Varal

 

Embed or link this publication

Description

"Este livro é o resultado da insistência dos amigos em me fazer remexer em escritos abandonados numa caixa, a qual eu denominei de minha Sucata Literária. [...]" Maria Vilani

Popular Pages


p. 1

Varal Maria Vilani e e e 1

[close]

p. 2

Neste livro contém poemas escritos ao longo de três décadas, a poetisa com o seu conhecimento filosófico – ela que é filósofa – captou, de certa maneira, o trajeto do Ser. Isso é o que percebemos ao ler a sua poesia. E, se a poesia é a vida em letras, Maria Vilani transfigurou-se em versos, para assim, vivenciar a verdadeira face da vida. Não temos aqui poemas que nos remetem para o além-mundo. Não. Aqui vemos a vida em versos. Versos que presentificam a nossa existência, trazendo-nos para o ambiente terreno, fazendo com que cada um de nós perceba a nossa finitude. No entanto, não podemos dizer que a sua poesia é existencialista, mas que cada poema traz algo sobre a consciência da realidade e sua forma de se deparar com as transformações do Ser.

[close]

p. 3

Varal Maria Vilani e e e SP 2012

[close]

p. 4

Copyright © 2012 Maria Vilani Equipe Coordenação Editorial: Adenildo Lima Assistente Editorial: Ivanildo de Lima Projeto gráfico e diagramação: Roberto de Lima Capa: Criação e arte de João Paulo de Melo Revisão: Cleane C. Gomes Ilustrações: Adenildo Lima Técnica e Reprodução das Ilustrações Do artista plástico João Paulo de Melo ________________________________________________________________ Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) ________________________________________________________________ Vilani, Maria Varal / Maria Vilani; Ilustrações / Adenildo Lima – São Paulo: editora da gente, 2012. ISBN: 978-85-65989-01-5 1. Poesia Brasileira I. Título. 09-13483 CDD-869.91 ________________________________________________________________ Índices para catálogo sistemático: 1. Poesias: Literatura Brasileira 869.91 Reservados todos os direitos Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. atendimento@editoradagente.com.br www.editoradagente.com.br

[close]

p. 5

Agradeço a Deus, fonte máxima de inspiração. Ao meu pai, a quem devo a minha coragem e determinação para trilhar os difíceis caminhos da vida. A minha mãe, que me aceitou em seu ventre não me relegando ao aborto. A Cleon, companheiro de todas as horas. Aos familiares, mestres e amigos que contribuíram para a constituição do meu ser. Dedico aos meus filhos: Clayton, Kleber, Maria Aparecida, Cleane e Cleon Júnior __ a corda do meu coração. Aos meus netos __ alegria do meu viver.

[close]

p. 6

Prefácio De repente, eu a vejo em pé observando o horizonte e os trilhos na estação velhice como se a paisagem fosse o pano de fundo de um autorretrato. Um varal vazio é o que mais parecem os fios dependurados nos postes por onde telegramas correram atravessando as estações de cada ano. Até imagino esta mulher contemplando todas as estações, atravessando este falso mundo quando as gotas mágicas do tempo nos despertam de nossa contemplação para nos revelar a brevidade da vida. Como é imensurável e infinito o universo de um poema, como se o quadro dessa paisagem fosse a carta para o além, onde ninguém é uma miragem. E nessa estação ela espera o trem da inspiração. O que me deixa perplexo por causa de tudo o que há de complexo dentro da anatomia concreta é a cidade de São Paulo e os poetas dentro daquele vagão. E muitos nem sabem que são poetas. Dentro de sua estação, ela descreve o crepúsculo da vida através do horizonte da memória que o tempo deixa sem perspectiva, porque o trem corre sem medo, apagando dentro do passado a saudade e os amores: a alegria e os segredos. Ela tem a sua própria filosofia de vida severina: única e mágica, porque aqui no Sudeste, fomos convocados para fazer em São Paulo esse sertão campestre, pois todos os imigrantes sem terra, foragidos da guerra onde o mundo perdeu, encontraram essa Pauliceia que a tantos já acolheu. Que diga o cabra do Nordeste que nunca sentiu medo da fome e da peste. Pois isso não é uma canção, não é um exílio. E mesmo assim, o tempo descontente através do labirinto do medo nos deixa além das fronteiras da memória que ressuscitou através do universo de cada verso. Foi assim, como um sonho sem fim, e todas as nações unidas nunca mais viverão sem destino, e de repente __ em pleno oceano __ um vulcão se manifesta como uma orquestra cheia de luz e cheia de tons onde podemos ouvir três sons: é a inspiração, é a poesia, é o coração. Quem poderia ouvir essa guerra íntima sem nenhuma neutralidade? Apenas a poeta e sua poesia que é uma voz que canta o amor... Imaginando a Amazônia, indagações, Clara Nunes, a proeza; Ela. E ali naquela estação, eu imagino o que a poetisa contemplaria e, dentro de seus versos, nos diria: O poema é uma agenda e os versos são apenas fragmentos de uma vida resumida dentro de sua sublime e modesta finitude. Um verso é apenas um refúgio. Dentro dessa

[close]

p. 7

estação, que é a vida, ela contemplou o lago e o viajante: fotografou o instante. Sentada naquela estação, ela assiste o trânsito da vida. E correndo dentro do trem como se a caneta fosse um cometa, descobriu que a vida é um cosmo e as casas cadentes são estrelas reluzentes distribuídas na memória como um sonho vaporoso ao longo dos trilhos da vida. É por isso que ela nos disse que cada um de nós nada mais é que um sobrevivente com amnésia. Através de cada estação, ela procurou a razão da razão. Acredito até que ao longo de sua vida, encontrou o preconceito e a rejeição, simplesmente porque desejou ser poeta. Como Sara e Aghar tiveram o mesmo amor e seu drama familiar, ela também se permitiu ser poetisa para aprender a sonhar. Eu sei que ela adormeceu e sonhou: Caminhando pela praia descobriu e comparou a concha e o poeta. Ela sabe que são muitos sonhos que nos alienam da infelicidade e transformam sonhos em realidade. Essa estação parece ficar no topo da ladeira. Alguém pode até dizer que isso é uma alucinação, como retratos guardados dentro do porão, um desalento, lembranças, insônia. Mas essa estação surreal tem seus vapores de luz e seu brilho sobrenatural. Eu sei que para ela, escrever vale a pena, pois é um sonho, é o fim de uma desventura, uma aventura no tribunal da vida, onde não há condenação, nem absolvição. E durante a imaginação ela descreveu fronteiras vazias. Revelou a inércia e os anseios de liberdade ocultos dentro de cada milagre chamado tempo, júbilo da razão que nos libertou da confusão de ideias dentro desse labirinto, onde vive perdida a nossa humanidade repleta de cicatrizes e das marcas da saudade. Apenas uma pomba caminha pela estação. Êxtase é o que essa mulher sente ao redor do calor de cada verso imaculado dentro da estrofe. Ah, se eu fosse etérea... É o que ela disse. Enfim, o que eu vejo dentro daquela estação? Ela não é uma menina altruísta. É jovem por causa de sua coragem e por fazer de sua vida uma incrível viagem repleta de imagens como retratos. É por isso que algumas palavras não são suficientes para descrever cada detalhe de uma vida vitoriosa, de cada poesia completa e de uma vida repleta de amor e paixão. Clayton C. Gomes

[close]

p. 8



[close]

p. 9

Estação velhice É difícil envelhecer. Primeiro, porque não se chega lá. Antes se morre: se não de tédio, de revolta ou de inanição. E quando se consegue, no mundo real não há perspectiva. Há um contínuo lutar sem forças, para não chegar. Na ficção, no mundo das palavras, onde tudo é velado, Onde autores com belas palavras empenham-se em ajudar. Com autoajuda generalizam as particularidades; Nesses livros dourados, perdem-se as singularidades. Vez ou outra aparecem depoimentos de gente que muito viveu. Que foi muito feliz. E teve mil maneiras para constituir sua felicidade. E despeja as suas maneiras de ser e de agir como receitas universais. Não atentam que cada ser é um universo em particular. Envelheci! Não morri de tédio, nem de revolta, nem de inanição. Cheguei à ESTAÇÃO VELHICE: Estou aqui! Estou morrendo de indignação com o descaso e o abandono A essa estação tão propagada e venerada nos dias atuais. 9

[close]

p. 10

Maria Vilani é autora dos livros Cinco contos sem desconto e de quebra dois poemas, contos e poemas, 1991; O reino de Roselândia, literatura infantil, 1998. E, além desses dois livros, tem várias publicações e premiações como: Medalha de bronze __ Salão de Artes Machu Picchu-Cuzco/Peru, poema, 1989; Menção honrosa __ Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, poema, 1990. ua Fot o : G ira M ar qu e Professora pela rede estadual de ensino de São Paulo há quase 20 anos. E já lecionou em escola particular e em universidade. Pós-graduada em Filosofia Clínica __ Instituto Packter, 2009; Especialização em Língua, Literatura e Semiótica __ Universidade São Judas Tadeu, 2000. Graduações em Pedagogia __ Administração Escolar, UNINOVE, 2003; Filosofia: Licenciatura Plena, com habilitação em História e Psicologia, FAI, 1995. E vários cursos de Extensão, Aperfeiçoamento e Atualização: Educação Africanidades Brasil, UnB, 2006; Filosofia e Vida, UNICAMP, 2006; Psicanálise, Infância e Educação, USP, 2004; Supervisão Escolar, UNINOVE, 2005; Inovações no Ensino Básico __ Difusão Cultural, USP, 1999. Fundadora dos projetos: Escutando e Orientando __ E.E. Professora Adelaide Rosa F. M. de Souza __ Idealização e Implementação, 2008 aos dias atuais; MOCAP: Movimento pela Cidadania Artística da Periferia __ Idealização, 2008; Inventando Estórias __ Centro de Promoção Social do Bororé, SP __ Idealização e realização com publicação de livros de autores mirins, 1991; CAPS: Centro de Arte e Promoção Social __ visa a promoção social, artística e educacional __ Fundadora, 1990. E, atualmente, dedica-se ao trabalho, à arte e à vida familiar. 126 s

[close]

p. 11

A velhice, o tempo, a juventude, a vida, a morte... São as transformações, nas quais os seus poemas desnudam a realidade. É o que vemos em “Estação velhice”, “Brevidade da vida”, “Tempo biológico”, “Finitude”, “Ladeira”, “Você é jovem”, entre outros. E para desvelar a realidade, como Maria Vilani a fez, é necessário mergulhar em cada poema como se estivesse adentrando um labirinto, onde cada passo representa uma fase da existência. Temos aqui um livro que presentifica a vida, feito com a junção harmônica de amigos e familiares. Tenho apenas que agradecê-la pela oportunidade e confiança. Ivanildo de Lima

[close]

p. 12

Este livro é o resultado da insistência dos amigos em me fazer remexer em escritos abandonados numa caixa, a qual eu denominei de minha Sucata Literária. Esses papéis ali permaneciam manuscritos desde muito tempo, no mais completo esquecimento. Tudo era prioridade: os cursos, o trabalho, a família, a religião... Esses poemas, muito embora fizessem parte da minha vida, e, ocupassem os momentos em que me sentia incomodada, eram apenas uma forma de expressão. Não tinha a pretensão de publicá-los. Gostava de declamá-los vez ou outra nas rodas de poesia. Lia de vez em quando para os amigos mais próximos e, muitas vezes, para mim mesma. Remexer a minha Sucata Literária e encontrar poemas escritos desde a década de 1980 até os dias atuais me trouxe recordações que se presentificaram e entranharam-se em meu ser.

[close]

Comments

no comments yet