Mr. Duarte Miranda Mr Miguel Camelier Silva R. de Moscavide, Lt 4.28.02, Loja A - Parque das Nações - 1990-198 Lisboa Telf: (351) 218 947 140 Fax: (351) 218 945 145 Email: lisboa@scc.com.pt/ t m.camelier@scc.com.pt t/ Portugal MITCHELL COTTS Contact: Ms.Marisa Sidorak Calle Lima 29, Piso 3, Oficina I. Buenos Aires Argentina Telf: (54) 11 48780668 / (54) 11 48780669 Fax: (541) 143 811 713 Email: marisa@angomar.com.ar/ ar/ ar luis@angomar.com.ar Argentina, Bolivia, Colombia, Ecuador, Peru, Ungria Paraguay and Venezuela ANGOMAR AGENCIA MARÍT Í IMA SRL ÍT Contact: Ms.Nadia Titton 11th Floor, Grindrod House 108 Victoria Embankment Durban P.OBOX 1021 Durban 4000, South Africa Telf: (27) 313 027 189 Fax: (27) 313041752 Email: nadia@mitchellcotts.co.za;/nigels@mitchellcotts.co.za Republic of South Africa, Namibia, Swa w waziland, Zimbabwe w we, Mozambique, ilhas Mauricias, Tanzania and Kenya SEAWAY EXPRESS CO, LTD OIC SERVICES INC. Contact: Ms.Phornsri Simavanichkul 718/ 718 6 Soi Suanplu, South Sathorn Road, Sathorn, Bangkok 10120 Telf: (66)267933456 (66) 67947979 (66) 26794019 Fax: (66)26794018/ 18/ 18/ (66)22131125 Email:phornsri@ksc.th.com Thailand, Myanmar and Laos Contact: Mrs. Veronique Durnerin B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (18) 329 126 820 Fax: (18) 329 126 864 Email: vdurnerin@oicservices.com/info@oicservices.com USA and Mexico Contact: Mr.Sylvain Lepage Mr. Hugo Bourassa 1695 Boul. Laval, Suite 330 - Laval, QC - H7S 2M2 Telf: 1 (450) 975 2058 Fax: (14) 509 752 125 Email: s.lepage@transgloballogistics.ca/ a h.bourassa@transglobala/ logistics.ca Canada TRANSGLOBAL Contact: Mr. Schreurs Philippe Square de Meeus 38/ 38 40 - 1000 Bruxelles, Belgique Telf: (32)24016139 Fax: (3) 224 016 140 Email: office@technimar.net Belgium, Netherlands and Luxemburg TECHNIMAR 10 Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014

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Contact: Mr. Willy Deku P.O. BOX CT 2878 CANTONMENTS ACCRA Fax: Telf: (23)322210509 (23)3243715976 (23)3208116762 Fax: (23) 322 210 509 Email: wilmardel@ighmail.com/ wildeku@yahoo.com Benim, cameron, Ivory Coast, Gabo, Ghana, Equatorial, Equatorial, Guinea, Nigeria, Senegal and Togo WILMARDEL LTD TIME OCEAN SHIPPING LIMITED Contact: Ms.Wang Yue I 19/F, International Ocean Shipping & Finance Center, No. 720 Pudong Avenue, Pudong New District, Shanghai - China Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China WILHELMSEN HYPWOON SHIPS SERVICE LTD Contact: Mr.K.S. Lee 12th floor, Doryeom Bldg., 60 Doryeom-Dong, Jongno-Gu, Seoul Korea Telf: (82)237030801 Fax: (8) 227 388 130 Email: k-s.lee@wilhelmsen.com South Korea Contact: Mrs.Diane Carole Makiza B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (2) 426 481 016 Email: aladin.services.congo@yattoo.com Congo ALADIN SERVICES CONGO SAGA SHIPPING Contact: Mr.Leo Mikkelsen Auktionsvej 10 9990 Skage Dinamarca Telf: (4) 598 443 311 Fax: (4) 598 450 029 Email: saga@saga-shipping.dk/ k k/ Denmark, Finland, Norwa w y and Sweden wa w weden Contact: Mrs.Yasemin Uyar ISTOC 18 ADA NO:120 BAGCILAR ISTANBUL-TURKEY Telf: (902) 124 823 743 Fax: (902) 124 827 757 Email: info@dsf-cnca.com/ yasemin.uyar@dsf-cnca.com Turkey DSF DOLPHIN CHARTERING SERVICES PVT PV . LTD Contact: Mr.Subodh Joglekar 405, Gokul Arcade. A-Wing. Vile Parle (East). Mumbai 400 057, INDIA Telf: (91)2228368825/ / (91)2228368827 Fax: (912) 228 361 849 Email: dolphin@dolphinchart.com India WAB CORP MARINE TRANSPORT SERVICES (L.L.C.) Contact: Ms. Vivian Fernandez z Mr. Hussein El Zein Platinum Business Center Offices No 606/607, 6th Flr. Bagdad Road, Al Nahda 2nd P.O Box 172203 DUBAI - United Arab Emirates Telf: (97) 142 583 529 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wab wabcorporation.com/ wab@ wabcorporation.com w w w Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria FOREMOST LINE LIMITED Contact: Mr. ST Chen Chuang Thio Beijing Office 2708-07, Tower C, Office Park 5, Jianghai South Street, Chaoyang District, Beijing China 100020 Tel: (85) 225 418 671 Email: foremosthk@foremostline.com China WAB CORPORATION Contact: Mr. Hassan Yahfoufi, Ms. Abeer Ashour 2931, Airport Business Center, 4th Floor #402 Beirut, 2814-4105 Lebanon Telf: (9) 611 458 825 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria SIN CHIAO SHIPPING AGENCY PTE LTD MARITRADE SHIPPING CONSULTANT SAS Contact: Ms.Nadia Berkane 10,Rue du Colisée, 75008 Paris Telf: (330) 156 591 640 Fax: (330) 156 591 642 Email: maritradesas@yahoo.fr France Contact: Mr.Thio.S.T 12 Prince Edward w Road #03-13 Podium B Bestwa ward w y Building wa Singapore 079212 Telf: (6) 562 241 011 Fax: (6) 562 242 775 Email: sinchiao@pacific.net.sg;/sthio@pacific.net.sg Australia, Indonesia, Malaysia, New Zealand, Philippines, Singapore, Bangladesh, Pakistan and Srilanka HT TRADE-COOPERATION AND TRANSPORT T JOINT T STOCK COMPANY Contact: Mr.Le Thiet Thao 31ª, Rua Nguyen Khuyen, Destrito Dong Da, Hanói, Vietnam Telf: (04) 374 783 47 Fax: (04) 374 716 42 Email: sociedade_ht@cnca.vn Vietnam and Cambodja SAN LIAN SHIPPING Contact: Mr.Lu Suen Yu 11/F, Ngan House, - 206/210 / /210 Des Voeux Road Central - HONG KONG Telf: (86)2150366097/ 7/ (86)2150366098 7/ Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014 11

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PÁGINA ABERTA O Presidente da Unita, Isaías Samacuva está a fazer, uma vez mais, uma digressão por vários países do mundo, segundo ele para contactar amigos do seu Partido e cumprir compromissos internacionais. Nas declarações públicas que fez, Isaías Samacuva não escondeu que o seu Partido quer ser poder já no próximo pleito eleitoral e aproveitou a oportunidade para criticar a política do Executivo liderado pelo Presidente Eduardo dos Santos. Ele não ignora os benefícios da paz hoje visíveis em vários pontos do País mas acha que se poderia fazer muito mais se existisse mais verticalidade e honestidade dos políticos, sobretudo daqueles que têm a responsabilidade de governar Angola. De Cabo Verde, um dos pontos da sua passagem, Isaías Samacuva acedeu conversar via email com o jornalista e director da revista, Victor Aleixo. O relato da entrevista: Por: Victor Aleixo (Texto) Fotos: George Nsimba e cedidas pelo entrevistado ISAÍAS SAMACUVA, PRESIDENTE DA UNITA &N - Li que o senhor foi a Portugal para cuidar dos seus dentes. Não acredita na saúde do seu País? Não será contransenso condenarem os dirigentes do MPLA por volta e meia irem ao estrangeiro para tratar da sua saúde e vocês, particularmente o senhor, na calada seguir a mesma prática? Isaías Samacuva (IS) - Não é verdade. Não saí do País para tratar dos meus dentes, nem vim a Portugal para este efeito. O meu périplo começou na África do Sul, passei pela Inglaterra e Portugal e agora estou em Cabo Verde. Como já deve ter reparado pelas notícias que certamente são do conhecimento público, tenho estado a cumprir uma agenda bastante carregada de contactos privados e públicos que só vai terminar dentro de duas semanas. Quanto ao Sector da Saúde do meu País, eu gostaria de acreditar nele mas quando verifico que a maioria dos meus compatriotas procura, sempre que reúna meios para tal, tratar-se nos hospitais da nossa vizinha Namíbia ou da África do Sul, do Brasil, de Portugal ou de outros países, chego a pensar que algo está errado no sistema de saúde do nosso País. Ademais, os próprios responsáveis do País não se tratam nos nossos hospitais. São os primeiros a procurarem os hospitais dos outros países. Acho que isso não resulta apenas da busca do luxo mas porque o nosso próprio País ainda não consegue satisfazer cabalmente as nossas necessidades no sector da Saúde. Nós criticamos a prática de recorrer aos hospitais do estrangeiro, porque gostaríamos de ver os nossos hospitais com a mesma qualidade dos de fora. É que nem todos terão possibili- F dades de procurar os hospitais de fora do nosso País. Afinal, temos de olhar para a maioria do nosso Povo que é pobre e que não tem possibilidades de se deslocar para o estrangeiro. Por outro lado, potenciar os hospitais é também contribuir para a economia do nosso País, porquanto as visitas aos hospitais dos outros, facultam-lhes empregos que, se nos tratássemos no nosso País, deviam ser facultados aos nossos compatriotas. Quanto a mim, pessoalmente, devo dizer que, felizmente, a minha saúde ainda me permite estar ausente dos hospitais, procurando-os apenas para os chamados “check-up”. Mas devo dizer que, várias vezes, tenho sido aconselhado para evitar os nossos hospitais, por motivos de segurança. Dizem-me que nos comités de especialidade há pessoas interessadas em saber onde costumo me tratar, pelo que devia – acrescentam – fazê-lo com as devidas precauções, caso viesse a precisar de ir a um hospital. Veja onde chegamos! F&N - Não reconhece os esforços que o governo tem feito na área da saúde? O que deveria ser feito,na sua óptica e que o governo não faz de forma a credibilizar-se a saúde? IS - Por aquilo que constato quando viajo pelo País, devo dizer que, nos últimos anos, o Governo desenvolveu um programa que dotou o País com infra-estruturas sanitárias que poderiam minimizar as necessidades dos cidadãos no campo da saúde. Infelizmente, um hospital não é apenas uma estrutura física. Os hospitais são as estruturas físicas, os médicos(as), os enfermeiros(as), o medicamento, as condições de trabalho criadas para o pessoal médico, etc., etc. Porém, por onde temos passado, os cidadãos lamentam o facto de que, segundo eles, «ESTA AINDA NÃO É A ANGOLA QUE PRECONIZ 12 Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014

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PÁGINA ABERTA os hospitais nem sempre têm profissionais da saúde em número que facilite o atendimento. Do outro lado, dizem que os hospitais não têm medicamentos e que, quando estes aparecem, acabam por ser transferidos para as farmácias de dirigentes que os vendem a preços que o cidadão comum não consegue suportar. Também as relações humanas entre alguns profissionais de saúde e os pacientes são, de uma forma geral, referidas como sendo péssimas, ou seja, os cidadãos queixam-se de ser mal tratados e de não encontrarem o acolhimento que um doente precisa. Do lado dos profissionais da saúde também encontramos muitas queixas, principalmente no que diz respeito às condições de trabalho e aos salários que lhes são atribuídos. Muitos deles enfrentam dificuldades no que diz respeito ao seu alojamento lá onde trabalham pois, em muitos casos, são originários de regiões ou localidades distantes das do seu posto de trabalho. Outro aspecto que me parece de extrema importância, é o facto de que a saúde passou a ser um negócio muito lucrativo. Então, como consequência, verifico que, em muitos casos, o profissional de saúde está mais preocupado com o número de pacientes que atende por dia, ou seja, está mais preocupado com a facturação diária e não tanto com a atenção que deve dispensar ao paciente. Enfim, há uma série de aspectos, uns mais importantes que os outros, que precisam da atenção dos responsáveis deste sector tão importante para a vida dos cidadãos. Mais investimento para ultrapassar as lacunas que mencionei e outras que não mencionei. Também precisamos de mais humanismo, mais solidariedade e de mais carinho dos que tratam da nossa saúde. Estes são apenas alguns aspectos de que a nossa saúde carece. ZAMOS» Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014 13

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PÁGINA ABERTA F&N - O senhor foi muito crítico na réplica à Mensagem sobre o Estado da Nação do Presidente Eduardo dos Santos. Justifica-se assim tanta rispidez? Não teme que essa linguagem musculada, muito frequente nas declarações de dirigentes dos dois maiores partidos politicos, possa minar o caminho da reconciliação dos angolanos? IS - Honestamente falando, acho que o problema com que nos confrontamos é saber se devemos chamar as coisas pelos seus verdadeiros nomes com o objectivo de chamar a atenção de quem precisa entender que não aceitamos ser ludibriados ou se apenas nos devemos calar perante tanta mentira, tanta desonestidade e tanta injustiça para agradar quem nos quer ver ludibriados. A minha réplica ao discurso do senhor Presidente da República sobre o Estado da Nação consistiu apenas em transmitir o nosso ponto de vista sobre o Estado da Nação. Sendo réplica, teve de se basear nas afirmações do senhor Presidente da República, expondo os nossos pontos de vista que, por sinal, são diferentes dos do senhor Presidente. Naturalmente, tivemos de dizê-lo, explicando e fundamentando as razões que marcam a diferença entre o nosso ponto de vista e o do senhor Presidente. Acho que o relacionamento entre a UNITA e o MPLA precisa de ser revisto na medida em que, ao invés de viverem o presente, há sectores que estão continuamente fixados no passado. Uns e outros precisam de compreender que Angola é o nosso berço comum e que ninguém é mais que o outro. Todos somos filhos deste País, todos temos os mesmos direitos e deveres e que, sobre o passado, culpados fomos todos, vítimas fomos todos e responsáveis fomos todos. Agora, temos de virar a página e fixarmos os nossos olhos no futuro que deve ser construído cada dia que passa com actos práticos que consolidam o processo de reconciliação nacional. O futuro a que me refiro, não será construído e nunca chegará se alguém pensar que os outros vivem graças a ele. Do mesmo modo, este futuro nunca será presente se for baseado na bajulação, na falsidade e em estereótipos. A reconciliação nacional exige frontalidade, verdade, justiça e reconhecimento mútuo que gera respeito mútuo. F&N - O senhor tem feito digressões pelo interior do País e tem sido alvo de banhos de massa. É isso que o faz acreditar que está próximo o caminho para se tornar Presidente da República? IS - De facto tenho viajado pelo País inteiro e constato com satisfação que a implantação da UNITA no País é satisfatória e que esta granjeia do apoio cada vez maior de uma grande franja do Povo Angolano. É verdade que por todo o lado por onde temos passado, somos alvos de grandes banhos de massas populares. Esta realidade, infelizmente, dada a parcialidade que caracteriza os meios de comunicação social públicos, é pouco conhecida no País. Devo dizer que apesar desta realidade, que para nós é bom sinal, vamos continuar a trabalhar para garantirmos a vitória do nosso partido nas próximas eleições. F&N - O adiamento da realização das eleições autárquicas não é conde pôr em andamento o processo das eleições autárquicas. Esta proposta foi mantida em silêncio, pela Assembleia Nacional, durante muitos meses e depois de muita pressão foi levada ao plenário só para ser chumbada e não para ser debatida. Do outro lado, as condições mencionadas recentemente pelo senhor Presidente da República como sendo essenciais para a preparação do processo autárquico, englobam questões básicas que todos já sabiam ser indispensáveis para se organizar eleições autárquicas. Por isso, só a falta de vontade política – para não dizer falta de honestidade – que justifica esta manobra. Alguns dirão que a pressão que tem sido feita não é suficiente ou que não é a mais adequada, pelo que devíamos levantar o Povo para manifestar, exigindo a realização das eleições autárquicas. Também é uma forma que, entretanto, nós reservamos para último recurso, dadas as consequências colaterais que tal caminho pode originar. Nas nossas decisões, nós procuramos ter sempre em mente, o nosso (nós os angolanos) passado recente e agir com ponderação e responsabilidade. Através dos grupos parlamentares, temos mantido contactos na Assembleia Nacional sobre este assunto. O nosso objectivo é exatamente de adotar estratégias comuns para contornarmos a posição do partido maioritário. F&N - Como está a "saúde" da Unita, atendendo que tenho lido nos jornais que o Partido está a perder vários militantes? IS - Como já disse atrás quando me referi aos banhos de massas a que a UNITA tem sido submetida nos últimos anos, posso dizer que a "saúde" da UNITA está boa. É por isso que de tempos em tempos, o partido que sustenta o Poder fabrica histórias de deserções de militantes da UNITA. Na realidade, estas histórias são mesmo fabricações. Vou citar dois exemplos que foram recentemente referidos pela Comunicação Social Pública: • – Fez mais ou menos um mês e meio ou um pouco mais, quando a TPA passou uma peça onde anunciava que mais de mil militantes da UNITA, da comuna da Chinhama no município de Kachiungo, Província do Huambo, teriam passado para o MPLA. Na tentativa de sustentar esta afirmação, passou imagens do que teria sido um comício de apresentação dos referidos deser- “ Quanto a mim, pessoalmente, o adiamento das eleições autárquicas resulta apenas da falta de vontade política do senhor Presidente da República. Penso que não se pode culpar mais ninguém” sequência da falta de estratégia das forças políticas que não sabem fazer "os deveres de casa" e se preocupam com as acções em "cima do joelho", quando se sabe que até agora o pacote jurídico para sustentar esse processo não foi feito? IS - Quanto a mim, pessoalmente, o adiamento da eleições autárquicas resulta apenas da falta de vontade política do senhor Presidente da República. Penso que não se pode culpar mais ninguém. A oposição fez e tem feito o que pode fazer para que as eleições autárquicas fossem realizadas. Sabendo que a sua realização, no nosso País, ainda carece de um pacote legislativo que regule diversos aspectos que o processo e o sistema autárquico requer, além de pressões de vária ordem, a UNITA apresentou à Assembleia Nacional uma proposta de lei como forma 14 Figuras&Negócios - Nº 155 - NOVEMBRO 2014

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