Os Confrades da Poesia 65

 
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Boletim Poético Os Confrades da Poesia

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 65 | Novembro / Dezembro 2014 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 « Natal / Ano Novo » EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Ana Santos João da Palma Fernandes Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 «A Voz do Poeta» Meninos sem Sonhos. Caravelas do Gama Ousando a glória e fama Nosso herói Vasco da Gama Ergueu no Restelo as velas Num velho sonho do Infante Com rumo à Índia distante Partiram as caravelas. Régias naus São Rafael Bérrio e São Gabriel Largaram para tal proeza Na praia triste a chorar Fica a Gente a censurar A audácia de tal empresa. O Povo em contradição P’la voz do mito que então Foi o Velho do Restelo Quis impedir a viagem Mas o Gama com coragem Resistiu a tal apelo. A frota e navegadores Enfrentando adamastores Nesse mar de mil tormentos Chega à Índia com glória Gravando a ouro a história Dos nossos descobrimentos !... Euclides Cavaco - Canadá No insondável olhar, povoado de medos e perplexidade... Abrem-se janelas para um vazio interior em desalinho, Em paisagem d’espectros hediondos de morte, de dor, Sem amanhã, amor, carinho…ou de pão um pedacinho! Os olhos aos escombros, à desolação...se habituaram! A um incógnito deambular sem destino…cruelmente!... Num mundo despido de sorrisos, de sonhos de criança… Por adultos, governado, o mundo...impiedosamente! Filomena Gomes Camacho - Londres A mulher Mulher tem suas armas, suas manhas, Porém, se ama, acredita em quaisquer juras Capaz de mil carícias e ternuras, Mas não pactua com outras estranhas. Ela sobe às mais íngremes montanhas, Dessimulando as ânsias e as tonturas, Por seu homem, suporta mil agruras Com fé, entrando em todas as façanhas. Mulher, força do homem, protectora, Que é companheira, amante, uma senhora, Diáfana visão, quando amanhece. Se, acaso, alguma zanga surge, à toa, O homem pode esquecer, mas não perdoa, Mas a mulher perdoa e nunca esquece. António Barroso (Tiago) - Parede Outono é Beleza Dá o verde lugar à cor garrida Com que a terra pintaste e coloriste, Apesar da mudança, não é triste O que ofertas ao Verão na despedida. Não és morte, a morte não existe, És a preparação de nova vida… A terra rejubila, agradecida, Pelo vermelho e mel que lhe vestiste! Até o Sol, que é rei celestial, No tapete de folhas que se espalma Participa feliz e cordial! És interregno, convidando à calma E até no ar frio, outonal, Ver-te, cheirar-te, nos aquece a alma!! Carlos Fragata – Sesimbra As Zangas Zangas não quero, nem sequer pintadas, mas se vierem que seja brincadeira ou a não ser, que sejam esconjuradas quaisquer quezílias que só dão besteira. Zangas são sempre males contagiantes, secreções de um mau génio arruaceiro. Geradas sempre por causas aberrantes deixam duras mazelas de permeio. Bastas no mote, mas falhas na razão, as zangas nada trazem, não mais são que patetices frouxas e vazias. Mas há que ter cuidados redobrados pois podem constituir-se em feios fados que tornem dolorosos nossos dias. Eugénio de Sá - Sintra Enleados..... tombaram nas águas do mar Crepitar de ondas .....e a maré subia..! Horizonte de Luz que partia..... Corrente de palavras quentes.....Luar!? Manuel Silva - Fogueteiro “Podem me impedir de escrever, mas de pensar, jamais “ (JC Bridon)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 3 «Olhos da Poesia» Vida de Afectos O nosso amor minha qu’rida Foi crescendo em toda a vida E foi ganhando vigor!... Tão felizes como dantes Partilhamos como amantes Nossos segredos de amor. Hoje como no passado Nós estamos lado a lado E o nosso amor não mudou, Só que temos mais idade E a provar a realidade O cabelo branqueou!... Qu’ria ser novo e voltar Outra vez a partilhar Contigo os mesmos segredos, Seguir o mesmo caminho, Construir o mesmo ninho Que é berço de sonhos ledos. Na nossa vida de afectos Temos filhos, temos netos Que são a nossa riqueza... E que valem muito mais, Que certos bens materiais Que a muitos dão grandeza. Isidoro Cavaco - Loulé Gene da iniquidade Tanta lágrima, tanta dor, Tanto cálice de amargura, Tanta prece de queixume, Por falta de lealdade; Mas, todos nós somos lume, Na fogueira da maldade! Ninguém se deve arvorar Em ser dono da verdade: Somos passíveis de errar, Assim é a humanidade! Se metade de nós é amor, Não o é a outra metade: Todos, seja lá quem for, Tem o gene da iniquidade! São Tomé - Amora Não venhas para mim nessa doçura A beijar-me o pescoço com fervor, Nem me abras a camisa com brandura Para afagar-me o peito com ardor Tu agarras-te a mim, feita ternura, E transmites-me o teu doce calor. Há nesses lábios uma tal mesura, Que eu chego a acreditar que és toda amor. Sentes prazer na minha excitação, Procuras aumentá-la, pouco a pouco, P'ra que eu perca a cabeça sem demora, Sem poder resistir à tentação. Depois, quando me vês já quase louco, Sorris sadicamente e vais-te embora. Tito Olívio - Faro Meu Lugar O meu lugar cativo está no Além, que este daqui, por marco provisório, tem seu tempo marcado, transitório, é morada perpétua de ninguém. Estamos de passagem, mas porém, não é caminho vão, de todo inglório, pois se revela p'ra alma sanatório de erros passados - carma que detém. Na breve estada cabe-nos saldar o "deve" e "haver" de vidas já vividas na displicência própria dos infantes; sair da senda dos ignorantes, crescer na luz das chances concedidas, p'ra ganharmos, enfim, "nosso lugar". Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Canta Angola Angola tem que ser sempre cantada por todas as gerações. Angola é Vida, eternamente inesquecida, enriquecida por todas as heranças deixadas por seus filhos, na sua geração. José Jacinto "Django" Vida e Bolhas A vida e as bolhas se parecem quando se sopra uma bolha ela explode Na vida das pessoas assim acontece As vezes explode outras implode. Vidas felizes são bolhas dançantes que explodem em alegres cores Vidas infelizes são bolhas murchas...findantes que trazem depressão e dores. Sejamos alegres e coloridas bolhas cantando rindo nos alegrando Amando as flores e também as folhas quando a hora final chegar...vamos embora dançando. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil Cuidado, cuidado…é com o descolonizado de hoje! não vale desculpa com o passado. não há saudosismo, não tem retornado.. Saudade não é pecado. Quem te coloniza tá no teu lado, do outro lado da rua. Na mesma, nestes dias. Na tua...memo aí. José Jacinto "Django" “O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar” - (Charles Chaplin)

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4 | Os Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | | Novembro / Dezembro 2014 «Confrades» As Janeiras Vamos cantar as Janeiras, vamos cantar? E, assim, de porta em porta, tradicionalmente, Em tantos grupos dispersos, de lar em lar, Por esse país fora, canta a nossa gente. Mas no meu Alentejo, a tradição de outrora Centrava-se em Janeiro, mais p’ro dia seis, As vozes afinadas iam, ruas fora, Dizendo poemas dos Cantares dos Reis. Quase de casa em casa, o dono se invocava, Com direito a bolo, tinto e salgadinho, Depois a comitiva lá continuava No cheiro que vinha da porta do vizinho. Aqui era a morcela feita da matança E o chouriço com tempero de pimentão Com o pão de trigo, que ia enchendo a pança, Num obrigado arroto de satisfação. Os instrumentos musicais eram só três, As vozes comandadas pelo Zé António E o pote de barro roncando toda a vez Que o Chico da Praça tocava no harmónio. Mais além, e num terreiro desabrigado, Iam-se buscando alguns ramos de oliveira Para, então, se fazer um monte improvisado Que aquecesse a alma ao calor duma fogueira. Depois, o grupo recomeçava os cantares Com lindos versos tirados da tradição, Vozes lançavam acordes pelos ares, P’las goelas ia escorrendo o garrafão. E cantava-se ao Deus menino que surgia Em cada coração envolto num sinal, Que todas as canções e toda a melodia Ainda estavam carregadas de Natal. Todas as recordações são como os amantes Que olvidam o passado e vivem cada hora, E eu gostaria de voltar ao que era dantes, Ao meu Alentejo das tradições de outrora. António Barroso (Tiago) - Parede - Portugal http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Companhia Infinita Amigos não se perdem, só se ausentam E testam, sem nenhuma precaução, As nossas solidões que se alimentam Do que a lembrança traz... por distração. Não partem os amigos de verdade... Nosso abandono, sim, quer companhia E quando a solidão sente saudade Invade o coração, por rebeldia. Amigos de verdade compreendem Ausências... e a distância eventual Desperta emoções que surpreendem A essência do amor mais fraternal. E o modo mais sensato de lembrá-los , É tê-los no peito, no pensamento, É muito mais que vê-los, é amá-los Na dimensão maior de um sentimento. Amigos verdadeiros colecionam Saudades nos seus cofres de sorrisos A cada vez que eles se emocionam, Desfazem abandonos imprecisos. Amigo...cada vez que a saudade Te traz, meu coração não te procura... Apenas bebe, da felicidade Teu coração repleto de ternura. Pois sei que a cada vez que te visita A minha mais bendita abstração, A tua companhia infinita Habita outra vez... meu coração. Luiz Poeta – RJ/BR Tributo Pois é… Somos uma “Tribo” especial, Que não tem nada de tribal. Impressionante, né? As várias cores são mais brilhantes Que os mais valiosos diamantes, Que valem menos que Nós. Nós, para quem, o Centro do Universo é lá. Ponto de partida, Nosso. Tem um vento seu que “nos “merenga”, com um triplo fole de marimba, batuque e quissanje E nos apresenta como mana uma rosa de porcelana e diz: Mano; “chegámo, somo di Malanje”. “Fixe…senta aí, mesmo depois de tanto tempo Ainda não te esqueci”. Mantêm a fogueira acesa e alimenta a Nossa Chama, ilumina os caminhos, no lado deixa o capim, e no assobio um aviso: temos que chegar ao Fim! Pois é … Só assim continuaremos a vencer e a não pagar renda e a fazer o visitante dizer: F… que é de Malanje". José Jacinto "Django" Sósia de Mim Sósia de mim, fui tua inquietação, o véu que te ensombrava a realidade, o desespero, a fúria da ansiedade, o tumulto enciumado da paixão. A duvidosa sombra da ilusão, o medo tenebroso da inverdade, pla chaga que sangrando falsidade, cerrara para o amor teu coração. Depois… A luz, a crença devolvida de que sempre é possível achar vida latente entre os destroços da dormência… Abrir os olhos à clarividência, recuperar, enfim, a fé perdida, e unir dois corações na mesma essência. Carmo Vasconcelos - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 5 «Retalhos Poéticos» A uma folha de papel (poema em versos brancos) Uma folha de papel, branquinha e lustrosa... Sentia-se triste, tão despida e fria, como folhas irmãs que via caídas, de seiva esvaídas, e inertes no chão... Esperando, sem esperança, que algum vento amigo as envolva e dê vida e as leve a planar pelo vasto horizonte como o andorinhão. O outono chegara... O tempo esfriara... E a tal folha branca, com tanta humidade, já perdera cor e até enrugara!. Mas eis que um poeta de mãos calejadas e trato suave na folha pegou... Com carinho a alisou... E com versos sentidos falando da vida da dor e do amor lhe deu nova vida sentido, alma e cor. E a tal folha branca que era triste e vazia... Não quis ser dobrada tão pouco rasgada... Num farfalhar “mudo” e por gratidão... A folha, vaidosa, não deixou, contudo, de ao poeta da vida, que lhe deu alma e vida mais brilho e mais cor... Feliz e orgulhosa... Um beijo pedir! Abgalvão - Fernão Ferro Eu sou Eu sou!?... Eu sou aquilo que sou, E não aquele que querem que eu seja! Não me importa o ângulo por onde me veja... Foi Deus que disse; assim seja. Eu sou aquilo que sou, Aquilo que ninguém me fez ser... Eu sou aquilo que sou e serei até morrer! Foi Deus que disse; é este o Meu Querer. Não quero ser outro qualquer, Nem me façam ser de outro jeito... Porque eu sou assim cá dentro do peito! Foi Deus que disse; está feito. Na alma e no coração... Eu sou aquilo que eu sou, - E disso eu não abro mão, e está encerrada a questão! Foi Deus que disse; é este o teu condão. Eu sou aquilo que eu sou, Enquanto o meu ser me sustenta, Este corpo de cor incolor quase isenta... Foi Deus que o disse; quando me deu água benta. Transparente a todos vós, Trago genes dos meus avós, Que já passei aos meus filhos, Foi Deus que disse; aqui tens os teus cadilhos. - Iguais serão os meus Netos! Que vão em busca dos trilhos, Que vivem o seu teorema, A quem deixo este poema, E... em herança dos meus afetos. Eu sou aquilo que sou... E não aquilo que fui, nem aquilo que eu quis ser. Já esqueci o passado... sou só eu aqui ao meu lado! Foi Deus que me fez assim moldado. Silvino Potêncio – Natal / Brasil Olhar Olhar doce... Dá segurança... Olhar meigo... Ajuda a superar... A vida... A tristeza... A solidão... Mas... Ao ver os olhos... De verdade... E de Amor... Sentimos... Que os olhos... São mesmo... O espelho da alma… Lili Laranjo - Aveiro Joli vem agradecer. A ladrar no seu falar Por todos é admirado Se vai à baía nadar!? Fica todo consolado! Se na praceta sujar É um cão a bem-dizer Ao ver seu dono a limpar Joli vem agradecer… Lahnip Nossa Mãezinha Maria... Doce e adorada mãezinha, Ajoelho-me perante ti neste momento, Quero agradecer minha terna rainha, Todo beneficio que tira meu tormento. Ora és Maria...Cheia de GRAÇAS amada. Nos momentos de conflitos DA APARECIDA, Sempre serás...NOSSA IMACULADA... DESATADORA DE NÓS de nossa vida. És DA GLORIA e DA ANUNCIAÇÃO... Mãezinha DOS AFLITOS, és nosso ninho, DO ROSÁRIO, nossa glorificação... DOS REMÉDIOS, bendita és no caminho. De FÁTIMA e De GUADALUPE nos conduzindo. AUXILIADORA neste nosso caminhar. Seu SAGRADO CORAÇÃO nos reluzindo, Trazendo sempre PAZ ao nosso passar. Ângela Maria Crespo – Santos/Br O Amor E Seus... O amor e seus antigos teoremas, o sexo e sua atual praticidade. Aquele a reciclar seus velhos temas, este outro a derramar felicidade. O amor e seus caóticos dilemas, o sexo e sua tátil realidade. O primeiro a inventar, criar problemas, o segundo a fruir em paridade. O amor, suas mentiras-desenganos. O sexo e seu querer, por entre enganos, apenas enxertar o seu intento. O amor sempre a buscar eternidade, o sexo a vindimar suavidade por entre as belas uvas do momento. Laerte Antônio –Casa Branca-SP-Brasil

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | | Novembro / Dezembro 2014 «Confrades» Espírito de Natal O Natal se aproxima Um espírito de paz E confraternização se instaura. Crianças se empolgam Antevendo presentes. A televisão faz chamamentos, As famílias enfeitam as casas, Tudo parece em comunhão. Parece que todos serão felizes. Papai Noel é o centro das atenções. Pois neste Natal, mais do que nunca Desejo lembrar Jesus. Que nasceu pobre, assim cresceu, Sofreu e morreu e amou a todos, Sem importar se pobre ou rico, bom ou mau, Preto ou branco, judeu ou não. Quero lembrar Jesus Para nunca esquecer de agradecer, Pela família que formei, Pelos filhos que tive Pelos amigos, pelo trabalho, por tudo Que somei nesta vida. Quero agradecer neste Natal Pelas novas razões de viver, Pela renovação da esperança Com Marina, Otávio, Francisco, Augusto E Amanda. Amados todos! Isabel C S Vargas - Pelotas-RS-Brasil http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Teu nome, Isabel Menina e moça mulher jovial e de uma beleza Rara e de tamanhos encantamentos Mais que a beleza fêmea plena de subtileza Tão tua é de tua humanidade afrontamentos Quando vês entre uns e outros a divisão A incúria dos que falam pela voz doutro alguém Como se fossem deles o santíssimo coração Dos quais fazem uso e abuso como ninguém. Perdoai-os, Isabelinha, tua alma é muito maior Que a mesquinhez dos que parem a maldade Tua é a ajuda para com os demais não há deslealdade. Esta minha vida leva-te em agradecimento mor Por tudo o que tens sido para mim - encanto de poeta Jamais uma janela fechada grade ou espoleta. Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Cerro bravo É um cerro gaúcho, altaneiro e isolado, meio pedrento, meio que de mato revestido, lembrando lombo de monstro esquecido que a lonca, al cabo, ali tivesse dado. Cerro do Jarau, do Quaraí hermoso, tua imagem se me gruda nas retinas! Nem a névoa que branqueia tuas matinas ofusca tua beleza, guapo monte brioso! Hoje, a garça dos banhadais que te esvoaça e o gado que em tuas encostas vai por cima, desconhecem tua fama, nenhum deles atina que em tuas entranhas moram fogo e fumaça. Viste o índio pelear para não ser escravo e, do teu altivo cume, que a vista expande, foste testigo do próprio nascer do Rio Grande! Ó, lendário e majestoso cerro bravo! Vou Perder ou Ganhar o Tempo a escrever Hoje despertei com o som do pardal Quis dormir de novo... Mas é o galo Tem direito ao seu canto... Afinal Pobre de mim, quem sou para julga-lo? Vou perder ou ganhar o tempo a escrever E imaginar os cantos, o que querem dizer? Certamente por Afeganistão rezam Onde dedos se perdem por se votarem Ou por Iraque as bombas não param E demonstram a cultura do homem Que vê na violência a suprema força E para a paz e o amor não se esforça Talvez rezam por aqueles que morrem Sem saberem por que pagam com vida Para causas estranhas que desconhecem E por alguém ou grupo... Reivindicadas Como se a vida perdida fosse um troféu E a alma não pertencesse ao Deus do Céu! Talvez queiram me dizer que lógica Tem este mundo para tanta guerra E tanta destruição e tanta crítica Quando se podia rir e com a guitarra Tocar e cantar o amor e a saúde e a paz E ao irmão de abraçar ser enfim capaz! José Alberto Barbosa - Jaraguá do Sul - SC /BR Minha Terra de Antes e de…Depois Minha terra de antes e de depois do dia onze. Minha terra Que me refrescas de longe. Minha terra perto, sempre. Amanhã vou molhar as minhas mãos Numa praia daqui. Depois provocar uma onda Para que chegue a Ti… E os meus dedos toquem os Teus… De longe. João Furtado - Praia / Cabo Verde José Jacinto "Django"

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 7 Confrade desta Edição « Vivaldo Terres » Primavera Quando chega a primavera... Com o seus jardins encantados. Exalando o seu perfume! Num ambiente sagrado! Pela manhã nossos pássaros... Demonstrando seu valor! Formam uma sinfonia. Contando um hino ao amor... Primavera é a estação. Muito bela e colorida... Estação que nos da paz! Estação que nos da vida... A dor ll A dor, ela nos trás tristezas... No físico e no coração... E muitas vezes na alma também... Deixando-nos sem forças... E sem razão de viver... O porquê dessa dor tão frequente... ...no mundo inteiro! Que destrói a vontade E a razão de viver... E a maioria das pessoas... Por isso, só pensam em morrer! É a falta de amor, carinho e afeto! É a falta de luz no nosso... ...palmilhar! É falta de Jesus nos nossos corações! Que no ensinou a amar e perdoar. Ao longe Ao longe eu percebi, Tu ias a caminhar... Com um traje muito simples, Mesmo assim, Tua beleza dava-se para se notar. Tua simplicidade de moça pobre. Teus olhos verdes Cor do mar... Mesmo assim... Tua beleza dava-se para se notar. Teus cabelos encaracolados, Numa noite linda! Dum belo luar! Mesmo assim... Tua beleza dava-se para se notar Se te misturasses! Com o azul do céu... Ou com o verde do mar! Mesmo assim! Tua beleza dava-se para se notar. Ao vê-la menina Ao vê-la menina naquele salão, Cantando e dançando, fiquei comovido... Lembrando-me de alguém que há tempos [já era esquecido Lembrei-me daquela que faz muito tempo, Onde estará Garota imponente e determinada, Que enciumada ficou quase louca, Gritando zangada entre nós não existe mais nada. Faz tempo que não há vejo! Não sei nem onde estará, Simplesmente porque alguém desumano, Sinto falta do seu beijo. Na certa um tirano, invejoso também, Do seu jeito de se expressar! Por não ser amado o pobre diabo, Inventou uma calúnia... Sinto falta dos carinhos, Para que entre nós tudo fosse terminado, Que outras não podem dar. E por ela eu não fosse amado. De sua voz doce clara, Que eu gostava de escutar. Eu esqueci que era calúnia... E se ela me amasse, em mim teria acreditado, Como era elegante, Pois eu não tinha motivo nenhum para traí-la No modo de se trajar. E tinha certeza que se isso o fizesse! E era maravilhosa, Ela jamais voltaria a amar-me No seu modo de andar. Mas em mim não acreditou! Nas minhas noites vazias, Somente chorou lágrimas sentidas... Eu começo a relembrar. Indo embora como eu também! Do tempo que era feliz, Destruindo um amor, destruindo duas vidas. E que jamais voltará... Nossa cama está sem ela, Onde é que ela estará O Deus de Eterna Bondade! Preserve-nos do mal! Dando-nos a força e bênção... Para que com teu amor... ...não tenhamos rival! Através do ensinamento... ...da tua santa palavra! Nós veremos tranquilos andando [pelas estradas! Portanto Jesus querido... Que a tua luz conceda... ...a paz para a nossa alma! Quando passam os dias Quando os dias passam. E a noite vai chegar! Eu me lembro com saudade... Daquelas noites deslumbrantes! Que contigo pude estar. Que lembranças de carinhos... Que só tu podias dar. Quantos beijos alucinados! Que só eu pude provar... Só porque tive o privilégio, De poder contigo estar Meu amor, minha querida... Meu encanto, minha luz! Tu és toda encantamento. Iluminas-me e me seduz. Se um dia tiveres saudade Como eu estou agora... Telefona ou manda e-mail... Que te responderei na hora Amo a Vida Amo a vida como uma criança, Buscando o carinho, o amor, a ternura, Forçando com isso expulsar a saudade, E a triste lembrança da imagem tua. Tu foste para mim um ideal divino, Tão grande e tão puro, Que a tudo excedeu! Por não cumprires o que prometestes. Este amor que era lindo, Hoje em dia morreu. Por que resolvestes pensar diferente? Esta tua mudança não teve sentido, Se não tivestes mudado de idéia, Este amor que morreu, Não teria morrido.

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 «Confrades» “Olhares” das tuas raízes Evocando uma” Rua de Évora,” http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Meus Restos de Nada Restos de nada vão ficando espalhados no caminho pecorrido sem carinho em pó se transformando Restos de nada eu deixo nesta vida de abandono noites inertes sem sono farrapos em desleixo Restos de nada a planar por entre nuvens lá no céu perdido sonho que foi meu nas ondas revoltas do mar Rosélia Martins Póvoa Stº Adrião Natal Símbolo da vida, Da paz, Da perfeita harmonia, Da solidariedade, Do amor ao próximo, Dura apenas um só dia, O Natal da humanidade. Depois tudo volta À realidade: À indiferença, Ao desamor, À desonestidade. Será apenas utopia Pensar que algum dia A humanidade Vai prolongar O espírito de natal Por toda a eternidade? Se todos quisessem Assim seria… Mas o lado negro Da essência humana É mais forte Que essa vontade: A ganância, A inveja, A sede do poder, A prepotência, O despotismo, Irão prevalecer E fazer: Com que a humanidade, Viva nesta busca perpétua Da paz, da felicidade! São Tomé - Amora Retornas ao teu Alentejo E auto- psicanalisas as tuas “Visões… “O Monte” também permanece no teu subconsciente Mas foi de “A Aldeia” que trouxeste a tua princesa, ”Tanta água” na barragem do Roxo Porém foi “Beja” a cidade que te seduziu. Nas suas imediações contemplaste as “Árvores Nuas” Mas sem “Corpos em Movimento” Na “Cidade na Planície” Esperaste ansioso pelo desabrochar das” Papoilas” Antevendo mera hipótese de aí plantares “Estrelícias” “Cubicando” três telas… Na envolvência de teus sonhos. Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau / Amora “Ser Mulher” Ser mulher é acordar pela alvorada Pousar os pés no soalho de mansinho Aconchegar a roupa e a almofada Do menino que dorme qual passarinho… Olhar o céu e observar o dia Ver o canteiro e dar água ás suas flores Ligar o som e ouvir uma melodia Ser mulher é um vaivém de labores… É estar alerta sempre no chamado Por vezes ouvir palavras de rudeza Falta de gratidão e tom ousado Tu mulher, consegues ser fortaleza… Olhas o céu antes da tarde findar Fazes a sopa, o menino vem da escola Guias o teu leme sem nunca vacilar Ancoras á mesa, o odor te consola… Ser mulher é ter dom é ser poema Escrever os versos da realidade Tu mulher mereces um diadema Uma jóia para toda a eternidade… Maria Eugénia – Sesimbra Lápide Gozei da vida as ilusões completas, amei a brisa e namorei as ruas, vaguei do amor nas mais sutis faluas, como só o fazem corações poetas! Ah... Quantas vezes fui dormir às duas, e mesmo às três, das madrugadas quietas! E quantas vezes minhas mãos inquietas tatearam corpos de mulheres nuas! Galguei do sonho alcandorados cumes, sequei do amor toda a espumante taça, sorvi da vida os mais sensuais perfumes! Mas eis-me aqui, neste marmóreo odre: não sei, nem sou... E o que já fui não passa de um monte fétido de carne podre! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR Um dia assim Há dias assim… nem para comer… Estou e não estou, nem nem, nem nim; Não sei se vá por aí espairecer Não sei se fique todo o dia assim. Não sei o que quero e o que fazer Nem nem, nem nim, há dias assim… Tenho e não tenho, ser ou não ser, Para tudo estou, nem não, nem sim. Não sei, não sei, saber ou não saber… Porque será que eu estou assim? Talvez por querer ou por não querer Eu ficasse assim… nem nem, nem nim. Mas ninguém pense que eu estou amuado Que eu não estou para aí virado. Aires Plácido - Amadora Meu Pinheiro de Natal Meu pinheiro de verde majestoso Este ano decorado de modo diferente Afirmo que ficaste muito formoso Com os nomes de todos os amigos na frente A humanidade te admira com um ar carinhoso No Natal és símbolo comovente Meu pinheiro de verde majestoso Este ano decorado de modo diferente Os teus ramos abraçam os pobres em tom afectuoso Que em Jesus têm a esperança sempre presente Neste Natal, juntos clamamos p’la PAZ …é imperioso Ajuda-nos a sermos ouvidos por toda a gente Meu pinheiro de verde majestoso Susana Custódio - Sintra

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 9 “Cantinho Poético” Faz de conta Faz de conta que eu sempre fui feliz tenho o que sempre quis a vida foi só sorriso para mim as lágrimas que caíram dos meus olhos foram de felicidade, nunca de tristeza ou saudade. Faz de conta que eu ainda não cresci sou criança, menina peralta e feliz, cheia de energia, sonho, ilusão e fantasia. Nunca sofri uma desilusão e as flores sempre sorriem para mim quando conversamos em meu jardim. Faz de conta que eu resido em um castelo coroado caloroso, vermelho e apaixonante e nele habita o meu Príncipe encantado ! Montado em seu cavalo branco, e seduzido pelo eco do meu desejo cavalga ao meu encontro toma-me em seus braços para passearmos entre a lua e as estrelas. Faz de conta que tudo isto não é sonho nem miragem. É amor, ternura, pureza e ingenuidade é a minha vida ! Linda, doce e suave esta será a minha eterna realidade. Faz de conta… Socorro Lima Dantas - Recife, Pernambuco, BR Ilusões... Benditas sejam, todas as ilusões! Que alimentam e adoçam a vida Dos que sem elas, seria tão sofrida Desprovidas de toda e qualquer paixão Benditas sejam, todas as ilusões! Por nos elevarem a um mundo inexplorado Posto que, sem sua presença, seria ignorado Tal qual os inúteis, esquecidos nos porões Benditas sejam, todas as ilusões! Que nos abraçam, quando tudo o mais se esvai E aquilo em que acreditamos, friamente, nos trai Benditas sejam, todas as ilusões! Por nos induzirem a um tamanho encantamento Que transformam em belos sonhos, todo sofrimento Maria Luiza Bonini - São Paulo/Brasil Semana Santa Dobram tristes na igreja Na torre que se agiganta Os sinos p'ra quem deseja Viver a Semana Santa. Morreu Cristo numa cruz Pela bondade ser tanta P'lo martírio de Jesus Se evoca a Semana Santa. Há cânticos da paixão Que algum povo crente canta Cultos de celebração Próprios da Semana Santa. Há quem faça penitência E se almoça já não janta Em jejum e abstinência Durante a Semana Santa. Neste mundo atormentado Que a maldade desencanta Devia ser transformado P'ra sempre em Semana Santa. O mais profundo sentido Que tem a Semana Santa É quando Cristo remido Do sepulcro se levanta !… Euclides Cavaco - Canadá Hospitalidade A excelência nos cuidados Espelha na sua qualidade Também nos bons resultados São no Hospital realidade. Competência profissional Nos modelos organizados De certo modo exemplar Na prestação dos cuidados. Na qualidade de gestão Que me parece de exigência Na sua especial organização Que classificam de excelência. Apostaram na acreditação De uma melhor qualidade No referencial certificação No tratamento é realidade O custo mais elevado Não é sinónimo de qualidade É preciso um bom resultado Em qualquer especialidade. A qualidade traz eficiência Nos serviços já prestados São indicativos de excelência Sucessão de bons resultados. O melhor dos hospitais São os médicos e enfermeiras São os técnicos profissionais Também as senhoras tarefeiras. Deodato António Paias - Lagoa Amar até morrer Queimei vida, amei, chorei e ri, Dei de mim o que tinha para dar, Errei como só gente sabe errar E muitos desses erros repeti… Vivi paixões de fogo, até queimar E se, culpado ou não, eu as perdi, Por bem ou mal com elas aprendi, Porque também se aprende como amar! Vou prosseguir errando, certamente, O coração é rei, não obedece Às leis ditadas pelo consciente… E nas teias de amor que a vida tece Se enleará de novo totalmente, Que um coração amante tudo esquece! Carlos Fragata – Sesimbra “Onde há música não pode haver maldade.” – Miguel de Cervantes

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 «Bocage - O Nosso Patrono» Louca, Cega, Iludida Humanidade Louca, cega, iludida Humanidade Miserável de ti! Não consideras Que o barro te gerou, como que esperas Evadir-te à geral fatalidade! ( Bocage, in: sonetos heróicos “Louca, cega, iludida Humanidade” – 1ª estrofe) Afinal Quem Sou Eu Quem sou eu perguntando EU vou De rua em rua de esquina em esquina Às vezes me perco não sei o que sou Vou sonhando que ainda sou pequenina Quem sou eu ouso então perguntar Às estrelas sorrindo estão lá no céu Ouço dentro de mim o seu pulsar Esse som mistura-se com o meu Eu Quem sou eu, sim EU quem sou Sombra luz estrela astro errante Estrela cadente que se despenhou Do etéreo universo perdidamente Quem sou eu, quem sou EU afinal Nesta Terra neste Planeta neste Mundo Quem sou eu que pensa e por sinal O que desejou não foi sonho fecundo Rosélia Martins - Póvoa Stº Adrião À procura de um abraço Nas ruas da solidão As luzes se apagaram Os olhos se ajustaram Á profunda escuridão. A noite traz o cansaço Que aquieta o coração. Entre trevas e claridade A Terra gira no espaço À procura de um abraço Que una a humanidade! São Tomé - Amora Glosando Bocage Louca, cega, iludida Humanidade Que o fel de mil demónios libertaste Reconhece de ti a atrocidade Nos actos, nas sevícias que criaste. Dos teus génios, aqueles que premeias - Miserável de ti! Não consideras Que há outros, solidários, mas que odeias; Os paladinos das causas sinceras. Vives só de aparências e quimeras Longe das realidades, sempre esqueces Que o barro te gerou, como que esperas Que do frio voltarão os que arrefeces? Ouve as trombetas do final dos tempos Atenta ao que levou a leviandade Não haverá maneira de indultar-te Nem d'evadir-te à geral fatalidade! Eugénio de Sá - Sintra Minha forma de dizer Só um Vinícius, Um Pessoa, Quiçá uma alma boa, Um ser ainda sem vícios... Um Régio, Um Rosa, Um Sérgio... Quem entende certa glosa? E porque não um Nobre, Um Camões... Mais um que morreu pobre, Alma rica de ilusões. Mas se fosse um Gil Vicente, Um Garrett, Quiçá um Dante Um desconhecido até... Mas eu Que não posso senão passar Ávidos olhos no céu, Braços estendidos ao mar... Eu não, Que eu escrevo para gritar, Derramo chagas sem rimar, Grito gritos de solidão. Eu, poeta?! Que horror!!! Escrevo mal e em linha recta, Sinto na alma uma dor, Penso assim em labirinto, Escrevo igual ao que sinto. Eu, rimar?! Eu, poeta?! Deixai falar o poeta, Atingir a sua meta, Que poeta não quero ser, Nem mesmo quando morrer. Deixai cantar o cantor, Fazer prosa o prosador... Deixai falar o doutor, Que eu só sei dizer amor. Cremilde Cruz - Lisboa Fome O pão de cada dia, quem lhes dá, Se a eles tudo é negado, até viver? E porque a fome lhes avilta o ser Deambulam pr'aí... ao Deus dará. São filhos da miséria, ao abandono Mas irmãos de quem tem o que comer De tantos que preferem se esquecer Julgando que é de justos o seu sono. É nesta sociedade que vivemos Onde a frieza alastra a cada dia Ao invés de saber o que fazemos. Urgente é que se tomem decisões Pois é imperdoável não querer ver Que a fome não resiste a omissões! Eugénio de Sá - Lisboa Quando se diz: Eu Te Amo! Quando o lábio balbucia A palavra simples e bela "Amor, como te amo!" É preciso pensar bem Se do coração vem E na mente tem o ramo. Quando se ama a valer Aconteça o que acontecer Nada fará balançar As promessas de um dia Que afirmam a garantia Do presente do verbo amar. Eu te amo, tu me amas És braseiro das minhas chamas És o meu ancoradouro És o meu laço de vida És a minha fonte erguida És meu valete de ouro. É fácil falar assim Seres canteiro do meu jardim Seres de mim a fortaleza Quer-se é ver dia-a-dia Na vivência a companhia Trazer firme essa certeza. Dedico estas sextilhas Que se quiseres partilhas Com quem amas de verdade Um sentimento fiel Quando se une em papel Carimba a felicidade. Rosa Silva ("Azoriana") Eu ainda te espero Há quanto tempo eu te espero... espero , esperarei e aqui eu estarei até a ultima esperança acabar, e as estrelas deixarem de brilhar. Eu te espero, na ânsia de acordar deste sonho impossível que não sai um só instante da minha vida desde a tua partida, sem despedida. As estrelas são testemunhas desta espera... A lua é cúmplice deste meu desejo iluminando o caminho que seguiste para que eu possa te encontrar. Eu ainda te espero, para te declarar este amor guardado falar tudo o que eu não te falei desta espera dolorida, solitária e sofrida. Socorro Lima Dantas - Recife/PE/Brasil

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 11 «Tempo de Poesia» Parabéns! Marianne Mallemont (Setembro 04/1974) Ao silêncio das noites de inverno No soprar dos ventos de outono Nos dias coloridos de verão Na aconchegante primavera Quando as flores desabrocham Sorrindo ao amanhecer E os pássaros entoam O canto com alegria Você chegou MARIANNE Para alegrar a minha vida, Em cada amanhecer, Em cada anoitecer, E hoje é seu aniversário! Eu amo você! Sua mãe Efigênia - Balneário Camboriú/BR Luna... Meu universo em ti Vem minha doce criança do amor! Vamos juntos alçar as estrelas Ladeados ganhar os céus Vem meu amor imortal Vamos nos perder no céu Infindo... Vem minha doce criança! Vemos junto desvendar os segredos do universo Do amor puro e divinal Tornamos um só! Vou descobrir mil formas de te amar De dizer eu te amo Dá-me a tua delicada mão... E vamos mergulhar na infinidade Alçar os astros Chegar às estrelas por fim! Samuel da Costa – Itajaí / Brasil Estou aqui Vê-me como eu te vejo Fecha os olhos. Abre o coração Sente-me! Descobre-me a alma Ouve os meus pensamentos Escuta os meus silêncios Deixa-me tocar-te Sente o calor das minhas mãos invadindo o teu ser Essa paz harmonia e amor Entra no meu mundo Mergulha nesta luz Segue-a e vive Vive! Aprende a ser feliz! Conceição Carraça – Torre da Marinha Sem Fim Pensa que vai viver para sempre, Que a juventude é um caminho longo, sem fim. Amanhã escutará o uivar da tempestade e verá Não ser superior a outros seres Pois que, mesmo no teto e na vertical, O leve réptil e o inseto se deslocam E há os que voam nos ares E há os que nadam em rios e mares. Aprenderá que no caminhar do caminho sem fim, Como peça colorida e deslizante de caleidoscópio, Para longe o tempo vai ficar, Antes de tropeçar no infinito, Que frágeis pontes Unem margens do fatalismo e da esperança E que são crispadas as ânsias de possuir. Terá de aprender a conjugar afeição e perdão, Pois precária é, tantas vezes, a vitória. Saberá que a paixão conhece grandes impaciências, Que muito do que não é visível existe, Que as delícias do céu e os horrores do inferno Estão em cada um de nós, Que para se ser não basta ter saber ou talento, E que sempre é preciso sentir o sentimento. João Coelho dos Santos - Lisboa O teu olhar D’um lugar pérfido e escondido Fixei o teu olhar Na esperança de te ver… Tens um sorriso escuro nos olhos E uma harmonia obscura nas mãos. Dotada de simplicidade e veracidade Elogiei-me ao perceber Que lentamente a magia foste perder… O teu olhar vago e confuso Não transmite o encanto de outrora… Reconheço a tua folia de conquista Mas tudo tem um fim Como acontece à flor da aurora… A velhice chega e derruba A ternura da idade E adocica o sabor do momento Num oceano cansado de vida Que abençoa a satisfação De uma escolha aturdida… Ana Alves - Melgaço De Mim ?... Para que falar de mim se não existo Nunca fui o que pensava que eu era; Sou a árvore outonal sobre o xisto Pois a vida me roubou a primavera! Do passado nada sei, nem a verdade O olhar do futuro chega-me feroz... Nunca soube a minha pura identidade; Para dizer quem sou, me falta a voz!... Quem me dera ser a razão no tempo, Ver a vida sem choro e sem lamento, Das palavras que me ferem em algoz... Queria deixar escrita uma saudade, Onde rejuvenesça o amor e a caridade E que a vida seja luz pra todos nós... Ferdinando – Germany Fontes Lua cheia, Estrelas que faíscam, Sol nascente, Poente eterno, Fontes inspiram, Respiram, Poesias. Luiz Eduardo Caminha Florianópolis/BR

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 «Trovador» As Sete Maravilhas de Portugal Em Terras da Nossa Terra Faço destas redondilhas Um poema que descerra Nossas sete maravilhas. Entre muitos monumentos Considerados perfeitos Após os discernimentos Só sete foram eleitos. Em GUIMARÃES O CASTELO E JERÓNIMOS também O monumento modelo Que é a TORRE DE BELÉM. ÓBIDOS p'la sua graça Com seu CASTELO altaneiro O MOSTEIRO DE ALCOBAÇA Do turismo qual roteiro. O MOSTEIRO DA BATALHA Moldado em pedra morena E bem digno de medalha É o PALÁCIO DA PENA. Cada um é maravilha De dimensão cultural Que com tanto fulgor brilha Em terras Portugal !... Euclides Cavaco - Canadá Vila Nova de Foz Côa Foz Côa dos meus encantos, Bela cidade que és, Tens os mais belos recantos E o rio Côa a teus pés. Somos com muito prazer Fozcoenses e, como tal, Temos orgulho em ser Bem filhos de Portugal. O nosso torrão querido É parte da nossa vida. Sempre a tenho defendido. És minha terra querida. Foz Côa aqui bem presente, Com algumas gerações, No peito cada um sente, As sinceras emoções. Jorge Vicente - Suíça Vontade Fadista Corre-me o fado nas veias, Fado que em mim nasceu Por viver com ele a meias, Sinto que o fado sou eu. Eu nunca posso esquecer Esta alegria que mora, No coração por trazer, O meu fado a toda a hora. Sentindo a dor de quem ama, Muito cedo comecei, Ele é fogo, eu sou chama, E na minha vida é o rei. Com guitarras e fadistas A conviver lado a lado, É no meio desses artistas Que sinto a força do fado. Ao mundo deixo um recado Só de sonhos e saudade, Quero morrer cantando o fado, É esta a minha vontade! Isidoro Cavaco - Loulé Alentejo, como gosto de ti Eu nasci para adorar Esta minha terra amada O meu destino é cantar Não sei fazer mais nada A terra onde eu nasci Trago-a no coração Quero lembrá-la aqui Nos versos desta canção Adoro a paz e a harmonia Que aqui são a quimera É alegre o meu dia-a-dia Onde só o bem impera Se foi aqui que eu nasci Fui crescendo e quero viver Ninguém me leve daqui Um dia quando eu morrer Refrão Meu Alentejo Ó terra de encanto Eu te adoro tanto E não é por jeito Ó Alentejo Quero dizer aqui É por gostar de ti Que te trago no peito. Chico Bento - Suíça Rugas São Vida Quando me olho no espelho E uma ruga vem espreitar É um desgosto já velho Que eu não deixo despertar Quando ergo os olhos ao alto E avisto um céu estrelado O coração em sobressalto Navega num mar salgado Lua cheia, cor de prata Ondas brancas ondulando Coisas belas que me mata Meu desejo, despertando O pôr-do-sol em madeixas Faz cair a noite em mim Porque será que me deixas Quando a noite chega ao fim Estas sensações me dão Mais força para viver Não são as rugas que vão Ditar todo o meu sofrer. Maria de Lurdes Brás - Almada Esperar Custa a todos esperar Espera é palavra feia! Já não se usa fazer renda Ou então, seu pé de meia! Há quem pouca coisa entenda Quem espera desespera! Mas quem não espera nada Seus intentos não tempera! É sentir uma facada No seu próprio coração! Quem espera sempre alcança E sente compensação! Nem sempre há perseverança Esperar nunca cai bem, Às vezes, tempo sem fim, Até no ventre da mãe! Quando alguém nos diz assim: Espera só um minuto! E, vemos tempo que passa Sem evento nem estatuto! Esperei, não foi desgraça, Não consegui, não faz mal! Nem tudo nos foi asneira, Nem tudo nos foi fatal! Bento T. Laneiro - V. N. S. Bento Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 13 «Poemar» Acordar O sono foi longo A vida era vazia e triste… Acordei! Abriu-se o véu Estava cega…Hoje enxergo! Posso ver mais além Posso sentir mais forte Posso ser um farol Posso dar energia Posso amar sem limites Posso voar… Realizar meus sonhos…ser o que sempre quis… Uma mulher muito feliz! Conceição Carraça - Torre da Marinha Pé no chão Fico olhando tudo Procuro sentir a vida Enquanto aquela mulher lava roupa Eu lavo a alma Meu alvejante é a poesia Simples como um prato de arroz Com um franguinho que a gente come até de cócoras Gosto de tudo simples Quando tenho raiva xingo Minha tristeza é passageira Sou pobre pra ter stress Meu psicólogo é o padre Meu remédio é Deus e Sua Mãe Rezo o dia todo, sem repetir oração O Senhor me deu a poesia para ser o meu espelho Se não me santificar com ela Escrever poesia machuca mais que amar, É amar multiplicando, se não me santificar, desisto Afinal eu canto tudo o que Deus fez E ando de pé no chão, Não sou melhor que ninguém, sou apenas diferente Poeta vive multipllicando sentir e pouca gente entende isso Quanta gente acha a poesia luxuosa, a poesia não é suntuosa, Suntuoso é o sentimento que o Senhor me inspira. Edson G Ferreira - Divinópolis / Brasil Ansiedade do porto seguro Um passo à frente outro atrás… É uma constante no viver da incerteza É o parar no vazio…de que não sou capaz, De afectar os rumos desta firmeza Encapotado na couraça defensora, Assim vou remando contra as marés, Que a minha nau, não seja vítima sofredora De me agarrar à amura nem que seja pelos pés Subo ao cesto da gávea, p’ra avistar horizontes, Pego no monóculo embaciado, mas com esperança, Alucinado, miragem, verdade avisto alguns montes… Ordenando à marinhagem o ritual da alegre “dança.” Avisto gaivotas, anunciando terra à vista; Eu grito de alegria inebriante na confirmação; Novo alarido no convés pela conquista, De vencer o mar com arritmia no coração!.. António Castro (Ortsak) - S.Mamede de Ribatua Maria Fraqueza - Fuseta Ainda Somos Companheiras Chegaste, Encostaste teu ombro No meu ombro, Choraste. Chorámos ambas, Fomos companheiras; Fomos companheiras no tempo, Nas horas, Horas sem fim, Relógios parados. Ombro no ombro, Faces encostadas, Bebemos nossas lágrimas, Demo-nos conforto No tempo parado, Morto. Sem lareira, Sem teto, Sem beira, Somente aquele corredor longo, Estreito e quase negro, A tua dor, A minha dor, Nosso arrefecimento... Encostaste tuas mãos A minhas mãos, Ficámos quietas, Aconchegadas, Nossas lágrimas correndo silenciosamente, Possuídas de nada. Tu chamavas-te solidão, Curiosamente, também eu, E ambas estávamos tristes. Talvez por isso, Quer tu, Quer eu, Nos sentimos tão bem, Ombro no ombro, Face na face, Mãos nas mãos. Fomos companheiras; Tu sem lareira, Eu sem lareira, Ambas sem esperança. Ainda somos companheiras. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Mulheres da Fuseta Antigas Da minha Fuseta antiga Eram as mulheres famosas Entre dedos e cantigas Eram mulheres habilidosas Era vê-las a trabalhar... Em tempos que já lá vão Ai como é bom recordar! Quem tenho no coração!

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 «Confrades» Poema sobre Martinhanes (A minha querida Terra Natal) Vejo Martinhanes em fotografia!... Fico de verdade encantado Melhor dizendo deslumbrado Graças à nova tecnologia Na minha vida quem diria Que ia ter esta oportunidade Que confirmo a realidade E identifico bem os locais Da minha vida e coisas mais Durante a minha mocidade. Recordo os meus amigos!... Que nunca irei esquecer Alguns nunca mais os irão ver Partiram cedo e apressadamente Todos estão na minha mente António Charrua e Chico Carapinha Deodato filho da m/vizinha O Zé Borges e António Costa Que me deixaram sem resposta Essa a grande mágoa minha. Até recordo os poços e fontes!... Nunca esqueço a Água Santa Nada na paisagem me espanta Gosto de ver essa paisagem Na memória sempre a imagem Das casas e dos meus quintais Que ainda adoro até demais Recordo a minha vida vivida Junto dessa gente tão querida Que nunca esquecerei já mais. Recordo as veredas de antigamente!... Caminho do longe se fazia perto O zé-povinho era esperto Ali passava a pé alegremente Cantarolando e sorridente Quando ia e vinha do trabalho Com certa pressa para o agasalho Tantas vezes já à noitinha Pensando na família e na cozinha Para o jantar uma açorda de alho. Deodato António Paias – Lagoa Enguiço Há mais de meia hora que estou aqui A tentar escrever algo engraçado, E tudo aquilo que eu escrevi Não vale um meio vintém furado. Mas que paspalhão! Nem parece meu Isto até parece bruxaria, Meia hora e nada me ocorreu Sou um zero à esquerda em poesia. Talvez fosse, talvez seja mau-olhado Conjuro, feitiçaria, maldição, De algum olhinho arremelgado. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Para a Mãe África (Eu me rebatizo) Em memória a Miguel Maria da Costa Felicidade Ser feliz o que é?... Como se consegue?... é o abraçar a vida… Com loucura e amor… Amor… Que constantemente… Nos bate à porta… E surge… No sorriso dos filhos… No chilrear dos passarinhos… No desabrochar de uma flor… No sorriso de uma criança… Que nos puxa pela saia… E que nos diz baixinho… Gosto de ti… Ser feliz… É saber estar… Rodearmo-nos de gente… E sabermos, sempre sorrir… Mesmo… quando apetece chorar!… Lili Laranjo - Aveiro Ao som dos tambores... Para o povo que sofre... Para arte profana... Eu me rebatizo Vou me rebatizar Para ti Oh Mãe África Dos ridículos da vida Volto para ti Para a Mãe África Para o povo que sofre Volto para ti... Para música profana Com todo o rigor Eu me rebatizo Para toda a música profana Do batuque... Para Dança & Para toda a música profana O batuque... Para toda a música profana Volto para ti Oh mãe África... Samuel da Costa – Itajaí / BR Quando te revi Passei muitos anos sem te ver Quando te revi, com muito gosto, Recordei-me de ti, ainda a precaver Futuro sem rastos dum passado nefasto. Quando te revi, ainda com gosto, Acreditei que conseguiste promover Teu ser a um herói justo, num posto De mártir cumpridor do seu dever! E quando te revi na tua essência Percebi a presença dum monstro Que se vale de força, sem decência, Para demonstrar o trote de um potro. E quando te revi, na tua ciência Estavas numa manjedoura de vivência: Pastavas à solta, papando ervas secas Arbustos quebradiços, árvores marrecas… O Teu Sorriso (Ao Amadeu) Não se ouve Nem se prevê Floresce Espontaneamente O teu sorriso. Como um rio Cristalino Surge num fio Homem Menino Ternamente O teu sorriso. Ele vale ouro Sonho-te um mouro Louco ou conciso Dá força anímica Seguramente O teu sorriso! Maria Vitória Afonso Quando te revi, afinal, eras apenas o que vi, Um (je)rico, banhando na cinza, ciente, Do fumo confuso que faz, mas não precavi: Os coices que dás derrubam ente potente! Amália Faustino – Praia – Cabo Verde É saudade quando as palavras dizem que somos o nada quando o vazio é o mundo que se nada e a liberdade revoga-se da vida Poesia é pista Não é amor a primeira vista É diversidade, nunca é vaidade Fredy Ngola – Luanda E por sim por não, vou-me já benzer Fredy Ngola – Luanda Não acredito em bruxas mas, se as há… É preciso, é preciso precaver. Aires Plácido - Amadora “O propósito da aprendizagem é alcançar o divino.” Abraham Abulafia

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 65 | Novembro / Dezembro 2014 | 15 «Faísca de Versos» Cada vez me sinto mais repugnada com a gentinha deste país. Gritam que não têm direitos, que tudo lhes é roubado, que não os ajudam, mas depois quando alguém fala a verdade publicamente por eles, agacham-se e vêm logo com «ai Jesus» que isso não se pode dizer!!» E isto acontece neste concelho a que chamo meu. Por umas migalhitas, por um título de "presidente de...", são capazes de lamber as solas de quaisquer sapatos, de calarem injustiças, de esconderem as verdades, porque é muito mais importante uma palmada nas costas do que realmente ajudarem as pessoas que procuram as entidades que representam. Maria do Carmo Torres - Seixal Poema sobre a Sociedade A sociedade só valoriza Mais o ter de que o ser Cada vez menos precisa Parece enlouquecer. Adquirir em vez de construir A vida era só facilidades Nada se pode distinguir Nestas novas sociedades. Perderam os valores O mérito foi desprezado Mas que será dos senhores Neste País endividado. Pouca coisa meritória Nada já tem distinção Sem respeito e glória Nada já tem perfeição. Há pouca honestidade Só o trabalho enobrece Nada é uma realidade E assim tudo acontece. Já não temos gestão Mesmo em tempo de crise Necessita-se reflexão Menos corrupção e vigarice. Garantir a sobrevivência Uima razão especial Temos que ter paciência Com a loucura em Portugal. Deodato António Paias – Lagoa Portugal Em Estado De “CITIUS” Na Justiça… estado de “CITIUS”. Educação...CALAMIDADE... E no Governo… os seus vícios Sempre e só AUSTERIDADE! E agora – pergunto eu: Porque Passos tem por norma Esconder o que recebeu Dessa tal Tecnoforma?!. E como “REMEDIADO” Tanto quanto disse ser, Porque terá “trabalhado” Três anos sem receber? Mas como ao povo não diz (fica zangado e casmurro...) Pensa ele que no país Todo este povo é burro !?... Dos truques com que geriu Toda esta trapalhada Uma dúvida surgiu: - Trabalhou sem ganhar nada?... Se foi só reembolsado Do que gastou, sem proventos Porque é tudo “abafado” E não mostram documentos? Hum !... (?) Fernando Reis Costa - Coimbra Travões a fundo. Foi nas curvas, de alta velocidade E com derrapagens nos orçamentos Que viu perder a sua identidade Deixou o povo com mais padecimentos Promessas!? São discursos de vaidade Que simbolizam os seus fingimentos Com apertos de mão, na veleidade Por uma Banca de agradecimentos Despertam alianças enganosas… Viraram sanguessugas venenosas Pistas de lodo, no terceiro mundo Tudo está nas mãos do nosso povo, Que Portugal se levante de novo Próximas eleições!? Travões a fundo! Pinhal Dias – Amora / Portugal Dia de Todos os Santos (Fui ao cemitério) Fui ao cemitério e vi Que estavam juntos ali O meu pai e minha mãe E vi que não estavam sós, Tinha lá tios e avós E alguns parentes também. Lembrei-me do meu passado, Quando vi por todo lado Muitos amigos ali E recordei com saudade Toda aquela f'licidade Que com eles eu vivi. A tristeza me invadiu E uma lágrima fluiu E rolou pelo meu rosto. Chorei mesmo sem querer, Pois não consegui conter Tanta saudade e desgosto. Finados. (Acróstico) Finados, remonta festa pagã Infernizam todos os cemitérios No abalar, onde escassa a fé cristã A corrente espírita de mistérios Dia de todos os santos, foi cativo Ortodoxos, reformam no afirmativo Será que andamos todos enganados!? Pinhal Dias (Lahnip) – Amora A cidade está mudada, De sair tenho receio, Andam peões na estrada E automóveis no passeio. Isidoro Cavaco - Loulé Pensei com os meus botões: Do que valem ilusões? Tudo aqui perde o valor. Na ambição de tudo ter E na ânsia do poder, Esquecemos o amor. Para quê ódio e maldade? Pois se na realidade É aqui que tudo acaba. A vida é uma miragem, Estamos cá de passagem, Morremos... e somos nada. Isidoro Cavaco - Loulé “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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