Revista Figuras&Negócios #154

 

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Revista Figuras&Negócios #154

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A CARTA DO EDITOR reservando capitulo essencial a formação do homem com políticas sustentadas de formação de quadros em todos os sectores. O grande destaque que se dá nesta edição a Província de Benguela marca o início de um outro capítulo na nossa estrategia editorial que visa dedicar mais atenção a Angola do interior. Isto, numa altura em que foram divulgados os primeiros resultados preliminares do Censo Populacional que indicam que o País tem 24 milhões e 300 mil habitantes, sendo 52% do sexo feminino. A Província de Luanda concentra 26,7% da população do Pais, isto é, seis milhões e meio de habitantes seguida da Huíla, com 10%, de Benguela e Huambo, com 8% cada, Cuanza Sul (7%), Bié e Uíge (6%). Estas sete regiões reúnem 72% do total dos residentes no País, uma matéria que também merecerá outras abordagens em próximas edições. De realçar, no plano internacional, a realização de eleições legislativas e presidenciais em três países que têm o português como língua oficial: S.Tomé e Príncipe, Moçambique e Brasil. No primeiro País registou-se a victória esmagadora da ADI de Patrice Trovoada que vai chefiar, como Primeiro-Ministro, um governo com maioria absoluta. No desporto, Angola tem a sua presença no CAN do próximo ano comprometida, embora no seu último jogo em casa os Palancas tenham dado um ar da sua graça e cilindraram o onze nacional do Lesotho por três bolas sem resposta. Outras vitórias serão necessárias numa altura em que está assente que, afinal, o CAN já não se realizará em Marrocos, conforme estava previsto. Da Economia a Sociedade, Figuras&Negocios procura ser mensalmente uma revista abrangente e rica em temas de leitura contribuindo, assim, para a melhor formação e informação dos seus leitores. Boa Leitura Província de Benguela não quer continuar na letargia e a sua governação aposta num programa de desenvolvimento ambicioso e envolvente que, depois de materializado, a guindará Província a um dos lugares cimeiros no País. Com um conjunto de projectos que abarcam as principais áreas da vida econômica e social, enfase grande é dedicada a agricultura na mira de melhor se aproveitar as enormes potencialidades da Provincia, a indústria para recuperar o seu lugar de um dos maiores parques industriais. Desenha-se o surgimento de novas indústrias, desde a agro-alimentar à metalo-mecânica, a indústria pesqueira ao mesmo tempo que se vai apostar na indústria turística como uma area rica, pelas suas potencialidades, para arrecadação de receitas. É, como referimos acima, um programa ambicioso e extenso que "visita" todas as áreas do desenvolvimento, 4 Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014

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7. EDITORIAL PRESTÍGIO E RESPONSABILIDADE 10. PÁGINA ABERTA «SINTO-ME UMA MULHER MAIS MADURA» 16. LEITORES BEM HAJA, BILL E MELINDA GATES! 19. PONTO DE ORDEM DESAFIOS CALCULADOS 56. POLÍTICA JUSTIÇA PORTUGUESA INVESTIGA BENTO KANGAMBA 58. FIGURAS DE CÁ 62. SOCIEDADE BAIRROS DOMINADOS PELO CRIME 64. MUNDO REAL OS RISCOS DA BAJULAÇÃO E CULTO A PERSONALIDADE 69. NA ESPUMA DOS DIAS CANDONGUEIROS: MARCAS E IDENTIDADES... ITINERANTES! 70. FIGURAS DO MÊS YANICK MOREIRA, O BASQUETEBOLISTA DO MOMENTO 72. CULTURA URGE PROMOVER O QUE É NOSSO! 76. CONJUNTURA ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO, EDUCAÇÃO OU DISCIPLINA? 80. MUNDO ÉBOLA SEM ESPAÇO NO BRASIL CAPA: BRUNO SENNA BENGUELA, UMA PROVÍNCIA EM FRANCO DESENVOLVIMENTO DOSSIER 20. 66. ECONOMIA&NEGÓCIOS MODA & BELEZA 98. GOVERNO ASSINA ACORDO COM EMIRATES 104. A FEBRE DAS CIRURGIAS PLÁSTICAS RECADO SOCIAL A UNIÃO AFRICANA ESTÁ DOENTE, DESUNIDA E POUCO SOLIDÁRIA Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014 6

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CATHERINE JUSTIFICA DINHEIRO ANGOLANO E KABILA QUER "BISAR" NO PALÁCIO ÁFRICA 84. F MOÇAMBIQUE FILIPE NYUSI NOVO PRESIDENTE ilipe Nyuse deverá ser o próximo Presidente da República de Moçambique, substituindo Armando Guebuza que esteve no poder durante dez anos. Naquele Pais africano tiveram lugar eleições presidenciais e legislativas e tudo aponta que a Frelimo continuará a ser a maior força política do Pais conquistando maioria absoluta. Até ao momento em que fechávamos essa edição, (23 de Outubro), ainda decorria a contagem dos votos das duas eleições mas tudo apontava que quer Nyusi quer a Frelimo sairão vencedores com margens folgadas. Na nossa próxima edição abordaremos mais em detalhe as eleições de Moçambique e do Brasil onde também Dilma Rousself e Aécio Neves participaram, em 25 de Outubro, numa segunda volta para se apurar quem será o novo Presidente daquele país sul-americano que tem o português como língua oficial. Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 154, Outubro – 2014 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa, Manuel Muanza, Rita Simões, D.Dondo e Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina e Olavo Correia (Cabo-Verde) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal e Europa: Venda/Assinatura e Publicidade: Rita Simões Rua Rosas do Pombal Nº15 2dto 2805-239 Cova da Piedade Almada Telefone: (00351) 934265454 Assinaturas (geral): Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Produção Gráfica: Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com Facebook: Revista Figuras&Negócios Angola Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014 7

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A EDITORIAL PRESTÍGIO E RESPONSABILIDADE pedras da balança. Concretamente, exigese reforma, e Angola alinha nesta direcção, propondo-se designadamente a entrada como membros permanentes de países como o Brasil, Alemanha, India e Japão com a África a levantar a voz e exigir também um assento. Nesse aspecto, a luta vai continuar e os olhos de África virar-se-ão para Angola que não pode deixar de fazer valer essa justiça, quer pela imensidão geográfica do continente como do conjunto de problemas que atravessa e que muitas vezes centram as discussões mundiais, quantas vezes lideradas por representantes de outras latitudes e desconhecedores da realidade africana. É, aliás, sobre o peso dessa responsabilidade que Angola terá de pautar a sua postura no seio do CS fazendo honrar a solidariedade de que beneficiou do continente onde recebeu o apoio maioritário dos países membros da União Africana. Com portas abertas para uma leitura mais atenta sobre o seu processo de democratização, é nesse campo que aumentam as responsabilidades de Angola, sobretudo nas acções que incidem numa governação mais transparente, no respeito dos direitos humanos, motivos que constituem sempre molas de força para se credibilizar o estado da democracia dos países. Angola não diz, nem nunca disse, que já é um País perfeito (e quem o é?) pelo que urge ter em conta nas análises que se fazem, os esforços de reconstrução e reconciliação para se apagar as feridas de uma guerra fratricida de anos. Instalaram-se os principais pilares do Estado democrático, as eleições para a alternância do poder de forma democrática já são um facto, merecendo que se trabalhe afincadamente para que os orgãos dos poderes locais sejam também eleitos, o que deverá acontecer entre 2017/2018. Trata-se de uma medida de passos comedidos e cautelosos, compreensível quando se tem presente os meandros da realidade concreta do País, nem sempre bem entendido porque falta o enraizamento do debate e da concertação nacional. E porque não acreditar que esse reconhecimento internacional agora possa constituir um "empurrão" para se revitalizar os esforços para a plena democracia no País? eleição, a 15 de Outubro, de Angola como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em representação do continente africano, constitue para o País o reconhecimento de um prestigio estimulante que a sua diplomacia vem ganhando no mundo mas aumenta também as suas responsabilidades ante a postura diante dos problemas que o mundo hoje vive. Eleita durante os trabalhos da 69ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Yorque, com 190 votos em 193 possíveis, o facto é o corolário de um trabalho diplomático que começou em 2002, logo após a assinatura do Memorando de Entendimento que pôs fim à guerra civil e é a segunda vez que o País assume tão honroso e prestigiado posto. A primeira foi em 2002 para o biênio 2003/2004 e agora será para o exercício de 2015/2016. O CS das Nações Unidas é, por excelência, o orgão responsável pela manutenção da segurança e paz no mundo, o que dá para medir o alcance da responsabilidade que recai sobre o País, hoje muito empenhado em fazer vincar, sobretudo no continente africano, uma outra leitura sobre as resoluções de conflitos dando ênfase ao diálogo interno entre as forças beligerantes, como acontece na RCA e na RDC onde as impressões digitais de Angola para acabar com a guerra têm sido relevantes. Constituido por 15 membros (cinco permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e 10 não permanentes, em representação das varias regiões continentais, este orgão tem como missão autorizar acções militares para o estabelecimento da paz, definir e executar operações de paz em países que vivem conflitos militares e estabelecer sanções internacionais a países cujo comportamento seja uma real ameaça à paz e seguranca global ou regional. Os cinco membros permanentes possuem poder de veto, isto é, qualquer decisão do CS só é posta em pratica caso não receba a oposição (veto) de um deles. Uma questão que tem suscitado nos últimos tempos várias discussões que vão levar, tarde ou cedo, à reformulação do funcionamento do próprio CS porquanto se defende, e com justiça, que é chegado o momento de naquela grande instância de debate internacional serem mais equilibradas as Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014 9

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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES REPÚBLICA DE ANGOLA LISTA DE AGENTES DO CNC Contact: Mrs. Ilse Fliege Martinistrasse.29 D-28195 Bremen Telf: (49) 421 339 365 Fax: (494) 213 393 699 Email: management@asa-services.net/ t/ t/ bremen@asa-services.net Germany, Poland, Lithuania, Latvia, estonia, Russia, Ukraine, England, Ireland and Scotland ASA GMBH HEISEI SHIPPING AGENCY Contact: Mr. Sawamoto Shiba Nishi Bldg, 6F 9-1 Shiba 4-Chome, Minato KU Tokyo Telf: (81)354765771/(81)354765710 Fax: (81) 354 765 711 Email: ops@hship.co.jp Japan FRABEMAR BEACON & SOUTH ATLANTIC AGENCIAMENTOS LTDA Contact: Mr. Franco Bernardini Ms Sara Pizzo Viale Brigate Partigiane 16/2 16129 Genoa Italy Telf: (390) 105 533 011 Fax: (39) 010 541 458 Email: dbernardini@frabemar.it/mbernardini@frabemar.it Italy and spain Contact: Sr. Thiago Lima, Srª Ana Quast, Sr.José Vela D. Silva Rua do Comércio 55 - SI. 61/63 / CEP: 11010-141 - Santos - SP / Brasil Telf: (55) 13 30234255 Fax: (55) 13 30234270 Email: thiago@beaconsouth.com.br/ br ana@beaconsouth.com.br/ br/ br br/ marilinda@beaconsouth.com Brazil SCC Contact: Mr. Duarte Miranda Mr Miguel Camelier Silva R. de Moscavide, Lt 4.28.02, Loja A - Parque das Nações - 1990-198 Lisboa Telf: (351) 218 947 140 Fax: (351) 218 945 145 Email: lisboa@scc.com.pt/ t m.camelier@scc.com.pt t/ Portugal MITCHELL COTTS Contact: Ms.Marisa Sidorak Calle Lima 29, Piso 3, Oficina I. Buenos Aires Argentina Telf: (54) 11 48780668 / (54) 11 48780669 Fax: (541) 143 811 713 Email: marisa@angomar.com.ar/ ar/ ar luis@angomar.com.ar Argentina, Bolivia, Colombia, Ecuador, Peru, Ungria Paraguay and Venezuela ANGOMAR AGENCIA MARÍT Í IMA SRL ÍT Contact: Ms.Nadia Titton 11th Floor, Grindrod House 108 Victoria Embankment Durban P.OBOX 1021 Durban 4000, South Africa Telf: (27) 313 027 189 Fax: (27) 313041752 Email: nadia@mitchellcotts.co.za;/nigels@mitchellcotts.co.za Republic of South Africa, Namibia, Swa w waziland, Zimbabwe w we, Mozambique, ilhas Mauricias, Tanzania and Kenya SEAWAY EXPRESS CO, LTD OIC SERVICES INC. Contact: Ms.Phornsri Simavanichkul 718/ 718 6 Soi Suanplu, South Sathorn Road, Sathorn, Bangkok 10120 Telf: (66)267933456 (66) 67947979 (66) 26794019 Fax: (66)26794018/ 18/ 18/ (66)22131125 Email:phornsri@ksc.th.com Thailand, Myanmar and Laos Contact: Mrs. Veronique Durnerin B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (18) 329 126 820 Fax: (18) 329 126 864 Email: vdurnerin@oicservices.com/info@oicservices.com USA and Mexico Contact: Mr.Sylvain Lepage Mr. Hugo Bourassa 1695 Boul. Laval, Suite 330 - Laval, QC - H7S 2M2 Telf: 1 (450) 975 2058 Fax: (14) 509 752 125 Email: s.lepage@transgloballogistics.ca/ a h.bourassa@transglobala/ logistics.ca Canada TRANSGLOBAL Contact: Mr. Schreurs Philippe Square de Meeus 38/ 38 40 - 1000 Bruxelles, Belgique Telf: (32)24016139 Fax: (3) 224 016 140 Email: office@technimar.net Belgium, Netherlands and Luxemburg TECHNIMAR 10 Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014

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Contact: Mr. Willy Deku P.O. BOX CT 2878 CANTONMENTS ACCRA Fax: Telf: (23)322210509 (23)3243715976 (23)3208116762 Fax: (23) 322 210 509 Email: wilmardel@ighmail.com/ wildeku@yahoo.com Benim, cameron, Ivory Coast, Gabo, Ghana, Equatorial, Equatorial, Guinea, Nigeria, Senegal and Togo WILMARDEL LTD TIME OCEAN SHIPPING LIMITED Contact: Ms.Wang Yue I 19/F, International Ocean Shipping & Finance Center, No. 720 Pudong Avenue, Pudong New District, Shanghai - China Telf: (86)2150366097/ (86)2150366098 Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China WILHELMSEN HYPWOON SHIPS SERVICE LTD Contact: Mr.K.S. Lee 12th floor, Doryeom Bldg., 60 Doryeom-Dong, Jongno-Gu, Seoul Korea Telf: (82)237030801 Fax: (8) 227 388 130 Email: k-s.lee@wilhelmsen.com South Korea Contact: Mrs.Diane Carole Makiza B.P 5208 Pointe Noire - Republique du Congo Telf: (2) 426 481 016 Email: aladin.services.congo@yattoo.com Congo ALADIN SERVICES CONGO SAGA SHIPPING Contact: Mr.Leo Mikkelsen Auktionsvej 10 9990 Skage Dinamarca Telf: (4) 598 443 311 Fax: (4) 598 450 029 Email: saga@saga-shipping.dk/ k k/ Denmark, Finland, Norwa w y and Sweden wa w weden Contact: Mrs.Yasemin Uyar ISTOC 18 ADA NO:120 BAGCILAR ISTANBUL-TURKEY Telf: (902) 124 823 743 Fax: (902) 124 827 757 Email: info@dsf-cnca.com/ yasemin.uyar@dsf-cnca.com Turkey DSF DOLPHIN CHARTERING SERVICES PVT PV . LTD Contact: Mr.Subodh Joglekar 405, Gokul Arcade. A-Wing. Vile Parle (East). Mumbai 400 057, INDIA Telf: (91)2228368825/ / (91)2228368827 Fax: (912) 228 361 849 Email: dolphin@dolphinchart.com India WAB CORP MARINE TRANSPORT SERVICES (L.L.C.) Contact: Ms. Vivian Fernandez z Mr. Hussein El Zein Platinum Business Center Offices No 606/607, 6th Flr. Bagdad Road, Al Nahda 2nd P.O Box 172203 DUBAI - United Arab Emirates Telf: (97) 142 583 529 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wab wabcorporation.com/ wab@ wabcorporation.com w w w Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria FOREMOST LINE LIMITED Contact: Mr. ST Chen Chuang Thio Beijing Office 2708-07, Tower C, Office Park 5, Jianghai South Street, Chaoyang District, Beijing China 100020 Tel: (85) 225 418 671 Email: foremosthk@foremostline.com China WAB CORPORATION Contact: Mr. Hassan Yahfoufi, Ms. Abeer Ashour 2931, Airport Business Center, 4th Floor #402 Beirut, 2814-4105 Lebanon Telf: (9) 611 458 825 Fax: (9) 611 456 688 Email: abeer@wabcorporation.com/ wab@wabcorporation.com Lebsnon, Iraq, Iran, Saudi, Arabia, Egypt, Jordan, Qatar and Syria SIN CHIAO SHIPPING AGENCY PTE LTD MARITRADE SHIPPING CONSULTANT SAS Contact: Ms.Nadia Berkane 10,Rue du Colisée, 75008 Paris Telf: (330) 156 591 640 Fax: (330) 156 591 642 Email: maritradesas@yahoo.fr France Contact: Mr.Thio.S.T 12 Prince Edward w Road #03-13 Podium B Bestwa ward w y Building wa Singapore 079212 Telf: (6) 562 241 011 Fax: (6) 562 242 775 Email: sinchiao@pacific.net.sg;/sthio@pacific.net.sg Australia, Indonesia, Malaysia, New Zealand, Philippines, Singapore, Bangladesh, Pakistan and Srilanka HT TRADE-COOPERATION AND TRANSPORT T JOINT T STOCK COMPANY Contact: Mr.Le Thiet Thao 31ª, Rua Nguyen Khuyen, Destrito Dong Da, Hanói, Vietnam Telf: (04) 374 783 47 Fax: (04) 374 716 42 Email: sociedade_ht@cnca.vn Vietnam and Cambodja SAN LIAN SHIPPING Contact: Mr.Lu Suen Yu 11/F, Ngan House, - 206/210 / /210 Des Voeux Road Central - HONG KONG Telf: (86)2150366097/ 7/ (86)2150366098 7/ Fax: (86) 21 50366095 / (86) 21 50366100 Email: operationsh@timeocean.net China Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014 11

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PÁGINA ABERTA A cantora Yola Semedo lançou em Luanda o seu novo trabalho discográfico. Cantora, dançarina, compositora, arranjadora e produtora musical, Yola a menina da voz perfumada, ousada e extrovertida no palco, é tímida e cautelosa nos passos que dá para a internacionalização da sua carreira. Em entrevista a F&N, Yola Semedo, que nasceu em 8 de Maio de 1978, não acha que perdeu tempo para dar o pulo internacional que muitos dos seus fãs reclamam. Ela reconhece que tem um certo medo para «sair da concha», fruto de um proteccionismo familiar que sempre teve. Capacidade, talento, potencialidade não lhe falta mas defende que o pulo só tem de acontecer com suportes materiais bem seguros e reclama para isso um maior protagonismo do Ministério da Cultura de forma que os artistas-e Yola prefere falar sempre em nome colectivo e não individual-avancem com segurança, possam singrar e, em consequência, enaltecer a imagem de Angola. Por: Victor Aleixo (Texto) Fotos: Adão Tenda F YOLA SEMEDO iguras&Negócios - Yola Semedo, o que podemos esperar deste teu novo disco? Yola Semedo (YS) Primeiramente, uma mulher mais madura, mais sensível aos pequenos pormenores da vida pelo facto de ser mãe e entender a vida de forma diferente. E isso também afectou o meu lado artístico, e eu acredito que de forma positiva. Então, como artista, podem esperar uma cantora mais desenvolvida, mais profissional. F&N - Já se pensava que, devido ao interregno entre um e outro disco e porque a Yola casou e teve um filho, a preguiça de cantar tivesse conquistado o lugar cimeiro. Nada disso? YS - Não, muito pelo contrário! Como eu disse, olho para a vida de uma forma um bocadinho mais atenta e entendo que a música, para além de ser um dom, é um legado, uma herança que o meu pai me deixou e tenho a obrigação de a usar da melhor forma possível para me tornar um ser humano cada vez melhor. Eu vivo da música e, como todo profissional que aceita o seu trabalho, que luta para o desenvolver, tenho de dar o meu melhor. O nascimento do meu filho fez com que eu olhasse para a profissão com um ar mais sério. F&N - Daí a tua homenagem neste último trabalho? YS - Sim. Exactamente. O Filho meu. F&N - Yola, sucesso consolidado cá dentro, não achas que já é o momento para o pulo para maior projecção internacional? Afinal, os teus fãs reclamam. YS - Sim e não. Não é fácil pegarmos num produto e levarmos para fora, fundamentalmente por ser uma cultura diferente. Vou ser mesmo um bocado atrevida, não é fácil e é como se fosse dar um passo com os olhos vendados. Dá um bocadinho de medo e acaba por intimidar, embora saibamos qual o nosso potencial. F&N - Não faltará aí um pouco de ousadia? YS - Fazer um espectáculo fora é fácil mas não interessa fazê-lo e, por exemplo, três horas depois quem o assistiu nem se lembra do artista. É necessário termos uma equipa forte bem formada para dar continuidade do trabalho após o espectáculo. Por isso, sair de casa e fazer um espectáculo só por fazer, como artista e como profissional, não me interessa. Não é por ser um artista de su- “ entendo que a música, para além de ser um dom, é uma herança que o meu pai me deixou e tenho a obrigação de a usar da melhor forma possível para me tornar um ser humano cada vez melhor. ” cesso no meu País que me torna automaticamente famoso internacionalmente. Todos aqueles artistas que singram fora estão ligados a uma estrutura que pode financeiramente cuidar das suas carreiras lá fora. Mesmo que eu pudesse ter esse apoio, era necessário apurar o máximo aquilo que faço, que é a música, e antes eu não me sentia nem me achava capacitada para que a minha música brilhasse e levasse o nome de Yola Semedo nos palcos lá fora. F&N - Yola, decididamente, isto parece mais medo de sair da concha, porque capacidade e talento toda gente te reconhece. YS - Medo de sair da concha também, talvez por eu ter crescido num «SINTO-ME UMA MUL 12 Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014

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PÁGINA ABERTA meio familiar muito unido, por ser a mais nova do grupo e sempre me senti muito protegida. Mas eu sei que sou capaz e era mesmo por não ter as bases necessárias para fazer com que a minha carreira lá fora brilhasse. Eu tenho que dar o meu máximo, se der certo é porque realmente lutamos para isso, se não der certo também não foi por nossa culpa, porque fizemos o necessário para brilharmos. F&N - Experiências antigas de outros artistas, como Tetalando e Bonga, não te motivam para avançar? YS - Hoje em dia o mercado da música angolana cresce cada vez mais. Há artistas com muito talento que podem levar o nome de Angola para fora das nossas fronteiras mas até hoje é muito difícil encontrar os apoios necessários para que isso aconteça. Por mais excelente que seja, o artista não consegue ir sózinho e hoje não há meios para se fazer isso. Torna-se muito difícil levar a nossa música para fora se estivermos sózinhos. Claro que se as oportunidades nos forem dadas, nós, como artistas, estamos aquí porque o que mais queremos é levar o nome de Angola e da nossa cultura para a diáspora. F&N - Tu enquanto artista tens medo, por exemplo, de enfrentar o público francês que aprecia a música africana? YS - (Risos) Eu tenho medo de enfrentar um público, por exemplo, numa praça aqui em Angola. Todos os públicos são diferentes, todos são importantes mas claro que é necessário termos em mente, pelo menos eu penso assim, que cada show é diferente, cada show é como se fosse o último que vou fazer da minha vida. F&N - Quando te referes aos apoios estás a tocar na questão financeira? YS - Não só! Vou ser honesta, LHER MAIS MADURA» Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014 13

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PÁGINA ABERTA hoje em dia já não se trabalha na base de patrocínios, pelo menos no lado musical. Hoje é mais na base da troca de serviços. E isto porquê? Porque já se nota que a música deu um passo muito grande, está a mostrar melhor qualidade, com um ar mais sério. E é isso que nós procuramos, não queremos nada de mão beijada. Nós queremos sómente oportunidades para mostrar o que somos capazes, para caprichar um pouco mais aquilo que nós fazemos, que é a música. F&N - O mercado de referência do músico angolano na Europa é apenas Portugal. Porquê? YS - É muito normal.Como disse há bocado, nós ainda temos a sensação que estamos a viver numa concha porque são muitos anos que nos ligam a Portugal. F&N - Ou é um factor linguístico? YS - Também F&N - Mas no teu caso, tu falas inglês, por exemplo… YS - Eu tenho a vantagem de falar inglês mas há um bom número de artistas angolanos que não fala nem inglês nem francês. Então, a nossa tendência é mesmo pegarmos o mercado português. F&N - Mas tu generalizas tudo e nunca pensas em fazer algo por ti, sózinha. Porquê? YS - Eu tenho consciência disso, mas é importante entender o facto de que nós não somos artistas conhecidos no mundo da música internacional, por isso é que disse que sózinhos vai ser difícil mostrarmos a cultura de um povo. Se for para brilharmos lá fora eu posso aparecer como artista individual mas não me vai valer muito a pena porque não é esse o legado que quero deixar. Quero aparecer como um artista de um povo que faz parte de um elenco de na Inglaterra, mas, repito, sozinha não vou ser capaz de dar o pulo que hoje reclamam para mim. F&N - Yola, parece que também há um certo receio teu de deixar a casa. YS - Não. Eu nunca vou deixar a casa! F&N - Estou a falar, por exemplo, em ficares um tempo longo no exterior… YS - É exactamente isso a que me estou a referir. Estou preparada para dar os passos que são necessários mas nunca vou esquecer a minha casa, não posso fazer isso, até porque o meu grande objectivo é levar a minha cultura para fora. Então, no momento que eu esquecer a casa, não vou estar capacitada nem vou ter dignidade para mostrar a cultura como eu quero mostrar. F&N - Sempre a pensares no colectivismo em detrimento da tua carreira profissional. YS - Em princípio sim, porque a união faz a força. F&N - Estamos a ver a Yola Semedo a actuar como comissária política? YS - Olha, se eu pudesse estudava ciências políticas. Porque não? Eu sinto sinceramente que tudo aquilo que eu possa fazer para ajudar o mundo da música eu faço, porque eu cresci na música, dei os passos necessários e sei que não é fácil, porque no momento em que «não era conhecida» eu precisei de alguém que me desse as mãos para eu me tornar a pessoa que sou hoje. Tenho a sorte de ter caído na graça da minha sociedade mas foi necessário alguém puxar por mim. Então, eu já me sinto no direito e na obrigação de também fazer por aqueles que precisam de um espaço para brilhar. Mas se eu olhar de forma muito individual, vou tornar a música cada vez mais sem qualidade e não vou ajudar no passo que é necessário dar. Esta é a minha realidade. “ artistas que lutou para levar o mundo da música angolana para o resto do mundo. Nós estamos a lutar, hoje, para mostrar que Angola é um País em desenvolvimento, com enorme potencial e nós como artistas temos de ser um grupo para levar a nossa cultura para fora. Se for individualmente, Nós queremos somente oportunidades para mostrar o que somos capazes, para caprichar um pouco mais aquilo que nós fazemos, que é a música.” vamos demorar anos para conseguir fazer isso. Quando tivermos essa base formada lá fora já vai ser fácil um por um dar o passo necessário. Aí está o porquê que digo que é necessário termos um apoio, que eu não sei como. Talvez o Ministério da Cultura possa dizer melhor para se criar esse trampolim para a música angolana. Nós, aos poucos, individualmente, já mostramos que temos capacidade, temos seguidores-eu tenho pessoas que seguem a minha música no Brasil, em Portugal, nos EUA, 14 Figuras&Negócios - Nº 154 - OUTUBRO 2014

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