Lobisomem pós-moderno

 

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A poesia de Márcio Ahimsa e Adenildo Lima lança olhares finos e firmes sobre a multiface do "cidadão sem nome", da mulher amada, da mulher odiada, da lavadeira, da menina e seu laço de fita, capturando com sutileza e corpo presente o momento agora.

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Lobisomem pós-moderno Adenildo Lima Márcio Ahimsa e e e

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Desde o poeta Homero a poesia vem demonstrando um ponto principal na história, desenvolvendo modificações no tempo e no espaço. A arte tem essa característica e, a poesia, é uma das principais fontes de transformações da humanidade. Assim que a humanidade teve acesso à arte, a vida começou a ter uma nova eficácia. um simples ser no mundo, pois a arte era produzida sempre visando algo: entender o mundo em que o homem estava inserido. as mesmas perspectivas, com o domínio do capitalismo, a arte seu espaço, principalmente a poesia. está cada vez mais perdendo o O homem já não era Hoje, já não temos dia, quem quer ler um poema? Nessa correria do dia a Poucos, eu acredito. E mesmo assim, diante dessa correria do homem contemporâneo, ainda existem pessoas engajadas com a arte, como estes dois poetas, Adenildo Lima e Márcio Ahimsa, que captaram esse mundo pósmoderno como em fotografias e o transformaram em poesia. Neste livro, os dois poetas vêm pedalando nas máquinas do nosso tempo, caracterizando um momento da história, onde o homem está perambulando na escuridão noturna fantasiado de lobo, perdido e uivando. Uma poesia que marca as múltiplas faces do cidadão sem nome, confuso, solitário e ausente do mundo. Ivanildo de Lima filósofo e escritor

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Adenildo Lima Márcio Ahimsa e SP e e - 2012

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Copyright © 2012 Adenildo Lima / Márcio Ahimsa Equipe Coordenação Editorial: Adenildo Lima Assistente editorial: Ivanildo de Lima Capa, Projeto gráfico e diagramação: Ana Paula Siqueira Arte Final: Roberto de Lima Logomarca: Do artista plástico João Paulo de Melo Foto da capa: Arquivo pessoal. Av. Paulista, SP, Brasil Revisão: a equipe ________________________________________________________________ Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) ________________________________________________________________ Lima, Adenildo Lobisomem pós-moderno / Adenildo Lima, Márcio Ahimsa. – São Paulo: editora da gente, 2012. ISBN: 978-85-60636-21-1 1. Poesia Brasileira I. Ahimsa, Márcio. II. Título. 09-13483 CDD-869.91 ________________________________________________________________ Índices para catálogo sistemático: 1. Poesias: Literatura Brasileira 869.91 Todos os direitos desta edição reservados aos autores. Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Contato: atendimento@editoradagente.com.br www.editoradagente.com.br

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no mundo moderno as pessoas não se falam ao contrário se calam se pisam se traem se matam embaralho as cartas da inveja e da traição copa ouro e uma espada na mão (Trecho da Música A vida é um desafio - Racionais Mc’s) = poemas escritos por adenildo = poemas escritos por márcio

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Prefácio A poesia é a arte universal que arremata os homens para o bem maior do sentir. A civilização é a máquina que age como um rolo compressor sobre esse homem, inibindo seus instintos, enclausurando-o no recôndito da superficialidade. Essa superficialidade é tragada para as fronteiras iminentes que amargam amor e ódio, que propagam o fogo ardente e irrompe como uma chama acesa em algumas almas que, para fugirem do aniquilamento, desabrocham através da arte, da criação, da poesia. Desde teorias aristotélicas sobre a poesia, desde o grande questionamento existencial na alma shakespeariana, desde a criação das escolas para delimitar o sentir e a interação do homem no tempo, com o próprio tempo, que é fundamentada a realidade humana com estribilhos e versos. No decorrer da história, o homem é uma eterna metamorfose de si mesmo, sendo acompanhado de perto pela arte produzida a partir dessas transformações, seja aquela que inclui, quando traz benefício geral para todos, em se tratando de estar em todos os meios, em todos os lugares etc.. Seja excludente, quando promove a segregação inserida pelo que é tangível e aceito como padrão, como algo superior que deve ser cultivado por deuses. É a eterna busca de isolar o homem do próprio homem. Fazer com que haja homens fortes e fracos. Mas esse homem é apenas uma larva que arrasta para seu casulo, esse homem é uma semente seca, que após irrigada, germina e vira planta altiva. É nesse pensamento de transformação, nessa gana por romper com as finas teias que interligam todos numa única e inquestionável razão de ser e agir, que encontramos aqui, um tímido homem na figura de dois poetas que, ávidos por transgressões, buscam abrigo por baixo da pele desse lobo, desse homem nu, desse lobisomem. O pós-moderno não é algo que vai contra o que se pregou no

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modernismo, que era a busca pelo novo, e largar mãos das velhas maneiras. Não, o pós-moderno é o vazio, a náusea, o cidadão estrangeiro de si, onde não há mais fuga, não há mais caminho. Na poesia de Adenildo Lima e Márcio Ahimsa, se pode ouvir uma voz em forma de um uivo dissonante dando o tom em versos sem rimas, mas com retalhos espalhados de aliterações e assonâncias que enchem os olhos de quem os lê. É um BUM do tambor ritmando o coração e pulsando a alma para um universo de possibilidades novas. É uma busca pelo que ficou para trás, não o que era aceitável como símbolo da perfeição, mas o que havia sido deixado de lado, no esquecimento, como um gigante e rico acervo cultural chamado África. Mas não é uma poesia sobre África, é uma poesia que traz em sua veia um sangue misturado de África, seja com sons, seja com vocábulos. É uma poesia sobre o que não foi lembrado. Aqui se prega os esquecidos, aqui se fala dos vencidos, não do vencedor, se fala da lavadeira, se fala do menino, aliás, não se fala, eles são a própria voz em busca de liberdade para falar nesse caos de consumismo e suicídio dos valores essenciais. Cunha da Silva Ribeiro Professor, poeta e contista

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A poesia e a máquina do tempo Sim, gente! É isso mesmo: A correria, pedalando nas máquinas do meu tempo, Comprando as horas mais preciosas que um dia foram gratuitas... Hoje, driblando a muralha de pessoas que caminham por aí, Verifiquei que me sinto estranho. Parece que tem gente chorando e seguindo o seu rumo! Disforme caminhar por onde a lágrima escorre, Mas a mocinha moderna possui as pernas longas e finas E um rapaz a presenteia com um celular de última geração. Vamos celebrar a liberdade dos nossos dias, A liberdade do cidadão sem nome... Pois é enlouquecedor ter de possuir múltiplas faces: — Lobisomem pós-moderno que sou!

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O poeta e corre corre corre pra onde? O poeta quando cala Fala Quando respira Inspira Quando odeia Ama e proclama O poeta sem esperança É criança Sem motivos É criativo O poeta sem fala Ah!... ...Como ele cala. século 21

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O poeta Márcio Ahimsa é natural de Águas Formosas, Minas Gerais. E vive em São Paulo desde 1988. Na infância, em sua cidade natal, passava o tempo debruçado sobre os livros, principalmente de contos infantojuvenis. Ali, se descobriu apreciador das palavras. E de palavra em palavra, juntando umas, invertendo outras, percebeu que podia revelar uma poesia descompromissada que anda por aí através dos pés e calçadas no dia a dia das pessoas. Formouse em Letras com o intuito de se enveredar pelos caminhos da literatura. Nessa caminhada, conseguiu conceber que a poesia é como uma colcha de retalhos pronta para ser tecida. Escreve quase sempre no blog Tecer Palavras. Lá, externa seus anseios, medos e sonhos: seja em prosa ou em verso. Enxerga a vida e as pessoas como uma constante transformação, uma mutação de ser e estar no mundo que vai além de qualquer conceito estabelecido, pois entende que cada pessoa em cada época estabelece sua própria razão de ser. Possui poemas, crônicas e contos publicados na Câmara Brasileira do Jovem Escritor e um trabalho em coletânea selecionado em concurso de poesia, promovido pela Secretaria de Cultura de Guarulhos, SP, em 2007. É pósgraduado, tem cursos de Extensão Universitária pelo Centro de Estudos Africanos CEA/USP. E para futuras publicações, tem um livro de contos e vários poemas escritos.

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Adenildo Lima nasceu em Colônia Leopoldina, Alagoas. E reside em São Paulo desde 1998. É autor do livro “O copo e a água” (infantil, Ilelis, 2009), ilustrado por Açunciara Aizawa Silva; já vendeu mais de vinte mil exemplares. Está nos momentos finais para a conclusão do mestrado em “Políticas e Práticas com o Adolescente em Conflito com a Lei”, pela Universidade Anhanguera, com tema de pesquisa voltado para mediação de conflitos no ambiente escolar. É formado em Letras, é professor pela rede estadual de ensino de São Paulo, é palestrante, com dezenas de palestras proferidas em universidades, escolas públicas e privadas, sobre conflitos no ambiente escolar e literatura. Tem cursos de extensão pelo CEA/USP, pela PUC/SP e pela Secretaria Estadual de Educação. Em 2010 foi Professor Mediador pela rede estadual de ensino. E na área editorial, trabalha desde 2006. Nunca teve vida fácil. Começou a trabalhar aos cinco anos de idade, aos dezenove veio para São Paulo. Trabalhou de office boy, balconista, garçom, entre outros. Tem como base principal na vida, a família. A poesia para ele é como um vômito, tudo o que não consegue engolir, joga fora, transformando-o em arte, e assim suporta um pouco a dor deste mundo tão desumano. Para futuras publicações, tem vários textos infantis e infantojuvenis; uma novela; cinco livros de poemas e vários contos escritos. E quando questionado de como faz poemas, ele responde: a poesia é assim como um feto, se faz, depois nasce.

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O termo “pós-moderno” é discutido por vários estudiosos, muitos acreditam que ainda continuamos no modernismo que teve início em 1922, aqui no Brasil. A ideia de “pós-modernismo” surgiu pela primeira vez no mundo 1930, mas 1950, segundo algumas pesquisas. Uma socióloga, um dia desses, me perguntou o que é “pós-moderno”, conforme o meu conceito. Confesso que para mim como poeta, definir o que é “pós-moderno” não me interessa muito. Eu concordo com o prefaciador, o professor Cunha da Silva Ribeiro que diz “O pósmoderno é o vazio, a náusea, o cidadão estrangeiro de si, onde não há mais fuga, não há mais caminho”. E, neste livro, primeiro vieram (quase todos) os poemas. E nenhum deles foi ganha nome a partir de feito com a intenção de dizer hispânico, em “esse poema é pós-moderno”. Tanto eu, quanto o Márcio, como artistas, registramos apenas o que estamos presos a nada. vivendo, sem estarmos veio por último. Já o título, Agora, cada leitor fará seu própio Só sei que “Tempos modernos”, de Charles Chaplin, lançado em 1936, a máquina engolia o homem, hoje – o homem é a própria máquina – ou a máquina é o próprio homem? no filme questionamento, e os poemas falarão por si só. Adenildo Lima

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A poesia de Márcio Ahimsa e Adenildo Lima lança olhares finos e firmes sobre a multiface do “cidadão sem nome”, da mulher amada, da mulher odiada, da lavadeira, da menina e seu laço de fita, capturando com sutileza e corpo presente o momento agora. Transgressor na forma em que chama o leitor para dentro do livro. O exercício de inauguração da palavra, que é o da poesia, encontra-se aqui modelando a face fraturada deste homem pós-modernidade com suas angústias e fomes. A sensibilidade dos poetas construiu um belo retrato poético dessa era ainda sem destino, traçando nos versos a veia de um tempo. Beatriz Pessanha Estudante de Comunicação Social – UFRJ

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