Revista Alimenta 01

 

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Revista Alimenta 01

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programação completa da vinotech • envase • techlac • multi agro edição 1 ano 1 abril/maio de 2012 A revista de negócios, tecnologia e mercado do setor de alimentos e de bebidas Vinicultura Mais acessível, produto nacional vive explosão de consumo Bebidas Maior poder aquisitivo faz cliente diversificar suas escolhas leite e derivados Indústria aposta em produtos premium e queijos nobres Edição 1 ano 1 abril/maio de 2012 vinicultura • bebidas • leite e derivados • agronegócio agronegócio Novas tecnologias geram safra maior em menor área plantada eficiência do campo à mesa Este é o desafio de todos os envolvidos na cadeia de produção de alimentos para atender um mercado consumidor cada vez mais exigente e que não para de crescer 27.03.12 18:52:27 alimenta Alimentacapa.indd 28

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vinicultura • bebidas • leite e derivados • agronegócio revista nasce com o objetivo de retratar a evolução da cadeia produtiva no Brasil. Nos artigos, entrevistas e reportagens desta primeira edição, o leitor irá encontrar análises, oportunidades de negócios e inovações nas áreas de tecnologia, logística e produção em quatro áreas consideradas fundamentais na economia nacional: o agronegócio, a produção de leite e seus derivados, o fornecimento de bebidas e a ela. Ela agora faz parte da sua vida. boração de vinhos. Conheça a edição 1 ano 1 abril/maio de 2012 A programação completa da vinotech • envase • techlac • multi agro a revista de negócios, tecnologia e mercado do setor de alimentos e de bebidas vinicultura Mais acessível, produto nacional vive explosão de consumo bebidas Maior poder aquisitivo faz cliente diversificar suas escolhas leite e derivados Indústria aposta em produtos premium e queijos nobres agronegócio Novas tecnologias geram safra maior em menor área plantada edição 1 ano 1 abril/maio de 2012 s u m á r i o b r a s i l a l i m e n t a A Semana Internacional Brasil Alimenta, que será realizada em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, debaterá e apresentará soluções em tecnologia para as cadeias produtivas da uva e do vinho, bebidas em geral, agricultura e laticínios alimenta ons negócios do campo até a mesa 22 Semana Brasil Alimenta Evento em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, apresenta a tecnologia para os setores de bebidas e de alimentação eficiência do campo à mesa Este é o desafio de todos os envolvidos na cadeia de produção de alimentos para atender um mercado consumidor cada vez mais exigente e que não para de crescer 27.03.12 18:52:27 Alimentacapa.indd 28 22 Fornecedores de produtos alcoólicos e não alcoólicos apostam na recuperação do mercado com mais lançamentos Bebidas 28 b e b i d a s 4 Editorial apesar da retração nas vendas em 2011, setor de bebidas alcoólicas e não alcoólicas acredita em recuperação neste ano e prevê crescimento consistente graças ao lançamento de novos produtos omento de reação 6 Fique por dentro Notícias do setor agroindustrial de alimentos e bebidas 28 v i n i c u l t u r a 36 Vinicultura m Brinde ao creScimento O setor vitivinícola brasileiro comemora um aumento de 7% nas vendas em 2011. Para este ano, as perspectivas são positivas tanto para o mercado interno como para o externo 8 Entrevista Produtores de vinhos comemoram aumento nas vendas e se mostram otimistas com maior volume de exportações José Protas, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho 14 Capa 36 Aumento do consumo na última década reforça a necessidade de modernização das indústrias para poderem crescer ainda mais Leite e derivados 44 l e i t e e d e r i v A d o S em riSCo de derrAmAr O mercado do leite e seus derivados foi favorecido pelo seu aumento de consumo na última década, mas ainda precisa se modernizar para que a produção possa crescer ainda mais e ganhar novos mercados Raio X do prato brasileiro. Mudanças nos hábitos alimentares desafiam os agentes da cadeia de abastecimento 60 Expositores 44 Confira todas as empresas que participam da Brasil Alimenta a g r o n e g Ó c i o 52 Agronegócios ocoMotiva verde Exportação, agricultura familiar e aumento na demanda por produtos orgânicos ajudaram a impulsionar o desenvolvimento da agropecuária brasileira em 2011. O resultado foi um PIB de 197 milhões de reais, 3,9% superior ao resultado do ano passado A agricultura familiar e o cultivo de orgânicos têm apresentado resultados positivos, mas ainda enfrentam desafios e entraves 66 Artigo Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, aborda a importância da sustentabilidade 52 3 27.03.12 19:02:35 sumario.indd 3

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e d i t o r i a l Retrato da cadeia produtiva É com grande prazer que a EBC – Editora Brasileira do Comércio apresenta mais um produto editorial. A revista ALIMENTA, cujo número inaugural o leitor tem agora nas mãos, foi criado com o intuito de retratar a evolução do mercado de alimentos e de bebidas, ressaltando as oportunidades e inovações em tecnologia, logística, negócios e mercado, desde o nível da produção na agricultura, nos laticínios e seus derivados, e na vitivinicultura, passando pela cadeia de abastecimento até o consumidor final. A publicação surgiu da idealização de Vicente Puerta, presidente da EBC, que também edita as revistas DISTRIBUIÇÃO E ABASTECIMENTO, especializadas no atacado distribuidor e no pequeno e médio varejo, respectivamente. À proposta de Vicente se somou o entusiasmo da equipe de redação diante da oportunidade de apresentar ao mercado um novo veículo de comunicação que integrasse informações relativas à cadeia alimentar e ao mundo das bebidas. Ancoradas, principalmente, na tecnologia e na realidade mercadológica, seu conteúdo se propõe a contribuir para o desenvolvimento dos vários aspectos envolvidos nas atividades de todos os profissionais, empresários, produtores e fabricantes que compõem a cadeia. O objetivo da redação é o de contribuir com essa experiência para o desenvolvimento desse importante setor da economia, com informações que vão desde Anderson Souza a propriedade agrícola empreendedora, base da sustentação da cadeia, uma vez que é a fornecedora da matéria-prima que, transformada em um produto útil, chegará ao consumidor final no mercado. A revista pretende, assim, desempenhar o papel de discutir e retratar os rumos contemporâneos, as tendências e as tecnologias, bem como as logísticas empregadas na cadeia de produção e de abastecimento (indústria, atacado e varejo) de alimentos e bebidas, da semente ao prato – e ao copo – nas mesas de todos os brasileiros, em casa, no bar, no restaurante, na lanchonete, ao ar livre, ou onde quer que se faça conveniente o consumo desses produtos. Nesse sentido, ALIMENTA pretende ser um instrumento de informações relevantes, de geração de conteúdo e de conhecimento. Para a estreia, a primeira edição dá um panorama dos vários mundos que passarão a compor a publicação – Alimentação, Leite e Derivados, Bebidas (alcóolicas e não alcóolicas), Vinhos e Agronegócios. Nas próximas edições, traremos artigos, entrevistas e reportagens sobre os mais variados assuntos relacionados a esses mundos, tanto nos aspectos da inovação e dos equipamentos como dos serviços, produtos, relacionamentos, geração de oportunidades e novas tecnologias. Boa leitura e até a próxima! Cristiano Eloi, Editor Portal newtrade Repórteres Andréia Martins andreiamartins@ebceditora.com.br Rodrigo Puerta rodrigo@ebceditora.com.br Web Design Anderson Souza souza@ebceditora.com.br Midias Digitais Gabriel Baldin gabriel@ebceditora.com.br Representantes São Paulo: Paulo Sérgio paulo.sergio@ebceditora.com.br Raul Urrutia raul.urrutia@ebceditora.com.br SP Interior: Tânia Nassif tania.nassif@ebceditora.com.br MG e Centro-Oeste: Kamila Fonseca kamila.fonseca@ebceditora.com.br RJ/ES, Norte e Nordeste: Priscila Marinho priscila.marinho@ebceditora.com.br RS: Ricardo Cunha ricardo.cunha@ebceditora.com.br Relacionamento Institucional Alceu de Genaro genaro@ebceditora.com.br Leitores/assinaturas/circulação Fernando Mendes relacionamento@ebceditora.com.br Fale conosco: (11) 5572-1221 redacao.db@ebceditora.com.br Gerência Administrativa/Financeira Simone Vargas simone@ebceditora.com.br Jornalista Responsável Cristiano Eloi – MTb 38.052 Projeto gráfico Fábio Matxado Editor Cristiano Eloi cristiano@ebceditora.com.br Redação redacao.db@ebceditora.com.br Editora Brasileira do Comércio Rua Apeninos, 1.126 cep: 04104-021 | São Paulo - SP Fone: (11) 5572-1221 Fax: (11) 5572-1221 ramal 235 ebc@ebceditora.com.br www.ebceditora.com.br Diretor-Presidente Vicente Puerta vicente@ebceditora.com.br Diretor-Comercial/Marketing Rogério Oliva oliva@ebceditora.com.br Diretora-Editorial Claudia Rivoiro claudiarivoiro@ebceditora.com.br Repórteres Daniela Guiraldelli daniela@ebceditora.com.br Giane Laurentino giane@ebceditora.com.br Jamille Menezes jamille@ebceditora.com.br Revisão Newton Roberval Eichemberg Criação e Produção Criação Fábio Geríbola fabio@ebceditora.com.br Produção Gráfica Ronaldo Secundo ronaldo@ebceditora.com.br www.publitrade.com.br Gerência Comercial Jorge Rodrigues: jorge@ebceditora.com.br Gerência de Clientes Especiais José Paulo Basílio jose.paulo@ebceditora.com.br Marcos Monaco monaco@ebceditora.com.br Editora Brasileira do Coméricio filiada ao 4 editorial.indd 4 Periodicidade: bimestral - Circulação: nacional - Tiragem: 10.000 exemplares - Distribuição dirigida e assinaturas - Impressão: Vox Gráfica A revista é destinada a empresários, sócios, diretores, gestores, gerentes, compradores e profissionais das empresas dos setores de bebidas e alimentos 27.03.12 19:09:18

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a l i m e n t a fique por dentro Vinhos pelo mundo Nova Zelândia Cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, provaram que as leveduras do vinho variam de região para região. O estudo detectou pela primeira vez diferenças entre leveduras de cepas Chardonnay e Syrah em três diferentes regiões do país. Segundo os estudiosos, resultados semelhantes podem ocorrer em outros países, ajudando a explicar, juntamente com fatores já conhecidos, a peculiariade de cada vinho. Em 2011, houve recorde de exportações de vinho italiano, somando 4,4 bilhões de euros. Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido são os principais importadores, com 948, 919 e 509 milhões de euros, respectivamente. Itália 275 milhões de reais serão investidos em um projeto que triplicará a área irrigada no Rio Grande do Sul. O governo local prevê o término da obra para o segundo semestre de 2014. A área será expandida para 320 mil hectares. Leite 1 Produção acelerada Com aproximadamente 528 mil vacas apropriadas para ordenha, o Mato Grosso do Sul produz cerca de 970 litros por vaca por ano, o que acarreta para o Estado 2,65 litros de leite por vaca por dia, ao passo que a média de produtividade nacional é de 3,67 l/v/d. Os dados foram obtidos pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e repassados aos produtores desse Estado durante o Programa Mais Leite, em 15 de março, em Glória de Dourados/MS. Leite 2 Legislação Final incerto Bob Stallman, presidente da Federação Agrícola Americana, disse que é pouco provável que o Congresso norteamericano conclua ainda neste ano a nova Farm Bill (legislação para os programas de política agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA), que orientará a política para o setor nos próximos cinco anos. Fábrica no exterior 6 fique por dentro.indd 6 A Bom Gosto, companhia brasileira de lácteos, informou às autoridades do governo do Uruguai e da prefeitura de San José que neste ano ela começará a construir lá sua nova planta, com um investimento de 40 milhões de dólares. A empresa terá um plano de captação de produtores de leite, que inclui o apoio a pequenos e médios produtores, com a criação e o desenvolvimento de uma nova bacia leiteira no país. 27.03.12 16:27:19

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O que nós queremos é encontrar adeptos de um conceito mundial de áreas de proteção permanente e que, aos poucos, cada país possa, de forma autônoma e soberana, ir adotando uma legislação própria para a plantação e a conservação das matas ciliares” Kátia Abreu, senadora (PSD-TO) e presidente da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária 118 bilhões de reais foi o PIB alcançado em 201 1 no agronegócio de Minas Gerais, segundo o Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da USP – Universidade de São Paulo. Esse foi o melhor resultado já registrado no Estado e representa a soma das riquezas do setor relativas à produção básica, insumos, agroindústria e distribuição. Resultado Aliança conquistada As contratações registradas por meio do programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que usa boas práticas por meio de agricultores brasileiros, foram destaque no período entre julho de 2011 e fevereiro de 2012. Os dados divulgados na segunda quinzena de março, pelo Ministério da Agricultura, mostram que os agricultores contrataram 501,2 milhões de reais no período por meio dessa linha de crédito. Para 2012, a Leite Brasil aposta na recuperação da rentabilidade e na queda nos preços das commodities para reduzir os custos, fazendo com que o mercado de leite volte a crescer dentro da média histórica dos últimos dez anos” Jorge Rubez, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite fique por dentro.indd 7 fotos divulgação 27.03.12 16:27:47

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Temos muito que evoluir e aprender Por Giane Laurentino O vinho nacional sempre foi muito ligado à Serra Gaúcha e à colonização italiana. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento do cultivo da uva no País, os parreirais se espalharam para as outras regiões, proporcionando ao vinho nacional novos sabores e possibilidades. vitivinicultura se desenvolveu na região serrana no Rio Grande do Sul e, logo depois, foi ganhar os pampas na Região Sul, em Santa Catarina e no submédio São Francisco. Protas também é coordenador da Rede de Centros de Inovação de Vitivinicultura do Sibratec (Sistema Brasileiro de Tecnologia) e fala sobre a identificação geográfica, que possibilita um melhor uso de cada região para a produção de um vinho nacional ainda melhor. O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Protas, conta como a 8 Entrevista 2.indd 8 27.03.12 11:48:56

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A vitivinicultura no Brasil tem uma expressão comercial e uma relação muito estreita com a colonização italiana. Essa relação começa na Serra Gaúcha, mas também ocorreu em outras regiões menos expressivas, como em Santa Catarina, no Paraná, na Região Nordeste, em São Paulo e no Espírito Santo. A vitivinicultura do País se diferencia do restante do mundo porque se baseia na uva americana. Basicamente, há dois grupos de uvas: as americanas e as europeias. Todo grande vinho é elaborado com variedades europeias, como a merlot, a cabernet e a tannat. Mas essas variedades exigem muita tecnologia e muitos cuidados por causa da delicadeza da uva. Com a vinda dos italianos para a Região Sul, onde chove muito, começou-se a produzir vinho com uvas americanas, que são mais resistentes e produzem suco e vinho de mesa. Embora, tradicionalmente, o mundo da enologia não aceite que se faça vinho com esse tipo de variedade, o cultivo e a produção de vinho com uvas americanas se consolidaram no Brasil. Elas se adaptaram bem à região e formaram o polo vitivinícola. O que caracteriza a vitivinicultura no Brasil? Quantos tipos de uvas existem? A partir da década de 1970, com algumas pesquisas e iniciativas de algumas empresas, foram trazidas as variedades europeias, e começou o processo de se trabalhar para promover a adaptação dessas variedades a regiões não favoráveis. Na mesma década, consolidou-se a produção do vinho fino. No Brasil, diferentemente dos outros países do mundo, onde os vinhos são feitos com uvas europeias, 80% dos vinhos são feitos com uvas da variedade americana. E quando começou a produção de uvas europeias no País? Entrevista 2.indd 9 fotos Viviane Zanella O cultivo e a produção de vinho com uvas americanas se consolidaram no Brasil. Elas se adaptaram bem à região e formaram o polo vitivinícola" 27.03.12 18:08:08

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A vitivinicultura que usa uvas europeias, as que dão origem aos vinhos finos e aos espumantes, se consolida em regiões não tradicionais. Os vinhos finos produzidos no Rio Grande do Sul não são produzidos apenas na região da Serra, mas também na metade sul do Estado, na Região da Campanha, vizinha do Uruguai e da Argentina. É uma área na qual chove menos no verão e que é dotada de uma topografia que favorece a mecanização, e é uma área onde há grandes propriedades, diferentemente dos minifúndios da região da Serra. E há também a vitivinicultura que começa a se diferenciar em regiões menos tradicionais. Em Santa Catarina, ela está localizada nas regiões mais altas, como São Joaquim, Água Doce e Campos Novos. E no submédio São Francisco, ela se localiza entre a Bahia e Pernambuco, em Petrolina e Juazeiro. Esse é um cenário macro da produção de vinho no País. A produção de vinhos é realizada apenas na Região Sul do País? No caso da Serra Gaúcha, a produção de uva americana é basicamente familiar, e é realizada pelos descendentes dos colonos italianos. No caso da uva europeia, que produz vinhos finos, a estrutura é verticalizada, pois exige mais tecnologia e investimentos por causa da sensibilidade das uvas. A tendência é no sentido de as empresas produzirem suas próprias uvas. É o que ocorre no Vale dos Vinhedos. Lá, a maioria das vinícolas produz suas próprias uvas. O que essas uvas europeias exigem dificulta seu cultivo pelo produtor tradicional. A produção da uva ainda se baseia na agricultura familiar? Algumas pessoas dizem que não se toma vinho porque o Brasil é um país tropical, mas ele tem apenas 13% de álcool, enquanto o uísque, que tem 40%, é mais consumido no Recife" oferta de vinho, e quanto maior é a oferta, mais dificuldade é preciso enfrentar para se estabilizar no mercado. Alguns países da Europa, da América Latina, da Oceania e até da África têm uma estruturação organizacional muito coesa e vigorosa, o que impõe muita dificuldade por causa da competição. Fazemos um esforço muito grande para formarmos e apresentarmos uma imagem do vinho brasileiro, mas não comercializamos quase nada. É um dos mais disputados pelos vinhos internacionais, e, apesar disso, cresce de maneira significativa. O Brasil é um dos países mais interessantes do mundo, pois o seu consumo per capita é muito baixo. Se pegarmos os países europeus, verificamos que o consumo varia de 20 a 60 litros per capita, mas no Brasil esse consumo não chega a dois litros. O País tem um potencial de expansão muito grande. Consome-se, por ano, 60 litros per capita de cerveja e 15 litros de cachaça. Algumas pessoas dizem que não se toma vinho porque o Brasil é um país tropical, mas ele tem apenas 13% de álcool, enquanto o uísque, que tem 40% de álcool, é mais consumido no Recife. Há alguns mitos que precisam ser desfeitos para que o vinho se estabeleça no mercado. O País vem desenvolvendo um programa que é uma parceria entre o Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho e a Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e que se chama Wines of Brazil. Ela representa um esforço para tornar a produção brasileira presente nas principais feiras internacionais e colocar o vinho nacional à venda no mercado externo. O Brasil não está no hall dos países reconhecidos como vitivinícolas no mundo. Nossa produção do vinho mais tradicional ainda é muito nova. Sim, temos muito a evoluir e muito a aprender, tanto em tecnologia como em organização do negócio. Há no mundo globalizado um excesso de Como é a imagem do vinho nacional no exterior? E como está o mercado nacional? Ainda temos de evoluir? 10 Entrevista 2.indd 10 27.03.12 11:49:54

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O mercado do vinho fino, composto pelo importado e pelo moderno vinho brasileiro, é dividido em 80% de vinho importado e 20% de vinho brasileiro. Temos um grande déficit em nosso mercado interno. O esforço para exportar vinho brasileiro é válido, pois existe a hipótese de que, sendo reconhecido no exterior, o vinho nacional será respeitado. Mas o grande mercado do vinho é o daqui de casa. O grau de complexidade é muito grande. Uma questão recorrente é a taxa tributária. O Brasil é um dos países onde pesa a maior carga tributária sobre o vinho. O espumante, que é um produto de maior valor agregado, tem 45% do seu preço em impostos que incidiram desde a colheita da uva até se chegar à ponta. Isso faz com que se perca competitividade. Há uma busca que se realiza junto às autoridades para que sejam criadas políticas compensatórias. No País, qual é a proporção entre o consumo de vinho nacional e o de vinho importado? O que se faz para ocupar esse espaço? Um dos avanços relacionados à produção da vitivinicultura é a indicação geográfica para o vinho. A primeira, outorgada pelo INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foi o Vale dos Vinhedos. Hoje, as regiões tradicionais, onde se consolidaram os vinhos de mesa, começam a apresentar essas informações. Temos indicações geográficas do Vale dos Vinhedos e de Pinto Bandeira/RS, e deveremos ter em breve a da localidade de Altos Montes, no município de Nova Prata/RS. A organização e a estruturação das indicações geográficas já ocorrem nas regiões tradicionais, e possibilitam uma nova imagem e um padrão de qualidade de alto nível para os vinhos finos brasileiros. Trabalhamos para estabelecer indicações geográficas dos vinhos dos pampas, de Santa Catarina e da região do São Francisco. Quando se criou a identificação, em 2002, fez-se um estudo detalhado do clima, do solo, do mapeamento do solo, do comportamento vinícola, e das melhores variedades que são mais adequadas às condições climáticas. Isso gera uma estruturação normativa para orientar todos os atores da cadeia a utilizarem as bases de informação a fim de produzirem as uvas que irão se adaptar à região. Esse conjunto de informações fará com que o vinho que tem origem naquela região seja o melhor produzido naquelas condições ambientais. Esse tem sido o principal foco dado pela pesquisa, tanto na organização gerencial como na tecnológica. Como a produção de vinho tem avançado? Em que consiste a identificação geográfica? O esforço de exportar vinho brasileiro é válido, pois vigora a hipótese de que se for reconhecido no exterior, o vinho nacional será respeitado" 12 Entrevista 2.indd 12 Fazendo-se com que as regiões se organizem com base em indicações geográficas e fortaleçam a governança para estabelecer padrões de qualidade, será possível certificar esse vinho de maneira a se obter e a fornecer uma imagem melhor para o vinho nacional. Esse é o trabalho da Embrapa e de uma rede de instituições que estudam isso. A vitivinicultura brasileira, até o começo da década de 1990, era feita em um País fechado para importações. O mercado estava mais ou menos restrito ao produto nacional. Isso estabeleceu uma zona de conforto para toda a cadeia. Quanto à produção de vinhos finos, iniciada na década de 1970, ela se estabeleceu até mesmo em meados da década de 1990. Neste momento, o mercado está aberto para os produtos importados e de qualidade, o que impõe uma nova realidade no que se refere à pressão e à competição para o vinho nacional. Como a indicação geográfica poderá contribuir para a excelência na produção de vinho? 27.03.12 11:50:22

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c a p a Raio do prato do brasileiro Um novo cenário de consumo se desenha no País, provocando mudanças profundas nos hábitos alimentares das famílias e desafiando os agentes da cadeia de abastecimento desde a produção até a venda da comida pronta Por Daniela Guiraldelli 14 CapaMiolo.indd 14 28.03.12 18:24:03

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